8 de dez de 2008

Fim de semana em 3 capítulos

Capítulo I - Bolas espelhadas cegam meus olhos

Sexta. Festinha, cerveja, música. A madrugada já está quase virando dia. Lá, dando meus pulinhos sobre meus saltos altos, feliz da vida, querendo que todos os problemas desaparecessem junto com meus espasmos musculares. Dançar pra mim é uma sessão de descarrego. Só que eu não tenho mais 18 anos. Depois de um tempo eu preciso respirar e ter certeza que meus joelhos ainda dão conta. Aí me chega um sujeito. Bêbado. Coloca a mão no meu ombro e diz

- Ué, parou de dançar?
- (fico quieta olhando para o globo de espelho)
- Tá com essa cara de brava porquê?
- É que tem uma coisa me incomodando...
- O quê?
- Você.

Sujeito bêbado entorta a sobrancelhas e sai andando.

Isso é verdade. Mas o que eu queria mesmo ter dito:

- Ué, parou de dançar?
- (fico quieta olhando para o globo de espelho)
- Tá com essa cara de brava porquê?
- É que tem uma coisa me incomodando...
- O quê?
- Gases.

Aposto que o sujeito iria ficar longe, mas bem longe de mim.

Capítulo II - Doutor Jegue

Sábado à tarde eu estava com sono mas não queria dormir. Liguei a TV e fiquei enrolada com minha cachorrinha no colo. No meio do caminho, cruzo com Mussum usando uma camista laranja, de bigodes. No canal Brasil "O Incrível Monstro Trapalhão", de 1980. Uma paródia de Dr. Jekyll e Mr. Hyde com o quarteto freak. Eu nunca tinha assistindo. Nele Jekyll é interpretado por Didi foi parodiado para Dr. "Jegue". E foi ali que ouvi uma das frases mais estranhas que o Mocó já disse (depois de "se a 'popança' do Mussum fosse ouro dava pra comprar o Piauí" em Os Trapalhões na Guerra dos Planetas). Presta atenção:

Num momento de romance, o Dr.Jegue está jogando uma pelada com os amigos. Uma moça, sentada ao longe usando um macacão vermelho, olha para o chão, deprimida. Close na moça, no decote. Volta pro Dr. Jegue. Dedé nota que Jegue está olhando pra Ritinha (a moça deprimida) e diz, "Ahêee o jegue tá apaixonaaaado". Seguido de zombarias de Zacarias e Mussum. Jegue aka Didi olha pra mulher de novo e diz:

"Aquela mulé é tão boa quanto um bode: dali se aproveita até o grito!"

Outra cena:

Didi aka Jegue diz "Se a montanha não vai até Maomé, Maomé vai até a montanha!"

Mussum se levanta nervoso chacoalhando os braços:

"MAH AONDE TÁ TODO ESSE MÉ QUE VOCÊ TÁ FALANDO?"

Capítulo III - Domingo - Festa tricolor! No meu joelho.

Fui assistir o jogo com umas amigas. Tudo muito bem, muito bom. Alegria da torcida São Paulina. Eu não acompanho futebol desde 98, mas continuo torcendo para meu time. E fui tomar cerveja e dar risada. Na hora de ir embora, descer escadinha caracol. De granito. Okay, eu dou conta. Lá fui eu. Caí com meu joelho que já estava doendo desde sexta. Logo o joelho que acusa que eu não sou mais uma mocinha serelepe e sim uma mulher com problemas "nas junta".

Paf, tlec. Vou dizer que já estava sóbria, o que é pior. Prefiro cair de bebedeira do que cair de trapalhada. Dói bem menos.

Aí está, agora meu joelho homenageia algo tricolor: Vermelho, roxo e verde. E inchado.