14 de ago de 2005


Mario in Broadway

Todo mundo tem que começar de algum lugar. Pra tudo nessa vida, você começa de algum lugar. Seja a primeira fase do Mario World, seja sua vida escolar no maternal ou sua carreira de teatro em um grupo amador. Tá certo, ninguém começa fazendo tudo da melhor maneira possível. No Mário, você se embanana com os controles. No maternal, insiste em comer cola Tenaz. E no teatro, ahn, bem: faz uma peça "mudérna" e cretina.

Respeito os atores de teatro: eu seria incapaz de ser atriz, tenho a timidez de um tatu sem casco. E uma vergonha enorme de me passar por idiota. Os atores se permitem ser idiotas. Esse é um trunfo que eu nunca conseguirei alcançar. Aos 15 anos fiz duas aulas de teatro. Quis fugir nas duas. Aquela coisa de "sinta seu corpo como um instrumento de comunicação"... Ou "libere seus sentimentos e expresse-se de formas inusitadas". Eu queria sentar no chão e chorar. Logicamente, depois de ter acessos de riso infindáveis. Não nasci pra coisa, admito.

Pois então, como eu dizia, as coisas começam de um lugar. Eu recomendo que você não começe a jogar Mario World pela fase submarina. Vá aos poucos, primeiro pela fase térrea, depois para as plataformas voadoras, passe pelo deserto... Aí sim se aventure pela fase aquática. É preciso coordenação pra não deixar o Mário se debatar nas paredes com espinhos. É preciso um leve dedilhado pelos botões para fazê-lo nadar graciosamente e cair nos lugares certos, e assim, pegar as moedinhas e cogumelos. De tal forma que você termine a fase com o italianinho bigodudo fazendo sinal de vitória antes da tela escurecer. Capisce?

Quando for fazer sua peça de teatro, saiba que não pode haver pretensão. Não apele. Não vá além dos limites que seu dedilhado no controle possa alcançar. E principalmente: Não fique pelado no palco achando que isso é uma prova de sua dedicação à velha arte grega de representar. Não queira chocar. Amadores não chocam. Não ainda. Entendem? Amadores devem ter consciência de que são amadores. E devem fazer a coisa de tal forma, que naturalmente, o público pagante, não se sinta ultrajado pela banalidade de se exibir bundas, vaginas e pirocas no palco a cada 10 minutos. Porque meus amigos, amadores, são amadores. Nós, sentados ali na platéia, sabemos o quanto vocês ainda são ruins. Rolar pelado pelo chão tendo uma crise existencial não me diz que você é bom. Me diz: "Nossa, a mina rolando pelada ali, uhhh... pelada? O que ela estava dizendo mesmo? Afinal de contas, porque ela está pelada rolando? Ai que sede, que horas são? Esqueci de carregar meu celular....Opa, agora ela chamou outra amiga pelada...duas peladas rolando pelo chão...arrã..."

A questão é: Se vocês não tirassem tanto a roupa, eu poderia ter relevado alguma coisa ali. A nudez não me choca. A pretensão sim.

(PS: Um grande beijo ao meu amigo do coração Diabet Boy, que não ficou pelado e aguentou a barra de viver situações "constrangedoras" no palco. Esse rapaz sim me surpreendeu. Não precisou mostrar a bingola. E de quebra ainda apertou uns peitinhos, o que compensou sua simulação de "enrabamento").