2 de dez de 2008

A relevância

Meu último post rendeu um comentário engraçado. A pessoa ficou incomodada por eu discutir um assunto pop neste blog, que aos olhos de alguns, "é mais inteligente que o Shoe-me". Não me considero inteligente o suficiente para me negar a falar sobre alguma coisa. Não sei nem se esse grau de inteligência existe.

Por isso resolvi fazer um post sobre um assunto completamente irrelevante.



Meu post será sobre interruptores.

A invenção do interruptor, imagino eu, está ligada à invenção da lâmpada. Antigamente o cara usava só uma lâmpada com extensão elétrica porque ninguém tinha instalado fiação em casa ainda. Provavelmente um fio era esticado e uma lâmpada amarrada na ponta. Eu nunca vi aquelas lâmpadas acesas por cordinhas (só em filmes) mas fico imaginando como é que funcionam. Seria que a cordinha puxa uma espécie de interruptor? E pra apagar, puxa de novo... No mínimo curioso.

Outra coisa que não posso deixar de comentar é que se você olhar para um interruptor notará que geralmente há um círculo escuro na parede, bem em volta dele. Um círculo de sujeira das mãos que sempre batem em torno do "espelho" (nome dessa plaquinha presa por parafusos) até acionar o botão. Entramos e saímos do quarto todos os dias, dezenas de vezes, mas é raro acertarmos a mão de primeira. E quando estamos na casa de um desconhecido é pior ainda. Quem nunca se pegou perguntando "mas onde está a porcaria do interruptor?" batendo as mãos nas paredes feito idiota. Sem contar no trabalho daquelas casas com trocentas lâmpadas na mesma sala e trezentos interruptores. Ficamos cinco minutos e acendendo luzes inúteis (geralmente dicróicas) que pessoas requintadas e com finesse usam para iluminar uma estante de madeira. Uma estante de madeira com luz própria. É como se acendêssemos um holofote e os livros fossem dançar sapateado e cantarolar "'Comon Get Happy".

Certa vez eu acendi uma barata. Juro. Eu entrei na lavanderia de casa, e ao invés de apertar o interruptor, eu "cliquei"uma barata. Ela fez "crec" bem embaixo dos meus dedos. Gritei por três minutos sem nem respirar. Foi extremamente nojento. Depois eu passei a olhar para a parede antes de acender. O que não faz sentido já que com a luz apagada a lavanderia estaria escura e mesmo se eu olhasse não enxergaria bulhufas e poderia quebrar outra barata ao meio novamente. Mas quais seriam as chances disso acontecer de novo?

O estranho de morar em prédios e casas antigas é que só existe um interruptor por quarto, sempre ao lado da porta, cerca de 1,50m do chão. Eu não entendo a lógica disso, afinal, porque uma pessoa há 30 anos não gostaria de deitar na cama, virar-se para o lado e apagar a luz? Eu sempre tenho que levantar, apagar a luz e deitar de novo. Será que nos anos 70 todo mundo usava abajour? Porque dos dois lados da minha cama existem tomadas. Fico imaginando essas coisas quando vejo a posição das tomadas de um cômodo. E pela posição do interruptor do meu quarto, uma criança de 6 anos não conseguiria acender a luz. A pobre criança era obrigada a encontrar suas meias no escuro, sozinha. Cruéis esses engenheiros elétricos de antigamente, não?

O interruptor foi muito importante para filmes e séries antigas de ficção científica. O mundo era dominado por interruptores das mais diversas cores, tamanhos e formas. A sala de comando da Enterprise por exemplo; no seriado clássico a comandante Uhura ficava apertando interruptores pra cima e pra baixo sem parar. Imagine comandar uma nave estelar usando apenas interruptores? Darth Vader tem interruptores no peito! Hoje em dia é tudo touch screen, o coitado do interruptor perdeu terreno. Mas não podemos negar seu tempo de glória "futurística" onde interruptores seriam usados para tudo e mais um pouco. O futuro do mundo, a guerra-fria meu deus: Mísseis atômicos apontados todos controlados por um INTERRUPTOR! Hoje é tudo tecla "enter". Bah, cadê o glamour do botão mágico?

Até inventaram a lâmpada acionada por palmas, o que eu pessoalmente acho um tanto cafona, porém a lâmpada acionada por movimento, essa sim, é bastante importante quando chegamos em casa. Se bem que nunca vi bandido com medo de luz. Se fosse assim, eu andava com uma lanterna na bolsa e não com um revolver calibre 22. Mentira, eu não tenho revólver.

Sim, eu posso soar doida, afinal, esse é um post sobre interruptores e acredite, eu posso ficar mais doida do que isso. Entenda: eu escrevo sobre o que eu quiser do jeito que eu quiser. É meu. Eu nunca vou entrar no blog de alguém e falar "ai, tem coisa mais importante pra falar sabia?". Qualquer assunto pode ser interessante, depende do que você faz com ele.