11 de jan de 2006

Aka "Fake"

Escrever sob um pseudônimo é uma coisa comum, e ao meu ver, muito interessante. Acho ótimo o escritor inventar uma identidade absolutamente diferente da sua e colocar isso em seu trabalho. E acho bacana quando a identidade verdadeira fica em segundo plano, undecovered, e os fãs tentando descobrir quem diabos é o autor.
Assim é o jovem escritor americano "JT. LeRoy". Queridinho entre os modernosos, LeRoy já fez fama escrevendo livros "pesados" contando sobre sua infância abusiva e junkie como um menino-prostituto-drogado de beira de estrada lá nos EUA. Sim, ele assumia que esse era seu passado. E que sua aparência estranha (ele faz aparições públicas), andrógena (sempre com batom meio borrado, chapéu, óculos escuros e peruca), seria resultado de sua tentativa de ser um "transgênico". Tratamentos hormonais lhe garantiam aquela aprência afeminada, sem pêlos no rosto e voz distorcida. Uma figura estranhíssima, mas interessante. E pelos textos que pude encontrar pela net, J.T é talentoso sim.
Além disso, ele prega uma grande libertação de idéias novas na literatura e no comportamento. Portador do vírus HIV, ele ganhou apoio de personalidades famosas do cinema e da literatura mundial. Recebeu até apoio financeiro. Utilizaram textos seus para adaptações no cinema, tais como "The Heart Is Deceitful Above All Things", sobre um garoto com uma mãe muito perturbada, que leva uma vida mais perturbada ainda. Diz ser autobiográfico, assim como seu hit "Sarah: A Novel".
JT foi salvo quando adolescente, por um casal que o adotou e o ajudou. Agora algumas coisas começaram a derrubar a imagem tão bem delineada de LeRoy. Fãs encontraram fotos de uma certa moça, na inauguração de uma loja e em um site de roupas, posando como modelo e reconheceram: Aquele era LeRoy. As fotos foram apresentadas por pessoas que conheciam e trabalharam com LeRoy e confirmaram: é ele mesmo. Só que no caso, é ela. Savannah Knoop é seu nome. Modelo. E agora?
Por coincidência, os nomes que LeRoy passou como de seus pais adotivos, colocam a modelo Savannah em seu devido lugar: na verdade, ela é meia irmã do suposto pai que adotou JT, Geoffrey Knoop.
Tudo começou a se encaixar: JT na verdade não é ele. É ela. E não é Savannah, nem Geoffrey. É a suposta"mãe" adotiva, Laura Albert. O casal armou a trama toda, e se deu bem.
Confuso? Sim, é muito confuso. Mas muito sacana também. Inventar um personagem é uma coisa, mas criar uma situação onde ele pede a ajuda das pessoas, toma dinheiro delas e ainda prega falsamente que tem AIDS para conseguir simpatia está além da estratégia. É tirar proveito da sensibilidade humana.

Quem quiser entender a trama toda, saiu no NY Times. É só clicar (tem que fazer inscrição no site pra ler, mas olha, ter acesso ao NY Times vale a pena, e é super rápido)