13 de jul de 2006

Muythos Mythos

A mitologia grega há de ser uma das coisas mais perturbadoras que inventaram. Quando criança, eu li algumas histórias (não as mais pesadas) de um livro que meu avô me deu. Eu não entendia porque tudo era muito enrolado, aquele era filho daquele com aquela que deu praquele outro e depois dormiu com um rinoceronte. Eu pensava "mas esses gregos tinham algum problema sério". Depois me conformei que devia ser divertido inventar esse tipo de coisa.
Pense bem, você pode criar a história que quiser sobre seu Deus favorito. Eles deviam ter muito material promocional, equivalente hoje a álbum de figurinhas, gibis e camisetas. "Pra qual você torce"? "O meu é melhor que o seu" "Imagina, a minha é a mais gostosa de todas!" e por aí vai.
A diferença é que para você, acreditar naquilo realmente podia influenciar sua vida. Diferente de hoje, onde colecionar figurinhas de uma novela mexicana e não imaginar que aquela tchicaninha com o cabelo mal-tingido vai lançar um feitiço e alterar o curso de sua existência. Para os gregos, seu herói realmente podia.

O problema é que seu herói também podia ser canibal, pedófilo e incestuoso.

Vamos então à uma historinha da mitologia grega, para você ler, pensar e tirar algum proveito. Só não espere lições de moral.

O mito de Pélops, versão Sariana:
(atenção, o mito realmente existe na Mitologia Grega, eu só romantizei à minha maneira)

Pélops nasceu em um dia de primavera. Seu papai Tantalus, rei do monte Sipylus ficou feliz. Não porque o baby era bonitinho e gorducho, mas porque teria uma serventia no futuro. Um serventia mórbida. (música tétrica)

Um belo dia, Pélops já mancebo e bonitão, é chamado pelo papai até a cozinha. Lá, papai munido de um cutelinho ataca Pélops. Com as partes do filhote faz um cozidinho de carne e aipo (sem caldo maggi) , com bastante cebola. (música da abertura de "A maravilhosa cozinha de Ofélia")

Tantalus pega a marmitinha de Pélops e leva a oferenda para o Olimpo. Chegando lá, abre a panela e o cheirinho invade a sala. Demétrio, triste porque sua filha Perséfone (que nominho) havia sido sequestrada pelo maloqueiro Hades, resolve provar o cozido, com um pouquinho de batata palha. Pegou o ombro esquerdo e deliciou-se. (música teclado de churrascaria)

Os Deuses notam que havia algo estranho ao verem uma mão humana, uma nádega direita e um grande pedaço de paio (seria paio mesmo?) boiando no cozido. Falam para Demétrio parar de comer porque vão chamar a vigilância sanitária para analisar aquela marmita.

Depois da análise laboratorial fica comprovado que o cozido "surpresa" tem um ingrediente apelativo: Pélops!
Pois aí Tantalus grita:
- "Peraê seus doido! Eu fiz o cozido direitinho,mexi com amor e carinho, não tem nenhuma pelota aí!"
Os Deuses se revoltam:
-NINGUÉM DISSE PELOTA Ô IMBECIL. É PÉLOPS!
Tantalus toma uma bronca e reconhece que devia ter ido ao açougue. "Cozido de alcatra é mais gostoso" ensina Atena.

E o pobre Pélops ali na panela? Os Deuses, com dó daquele rapaz ter virado um viradinho, resolvem ressucitá-lo. Só que Demétrio já tinha mandado o ombro do moço pra dentro. Telefonam para Hefestus e pedem encarecidamente uma solução.

Enquanto isso, começam a reconstruir Pélops. Perna aqui, braço ali, nádegas, o paio (???) a cabeça... Eis que Hefestus chega com a solução: Um ombro de marfim. Os Deuses entreolham-se. "Mas que porra o Hefestus anda fumando?" é o questionamento geral. (música Stir it up do Bob Marley)

Pélops está pronto. Remontado, recauchutado e com um pedaço de dente de elefante no lugar do ombro. Apesar disso está belíssimo. Lindo,lindo, lindo. Pelo menos é isso que Poseidon está pensando. (música Hello de Lionel Ritchie)

Poseidon está claramente apaixonado. Pélops está confuso. Ainda há ali, dentro de seu crânio, um pedaço de salsão. Poseidon, barbudo, semi-nu, montado em um golfinho, chama Pélops para dar uma volta, depois uma esticadinha em casa, quem sabe tomar um vinho. Pélops baba pelo canto da boca e Poseidon interpreta como um sim. O barbudo e seus golfinhos levam Pélops para passear. Poseidon prometeu a ele: "Ai gato, você pode dirigir a carruagem divina, eu te ensino". E lá se foi Pélops. (música Holiday - Madonna)

Interpretação do mito de Pélops: Cu de cozido não tem dono.