3 de abr de 2005

Forever and ever! Ever and ever?

Casamentos realmente não são meu forte. Está ali no meio da festa de 15 anos e festa de bodas casamento. Nunca fui fã. Acho tudo muito chato, tudo meio fabricado. O casal gasta uma grana pra celebrar uma festa, cheia de gente (conhecidas, outras absolutamente incógnitas), enche todo mundo de comida, de bebida, pra uma multidão pessoas celebrar uma união que, eu sinto, é de somente duas pessoas e não deve ser simbolizada por uma festa que dura uma noite (ou uma tarde, ou uma manhã).

Com minha opinião à parte, vamos comentar a festa que fui neste final de semana. Cheguei atrasada, e por incrível que pareça a noiva já estava lá dentro. Na entrada da igreja, um tapetinho das Pernambucanas ornava a passagem. A igreja cheia de gente, de flores, de tiazinhas e de bebês. Como toda cerimônia é igual, o padre fica falando de amor verdadeiro, que hoje em dia o amor está desvalorizado, e yadda yadda yadda, e tomei meu tempo pra ficar observando uma linda baby que brincava no tapetinho persa. Bebês são engraçadinhos, especialmente quando estão vestidos para festa. Passei então o tempo todo vendo o bebê se esbaldar nos arranjos de flores. Esqueci de rezar o pai nosso, mas poxa, a criancinha era realmente fofa!

A cerimônia continuou, com músicas cantadas (não sei se tinha alguém cantando ou se era um cd, mas o cara cantava mal, seja lá de onde saiu o som), e tocava aquela música do comercial da Sadia, e ao invés de imaginar um casal se amando eu via uma bela propaganda de presunto. Mas descontando isso, a gente julga o vestido da noiva.

Vestido: Claro, que, a menina gasta uma grana monstruosa, aperta a cintura até não poder respirar, fica meses provando um negócio que vai usar uma única vez n vida dela, mas que vai se lembrar para sempre (forever, ever?). Ela tem a fatídica idéia de colocar longas luvas de cetim em um calor infernal, ou encher o cabelo de laquê e penduricalhos que mais parecem restinhos de um lustre vitoriano, e querendo parecer moderna, ao mesmo tempo angelical, mas que está em forma, e está amando, e ela fica querendo mostrar tantas coisas ao mesmo tempo, que ninguém vê nada além do excesso de canutilhos furta-cor pregados ao longo do tafetá branco.

A cerimônia acaba, e começa a tocar “E vai rolar a festa” instrumental(??????) dentro da igreja (???????) e eu fico estarrecida em ouvir Ivete Sangalo em frente a uma estátua gigante de Jesus pedindo clemência, e imagino que do outro lado do mundo o Papa morreu sem saber deste sacrilégio. Ou no exato momento que o fato ocorreu, o Papa parou de respirar por desgosto.

A festa em si era muito grande, muitas flores, muita comida, muita bebida e muitas senhoras com vestidos muito bordados e com muitas lantejoulas e muitos canutilhos e muito muito muito. Tudo é de muito. Eu havia conhecido dentro da igreja a namorada de uma amigo do meu namorado (ufa!) que assim que a vi notei que já de cara fui com a cara dela. Porquê? Porque a mulher era absolutamente diferente de todas ali, e quando uma pessoa crítica como eu encontra outra da mesma espécie, fica muito feliz. Mulherzinha linda, chiquérrima, produtora de moda, inteligente e muito engraçada. Foi minha companhia a noite toda, enquanto meu namorado enchia a cara e relembrava com os amigos, a vida deles aos 17 anos.

Durante nossa conversa (nós ficamos sentadas na mesa mais ao fundo de todas, grudadas em um canto) ríamos de tudo, inclusive do estranho hábito das pessoas usarem meia calça “da loba” em um calor daqueles. Em dado momento, ela fala “O que é aquilo?” eu então olhei para um negócio marrom estranhíssimo em cima da mesa. Pensei que fosse um pedaço de musgo que havia caído do arranjo central. Quando percebemos o que era, ríamos sem parar. Alguma mulher absolutamente POBRE havia tirado sua meia calça e colocado estrategicamente em cima da mesa onde as pessoas comiam. Uma das coisas mais absurdas que já vi na minha vida, logo após a Ivete in Christ’s Home.

A banda, que mais poderia chamar “Pout pourri bizarro das músicas mais sem noção em uma só festa Band” começou tocando jazz, depois foi pra tarantella, pro axé, disco, intercalado por momentos de descanso onde o Sr Kenny G. mostrava a que realmente veio ao mundo: Tocar seu sax medíocre em festas de casamento, ou em comerciais de azulejos.

No final, quase todos já haviam ido embora, eu fiquei ali olhando para as flores que as pessoas levavam e uma senhora veio em minha direção dizendo que “iam jogar tudo fora, tudo! Eram tantas flores, que judiação” e eu pensei que uma festa acabada de casamento pode ser deprimente, com um bolo de noiva inteiro em cima da mesa, um bolo caro, que ninguém comeu, uma mesa cheia de comidas e como tudo aquilo é bem estranho. Como uma festa grande dessas me é muito estranha.

Fui embora carregando um pedaço de arranjo, que meu namorado me deu, e que eu não queria levar, porque eu sabia que iria murchar. Elas murcharam em 20 min.

De todo coração, espero que os noivos fiquem felizes forever, and ever. Mas ao deixar de gastar 20.000 reais para um evento tão...ai perdão aos que gostam...inútil, poderiam estar um pouco mais.

Me dá 20.000 reais agora que eu te mostro como se celebra o amor!