19 de set de 2007

Console

Meu primeiro videogame foi o Atari. Começo dos anos oitenta, eu mal sabia ler direito. Não passava horas e horas jogando porque eu também gostava de brincar com brinquedos normais. Eu me lembro que meu jogo favorito era uma boca que voava em um fundo preto e tinha que comer as coisas que passavam. Não podia pegar o pepino senão dava azia e a boca morria. Completamente idiota, como milhares de jogos do Atari. Mas aos seis anos, um quadrado vermelho engolindo quadrados coloridos parece muito divertido. Meu pai trazia "fitas" de presente quase toda semana, eram aquelas tinham 4 jogos, que você alternava levantando os pinos que ficavam na frente.

Depois de alguns anos, ganhamos o NES. Na verdade era um genérico, no Brasil haviam milhares deles, vindos diretamente do "Paraguay". O original era caro demais. E lá com seus 8 bits conheci Mario, Castelvania, Contra, Mega-Man, Metroid, e tantos outros. Comprávamos as revistas de games para saber o que vinha por aí. O Brasil era entupido de fitas falsificadas, já nessa época. E de locadoras de jogos. Mesmo assim, as coisas demoravam muito para chegar aqui, às vezes anos para um "lançamento" de jogo. Anos depois, uma surpresa.

Eu e meu irmão ganhamos um SuperNes. Original, vindo dos EUA. Um dia eu conto aqui como foi "a noite em que ganhei meu SuperNes", é engraçado, mas voltando ao assunto: ninguém mais tinha o console na cidade inteira, e as locadoras não tinham jogos também. Jogamos Super Mario World durante quase seis meses, até uma locadora disponibilizar 3 jogos: Pilotwings, The Legend Of Zelda "A Link to the Past", e o próprio Mario World (rá!).

O SuperNes foi uma das melhores coisas da minha infância. Não sei porque dizem que games não são saudáveis para crianças. Estimularam muitas coisas em mim, inclusive criatividade e raciocínio. Aprendi a entender inglês jogando Zelda com um dicionário na mão, traduzindo tudo.

E um belo dia, o SNES ficou para trás. Deslanchou a tecnologia dos consoles 3D. E o mundo ficou tridimensional! Que loucura, que gráficos! Meu Deus, quando vejo animações daquela época penso "Que tosco!". Mas foi revolucionário.
Chegou o Sega Saturn em casa.
Depois, veio o Playstation.
Depois Dreamcast.
Depois Ps2
Depois GameCube

Quando alguém olha de fora deve pensar "mas essa menina ficou jogando videogame em casa a infância toda?" Não fiquei. Eu tinha amigos, ia bem na escola, gostava de ler e brincar. Só não saía muito de casa. Meu pai sempre comprava um jogo novo, quando podia. Acho que ele fazia isso pra ficarmos longe da rua. Foi o jeito que encontrou pra evitar que ficássemos expostos às "intempéries" da vida. Mal sabia ele que por estudarmos em colégio estadual em bairro de periferia estávamos expostos a intempéries bem mais perigosas. Traficantes com dez anos de idade dentro da sua sala não é mole não.

Mas qual o motivo de eu estar falando de videogames agora?

Bom meu queridos, é que algo espetacular (ao menos para os amantes de games) acontece comigo. Neste instante, tenho em minha casa um Nintendo Wii, em xbox360 e um Playstation 3 instalados na sala. Nenhum deles é meu, devo o favor ao site para o qual escrevo análises de jogos, que me emprestou os bichinhos.

Olhando assim, sinto uma coisa estranha. Cá estou eu, beirando os 30, feliz em jogar videogame. É tão estranho, mas ao mesmo tempo, tão normal pra mim.

Vou jogar até no asilo.


Heavenly Sword, jogo estilo "brawler" de espadas, parecido um pouco com God Of War. É para o play3 e está em minhas mãos neste instante. Semana que vem, sai a minha nota pro jogo. Vamos ver se o Playstation3, o mais caro da nova geração, vale o preço.