10 de nov de 2008

Luiz Caldas, Eddie Vedder e um travesti.

Quando eu me sinto um lixo eu preciso rir. Tem gente que se afunda no quarto, apaga as luzes e fica ouvindo Joy Division. Eu paro, olho à minha volta e vejo a quantidade de gente idiota no mundo. Primeiro sinto uma raiva incontrolável. Charles Bronson com sangue "nozóio". Depois eu crio uma imagem mental onde me vejo inserida em um esquete cômico dos Trapalhões.

Sexta passada estava em minha cidade natal. De novo. Dessa vez não bebi tanto imagino eu. Na verdade não me lembro se bebi muito, estava bêbada demais pra anotar. O fato é que sexta à noite inventei de ir em um "bar de rock". Essa alcunha já me causa arrepios. Minha juventude interiorana foi tomada por festas "rock" de faculdade onde maconheiros de classe média usando gorrinhos ensebados discutiam o poder das elites enquanto tocavam violão. E bar de rock em cidade interiorana é assim. Punks capiras, hippies roceiros, um ou outro estudante de direito da Unip perdido ali no meio. Não vou dizer que em São Paulo o povo é mais esperto. Eles só se vestem melhor.

O freak show "bar de rock de cidade do interior" me encanta. Quer dizer, visualize um sujeito parecido com o Luiz Caldas, bigodinho ralo, cabelo enrolado nos ombros, roupas largas e chinelinhos. Chinelinhos.

ADENDO: Homem não sai de casa a noite usando chinelinho. Só se for pra ir à padaria comprar pão e presunto ou na locadora devolver filme. Homem hetero de chinelinho em programas noturnos é crime. Pelo menos na minha constituição. Parágrafo 23, logo ao lado do 22.

E lá estava o filhote de Luiz Caldas abraçado com sua consorte, igualmente fã da erva marvada. A consorte parecia o Luiz Caldas também. E também usava chinelinhos. Eu imaginava aqueles dois vivendo em uma comunidade naturista com várias crianças catarrentas parecidas com o mini-Luiz Caldas. Todas com chinelinhos acoplados comendo arroz integral e bebendo suco de chicória.



Se minha imaginação tivesse parado aí, eu já estava bem. Afinal, eu ria tanto que meu tórax ardia. A banda da noite, com um guitarrista todo serelepe, era cover de Pearl Jam (aliás alguém me explica porque tem tanta banda cover do Pearl Jam no interior). Eis que o Luiz Caldas/bigodinho/chineludo pára na frente da banda e fica de cócoras. De cócoras como se fosse parir Macunaíma ali ao som de Jeremy. E ainda colocou a mão no queixo, "admirando" a regatinha suada e poética do guitarrista serelepe.

O mais divertido é que atrás do Luiz Caldas/bigodinho/chineludo/parto de cócoras havia um travesti todo empolgado dançando como se aquilo fosse um baile de carnaval: dois dedinhos pra cima, pé pra frente e pra trás. Um sorriso com batom borrado nos dentes e uma peruca vagabunda na cabeça.

E eu ria sem parar.

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Eu poderia ter descrito esse mesmo bar de uma maneira depressiva. Como se o Bukowski tivesse jogado whisky na minha cabeça e berrado "Escreve vadia".

Mas eu prefiro imaginar o Didi Mocó chacoalhando o pé de ladinho dizendo "Vai santa!".

Quer saber? Eu nunca gostei de Bukowski.