13 de abr de 2007

Faz falta

Certa vez vi uma entrevista com Paulo Francis em que ele dizia que pagar imposto no Brasil é o mesmo que fazer caridade. Corretíssimo.

Os sem-nada estão agitando seus barracos. Os sem-teto, os sem-camisa, os sem-comida, os sem-pinga, os sem-dente, os sem-bom senso. E eu pagando imposto. Eu pagando minhas contas. E eu acordando cedo pra trabalhar. Eu com medo de andar na rua sozinha depois no anoitecer. Eu sendo abordada por crianças enquanto como: “Tia, me dá um lanche?”. Todo mundo está pedindo alguma coisa. E eu vou pagando o pato.

Não dou dinheiro pra pedinte. Nunca, não compro bala de criança, não dou moeda pra pinga. Mas estou, mesmo indo contra minhas convicções, pagando para o Lulete encher os pedintes de trocados. Eles estão ganhando sem colaborar em nada para o país. E eu, sou obrigada a achar isso justo. Porque, ai de mim, destratar pobre coitado sem dente e sem teto.

Talvez eu deixe de pagar impostos. Talvez eu arranque meus dentes e encha minha cabeça de piolhos, faça 7 filhos com homens diferentes, tão sem dentes quanto eu. Talvez eu ache que assim, o governo está fazendo justiça pra mim. Porque até agora, eu só estou tomando um nabo bem grande.

Inventaram o bolsa-aluguel.


“Tia, me dá essa coca que você tá bebendo?”

Isso eu ouvi ontem de uma gordinha de rua (???), suja e descabelada, enquanto saía do restaurante. Ninguém tem vergonha de pedir neste país. As pessoas se acham no direito de receber caridade. E você é obrigado a ser caridoso. Porque quando disse “não, eu estou bebendo” as pessoas à minha volta olharam feio pra mim.