7 de fev de 2006

Fish are jumpy and the cotton is high

Nesse calorão que está São Paulo o que mais ouço é "ai queria estar na praia". Todo mundo queria estar na praia. Já eu, me visualizo em Amsterdam sentada em um charmoso café lendo um livro, naqueles dias frios e chuvosos típicos da cidade. Qual seria meu problema? Nenhum, eu basicamente não sou fã de praia.
Nunca tive o hábito de ir à praia. Nas férias, para minha família não era hábito viajar, e quando o fazia, nunca era em direção ao mar. Acho que durante minha existência só viajei para a praia 5 vezes. Não vou dizer que as viagens foram ruins, mas... Não é uma coisa que me traz lindas lembranças.
O fato é que tenho nojo do mar. Entendam, ali naquela "sopa" se concentram peixes apodrecidos, toneladas de merda de baleia, esgoto e sei lá o quê. A última vez que fui para uma praia, ao "tentar" vencer o meu nojo coloquei os pés até os calcanhares na água, e para minha grande surpresa um puta de um saco plástico ficou preso nas minhas pernas. Eu dei um berro, corri para longe e durante os 4 dias que fiquei lá, não me aproximei mais do oceano. Outra coisa é meu pavor. Isso, sempre acho que o mar vai me arrastar para o fundo. Toda vez que eu entro naquele sopão marítimo tenho a impressão que o troço está querendo me matar.
E tem a areia. Areia que entra em cada fresta e oríficios do seu corpo que nem você sabia que existiam. Fica grudada, não sai, e meu... É sujo. Todo mundo esfrega o pézão ali, aquilo é um antro de coliformes fecais cristalizados e fungos de várias espécies.
Areia, como eu já disse uma vez, só em obra.
E o sol. Sol eu reconheço, é muito necessário para o pleno funcionamento do planeta Terra. Não odeio o Sol. Só não gosto que ele derreta diretamente meus miolos. Que frite todas as camadas cutâneas do meu corpo. Aquela sensação "estufa" que ele causa é terrível. Comigo, só na sombra.
Se você me convidar para ir à praia, não vou recusar. Se for barato eu até vou. Mas vou ficar sentada no quiosque, de preferência em um que não fique localizado "sobre" a areia, embaixo de uma sombra, de óculos bem escuros. Tomando cerveja e comendo camarão. Olhando o mar. Olhar o mar para mim é interessante porque gosto da idéia de estar na beirada do continente. Se eu pudesse, teria um Ipod para não ser obrigada a ouvir caiçara vendendo porcaria ou aqueles odiosos axés vindos de auto-falantes para velhas gordas fazerem aulinhas de aeróbica na areia.
Ah, não me pergunte se eu quero dar uma volta. Não quero. Não suporto andar na beira da praia. Não sou exatamente uma mulher que gosta de ter a bunda "checada" a cada 2 metros. Primeiramente porque não tenho bunda. E não sou "bronzeadinha". Não tenho aquele "bronze saudável". Fico vermelha feito vela de oferenda à Oxum. Aliás, eu fico a cara da pomba-gira se não passar protetor fator 900. E para se ir à praia tem todos aquelas coisas... chamadas "roupinhas de praia". Com estampas de flores, gaivotas e coqueiros. Fibras naturais. Chinelinhos. Bolsas de palha. Chapeuzinhos e derivados. Essa modinha definitivamente não é para mim.
Calma, não sou uma pessoa terrível por causa disso! Eu gosto do som do mar. Gosto da praia à noite. E acho a natureza supeeeeer bacana. É sério. Só não curto toda aquela coisa de "uhúuuu praiaaaaa". Prefiro ficar mais quieta.
Agora com esse calorque está hoje... O que eu não daria para estar em um café lá em Amsterdam...
(é café, não coffee shop, para os maloqueiros presentes. Esses aliás, adoram praias também...)