11 de mai de 2006

Como ser odiado por hippies e influenciar pessoas.

O mundo precisa de lógica e racionalidade, já dizia o grande Spock. A partir do momento em que você começa a pensar, meu amigo, sobram duas opções. Ou você é hippie ou você é, aham, cof cof, de direita. Lá de onde eu venho, creio eu, era pra ter virado hippie. Mas uma hippie distorcida porque com pais publicitários (viva la revolucion capitalista!) fica meio difícil.

Onde haja hipponguice que eu leve a discórdia.
Politicamente corretos precisam de corretivo.

Essa coisa de respeitar tudo e todos é doentia. Se eu chegar aqui e falar que o homem-gabirú é uma aberração da natureza nordestina, há alguém ali da fileira esquerda que chamará minha atenção para a beleza poética de uma cabeça deformada com barriga d'água e pernas tortas,medindo um metro e vinte. Aí me levanta uma foto do Sebastião Salgado e dá um sorriso. Arrã.

Eu não posso falar mal de pobre.É proibido. Pobre é pobre, é um coitado, um pobre coitado. Se um pobre rouba e mata ele tem uma desculpa. "Ele é pobre!" Mas ele torturou 4 velhinhas! "Ele é pobre!" Ele estuprou minha mãe! "Ah ele é um desafortunado,um pobre!" . Ser pobre é instituição. Ser pobre lhe dá o direito absoluto de ser um completo boçal. Aí eu rebato: Um pobre não pode ser uma pessoa decente porque é pobre? Um pobre tem que ser tratado com um imbecil o tempo todo? A dignidade de um pobre está na piedade dos outros? A idéia que eles fazem de si mesmos é ruim. Pessoas que se ocupam em justificar a própria ignorância não se preocupam em se tornar algo melhor.

Outro dia assisti um programa na TV onde um bando de senhorinhas mineiras faziam colchas de algodão. As veiotas colhiam,amassavam, batiam, fiavam e tingiam o algodão. Depois teciam suas colchas e redes. Aí a velha mostrou um colcha grande e disse "Essa custa 80 reais". Dei risada. Se eu for lá na cidadezinha de Aguapiringa do Porongaba, comprar 70 colchas dessas e vender em NY fico rica. Cobro 2800 dólares por cada uma. E os hippongos chics compram. Sai em editorial da Vogue House. Ah, mas há pureza na colcha da dona Marineide. Ela não foi corrompida pelo capitalismo. Deixe a Marineide morando miseravelmente e comendo farofa porque isso é puro e lindo. Ela faz suas colchas e é feliz assim. Ela está com uma infecção nojenta na unha do dedão, não vai à cidade tratar. Passa pomada de muriçoca. A felicidade está nas pequenas coisas!