21 de nov de 2006

Black than the blackest

Roda-Viva da cultura. Realmente eu não assisto este programa, principalmente por ser dominado por comunistinhas. Mas, vá lá: Ontem foi dia de você, eu e todo mundo olhar para a quantidade de melanina das pessoas como algo de que se orgulhar ou não. E lá estava Emanuel Araújo (que em muito me lembrou a Vera Verão) discutindo o papel do negro na sociedade como um todo, inserido no contexto da elite branca e da falta de identidade dos afro-americanos vindos do continente-mama África (que era mãe solteira) e isso e aquilo outro.

Eu seriamente pedi para meu namorado "não troque de canal, eu preciso ver isso", que logo me lançou um olhar de espanto e um certo nojinho. "Sarah só tem comunista nessa porra". Eu sei. Por minha conta e risco assisti 30 minutos daquilo. E apesar do Emanuel falar, e falar muito, e tentar dizer que "negro não se vê negro", "elite branca" e "desfavorecidos" algo naquele sujeito me incomodava. Veja bem ela era tudo o que ele pregava contra. Um artista plástico frustrado com a falta de atenção das galerias internacionais para suas obras, e uma acusação velada de que isso é "preconceito". Um sujeito que fala corretamente, teve berço, é inteligente (á sua maneira), conhece o mundo, não se pode dar ao luxo de vociferar algo assim (eu lembro do sentido das palavras, não da fala exata, portanto...):

"Lá em Pernambuco tem um resort, no meio dos pobres pretos passam bandejas de prata, com frutas, bebidas e pratos maravilhosos. Tudo para os brancos. É uma praia particular. Eu quero mais é que o povo vá lá e arranque essas bandejas de prata desses burgueses, jogue tudo pra cima, tome tudo de volta pra eles"


Sim, a maneira mais correta de se conquistar respeito é agindo feito um completo demente. Existem três alternativas para esta questão: ou você se revolta contra, ou se revolta a favor ou simplesmente manda todo mundo ir à merda.

Eu estou pensando se me revolto ou se puxo a descarga.

Meu irmão veio todo assustado me perguntar "outro dia o cara falou pretos na televisão, não é errado?”.

Não, não é errado. Preto é uma cor. Assim ó tem preto, branco, fúcsia, rosa, azul-cobalto, púrpura glacial... Cores. Então parem de encrencar com as caixinhas de giz-de-cera. Preto não é ofensa. Ofensa é "bandido".Ofensa é "mau caráter". Ofensa é "ignorante". Agora preto, é preto. Não é bom, não é ruim. Só é.

As pessoas se ofendem quando querem ovir ofensas, impressionante. "Não podem usar nós afros-descendentes como ponto de referência! Tipo, ali do lado daquela moça moreninha" (destaque para moreninha).

Me usam como ponto de referência o tempo todo. Eu não me sinto ofendida, principalmente quando meu cabelo mais parecia uma cópia barata da "Barbie viagem ao tanque de corante de salsichas". Agora ouço "ali do lado da loira".

Quem acha "moreninha" mais ou menos ofensivo que "loirinha" tem um sério problema mental: Falta de pensamento lógico.

Não existe história de "povo mais sofrido". Quem veio da senzala e tomou porrada? Seu avô? Bisavô? Tia distante? Pode ser.

Mas de repente, não mais que de repente, voltar ao passado e lembrar que em 55 a.C. Júlio César conquistou os Gauleses. Que sofreram, preciso dizer?.

Que Hitler apareceu por aí, e em 1942 estava matando criancinhas, judeus e gays e bem, matando todo mundo que ele julgava "impróprio". Isso, 1942 mesmo, muito depois dos negros africanos terem tomado uma coça dos safados europeus não é minha gente?

E quer algo ainda mais recente? Paul Pot em 1979 matou mais de três milhões de cambojanos, para impor seu comunismo. Para isso, suas vítimas eram pessoas com diploma, os malditos "intelectuais".

Sei lá, todo mundo tem uma ancestralidade cagada, de alguma maneira não respeito mais ou desrespeito o povo negro por ter sido escravizado. Curso da história. Que honestamente, já passou. Ninguém está forçando nenhum preto pelas ruas a lavar os pés da "burguesia", e se não fizer toma chibatadas. Não tenha orgulho da cor da sua pele simplesmente porque ela carrega algum significado minha gente!

Tenha orgulho de ser uma pessoa que tem consciência de si mesmo, antes de tudo.

Tá tudo muito errado com esse povo.