9 de mai de 2007

Quid est veritas?

Quem passa por aqui constantemente já sabe que eu sou atéia. Por motivos meus, da minha visão da humanidade e de sua história, minha conclusão é que não existe uma força superior que nos comanda, que olha por nós, e de vez em quando, tira uma com a nossa cara. Mas por agora, vamos relevar.

Há alguns anos estive na Itália, passei por muitas cidades, grandes e pequenas. Por ter recebido criação católica, eu conheço muitos rituais e sim, li a bíblia várias vezes.

Lá, vi coisas maravilhosas, e chorei por estar cercada de tantas preciosidades, não por serem baseadas na fé em Deus. O que me traz emoção na fé católica é como a tentativa do homem se aproximar da perfeição divina o leva a criar as coisas mais fantásticas que um cérebro humano comum pode conceber. A grande beleza, a simetria, a perfeição, o encontro com o divino dentro da impureza da carne. O que vi e senti no Vaticano, pelas ruas de Roma, em museus, pelas tantas catedrais e capelas que visitei, foi essa beleza incontestável perfilada por mãos não mais que humanas.

Agora com a chegada do Papa em nossas terras, há discursos inflamados sobre a Igreja, sobre seus conceitos ultrapassados que só fazem em prejudicar a sociedade. A lavagem cerebral, a hierarquia, a pompa, a inutilidade, a grande pataquada.

O que eu gostaria de dizer aqui é que acho a fé algo necessário. E a fé católica, e tantas outras fés pelo mundo, criaram sim coisas terríveis, situações bárbaras, mortes, sofrimento, preconceitos e limitaram muito a liberdade da consciência humana.

Mas fizeram também os homens comuns que acreditavam nela, ou se inspiraram nela tão fervorosamente, com tanta paixão (que é algo tão humano) que conceberam coisas, que, se houvesse um céu, fariam parte dele.

Se não fosse por Deus e por Jesus você nunca teria conhecido:

A música de Bach



A Pietá de Michelângelo


A Invocação de São Mateus por Caravaggio


O Duomo de Milão



Reclamem da Igreja, acho justo criticar. Eu critico também.

Mas nunca se esqueçam como a fé também é capaz de criar coisas que vão além da beleza terrena.

Por isso eu critico, mas não desrespeito. Jamais.