24 de jan de 2007

Então tá jóia

Pra não dizerem que eu , neste blog, somente condeno os pobristas, os hippies, os lulistas e os"istas" coitados do mundo por serem basicamente incompetentes, vamos abordar outro lado da moeda.

Eu passei ontem no mercado em torno das 22h. Eu moro ao lado de um mercado em um dos bairros "riquinhos" de São Paulo, apesar do meu apartamento ser simples e, ainda bem, baratinho. Ali, é possível encontrar entre as gôndolas recheadas de queijos importados e vinhos renomados, vários tipos de pessoas. É difícil ver gente simples ali, simplesmente fazendo compras. Vejo executivos enchendo os carrinhos com barras de cereais, frutas e vodka. Tiazinhas malhadas comprando leite de soja e queijo frescal. Casais com pacotes de chocolate e potes de sorvete Hägen Dasz. É um mercado caro, superfaturado, mas vá lá, tem produtos bons e é limpinho. - Só adicionando,outro dia fui ao Extra, e ao passar pelo corredor de bebidas o cheiro forte de urina me embrulhou o estômago. Seria a marca de um bebum mal-educado ou um monte de ratos com incontinência? O nojo, fica na mesma.

Bom, lá estava eu passando minhas comprinhas de última hora quando não pude deixar de notar duas mulheres na minha frente, na fila do caixa. Elas levavam 15 garrafas de Gatorade, 20 pacotes de chocolate, shampoo e desodorante. Uma delas usava uma bengala, mas não era velha, devia ter seus 40 anos. A cara da sujeita era semi-deformada pela ação do excesso de botox e plásticas repuxantes. A outra, bem , devia ser filha da Sra. Botulínica. O estranho não eram as compras, ou a bengala, ou a cara deformada. Elas estavam abarrotadas de jóias. Eram correntes e mais correntes grossas, douradas, diamantes cravejados no relógio, nos anéis, nos balagandãns do pescoço.

Tipo, euzinha aqui adoro diamantes, acho lindo, quero muito ter um anel solitário, um dia desses ou em um futuro distante. Afinal, é a estrutura perfeita do carbono. Mas sabe, fazer compras com tantas jóias penduradas em si mesmo não me parece natural. Aliás, em nenhuma situação isso seria natural. É meio em que uma overdose de babaquice. Típico rico que não sabe ser rico. Típico rico que acha que as coisas boas da vida se resumem em fazer compras. Seja em N.Y, São Paulo ou Tokyo, o mundo existe para que eles comprem bolas inúteis de diamantes e usem todas ao mesmo tempo. São pessoas absolutamente sem noção, não no aspecto de "ai tem gente passando fome" (porque esse não é meu problema) mas no aspecto de "pqp, ela anda com truçentas porcarias no pescoço para provar por a+b que é rica". É necessário? Isso é sinal de classe? É sinal de quê, eu me pergunto.

E respondo: É sinal de vulgaridade. Não há dinheiro ou diamante no mundo que dê classe para uma pessoa. Um diamante mais parece uma pedrinha de vidro no pescoço de alguém assim. Ela só se sente especial, importante e valorizada se estiver cercada de pedras ou metais preciosos. Porque se você tirar tudo dali, ela só vira mais uma mulherzinha ordinária, viciada em gatorade, chocolate e cirurgias estéticas. Nada diferente da Dona Raimunda que frequenta o armazém "Bom Jesus" na favela de Paraisópolis.