4 de out de 2006

Nóinha


Seguindo a linha "sou mulézinha e admito":

Porque nós mulheres sempre ficamos neuróticas quando a questão é "sou suficientemente amada?". Sei lá, a gente é meio paranóica. Qualquer reação duvidosa do cara a gente já interpreta como "alguma coisa em mim ele deixou de gostar".

A gente se sente gorda, descabelada, chata, mal-compreendida. Aquela sensação de ficar cutucando o sujeito, como se batêssemos o indicador no ombro dele sem parar "ei, ei, ei, ei, está tudo bem né?".

Quando a gente diz "ai estou gorda" é porque queremos ouvir "não amor, você está ótima". É uma loucurinha, mas parece necessário. É charminho, beicinho, coisinha de mulher.

Queremos ter certeza. E nunca estamos satisfeitas.
Obviamente algumas têm um grau de auto-afirmação meio distorcido. Ficam doidas de pedra. Essas, meu amigo, não tem jeito: Não importa o que você faça ou responda, ela nunca estará satisfeita. Aí depende de quanto isso é válido para você.

Juro que existiu uma época que eu achava que isso era só comigo. Aí de repente comecei a ver um monte de menina fazendo as mesmas coisas, pensando as mesmas coisas. Tem umas que disfarçam bem. Mas a paranóia está lá.

Não sei se isso se dá porque somos eternas inseguras, mesmo quando lemos a Marie Claire e suas matérias über-girl-power. Somos inseguras mesmo sem pensar.

Uma mulher segura demais, será que se segura mesmo?

* o quadro que ilustra este post é do Munch. Chama-se "Cinzas".