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11 de nov. de 2008

Povo metido

No site da Folha hoje:

Petulância.

Sabe o que é importante? Aquilo que o povo nunca esquece.



Brasil: ah, eterna negação de si mesmo.

28 de ago. de 2008

Riscando a lousa

No colegial eu aprendi que, mesmo estudando em uma escola particular, onde a maioria massiva dos alunos possuía muito dinheiro, os professores ensinavam que a elite era má. E os filhos da elite odiavam a elite. Apesar da gritante distorção de realidade, eu tentava manter minha mente um tanto fora desse abismo cultural que é a educação brasileira. Não era fácil. Penei até me formar. Hoje continuo penando. Porque o abismo se mantém. Não preciso procurar muito pra encontrar provas de que, para o brasileiro, o Brasil é o país das frutas mais doces, das pessoas mais calorosas e do céu mais azul.

Coisas lindas para um resort e nada eficiente para uma nação.

Aí que no portal UOL existe um serviço onde temas para redações são sugeridos e os jovens internautas enviam textos para serem avaliados por professores, que corrigem explicando os erros e acertos dos alunos. Coisas de vestibulando.

Li várias redações, todas com temas idênticos aos que fui submetida no colegial, há mais de 10 anos: Favelas, Pobreza, Desigualdade Social, Globalização. Trechos de dissertações baratas que busca agradar professores. Mas que no fim não fazem diferença alguma.

Sobre a cultura brasileira estar se perdendo com o IMPERIALISMO (palavra essa que eu falo arrotando feijoada) o adolescente discorre:

"Percebe-se que falta uma reação, uma vontade dos jovens de olhar pra trás e pensar em honrar aqueles tantos que lutaram e morreram em nome do Brasil, perceber quão sortudos são em terem nascido nesse país esplêndido, tão belo, tão acolhedor, que não tem terremotos ou vulcões, de natureza tão majestosa, tão simples, tão alegre."

Brasil... Tão alegre, tão inofensivo, tão cheio de pés de pitanga e sabiás. Realmente um paraíso na terra.

Outro aluno esbofeteia minha cara:

"Muitos são os jovens que desconhecem a música combatente do período ditatorial ou as produções plásticas no início do sec. XX. O meio mais eficaz para combater essa desvalorização nacional é a criação um sistema educacional forte e de qualidade."

Desconhecem a música combatente do período ditatorial? Você quer dizer aquela merda do Geraldo Vandré que meu professor de história me fez ouvir, debatar, encenar e cantar sessenta vezes?

Sobre nossa comida light e a comida engordativa capitalista:

"Um ótimo exemplo é os Fast-food, comida espelho de um mundo cada vez mais globalizado, que visa a obtenção de lucro. Muitas das pessoas que foram obrigadas a substituir a comida caseira por essas refeições"

O cara reclama de fast food. O sujeito que vende tapioca na rua visa o quê? Te dar azia? Acho que ele visa ganhar 4 reais - ah "maldita" obtenção de lucro!

Esse estudante fez meus intestinos explodirem:

Ficar sentado, assistindo TV e, apesar de cansado de ouvir todos os dias as mesmas notícias de corrupção e violência, permanecer indiferente a tudo isso não dignifica um herói. Por que não adotar o nacionalismo getulista e investir na melhoria do país?

NACIONALISMO GETULISTA?! Eu aqui querendo exorcizar Getúlio, sonhando com o dia que seu ectoplasma suma da constituição e esse MOLEQUE vem com essa? Getúlio herói!? Enrola ele em folha de banana e faz o puto voar pelos céus lançando ação trabalhista no seu rabo pra ver se é bom.

8 de jan. de 2008

Onde o Diabo perdeu as cuecas

Há m ano e meio atrás estive em Curitiba pela primeira vez e relatei minhas experiências na Twin Peaks brasileira em um post carinhosamente chamado de "o fim do sistema digestivo". O post ficou esquecido no tempo e espaço até que alguém encontrou, e bem, resolveu divulgá-lo até no Orfuck, na comunidade "Eu amo Curitiba". De repente o meu blog encheu com curitibanos violentos, revoltados, fazendo um vuco-vuco, me chamando de vadia para baixo. Incrível como pessoas vem tomar as dores de uma cidade inteira em cima de um post do blog. 


Voltei para Curitiba outras vezes, a família do meu namorado mora ali, e olhem vocês, ele mesmo é um ex-cidadão que também não admira em nada a capital do Paraná  e até fugiu. Sempre achei a cidade ruim, tenho meus motivos e são todos meus, continuo achando. Aí me aparecem aqui dizendo que eu sou pobre, nordestina (hã? o que tem a ver?), burra e bem, uma vadia. Gente de muita classe, sem dúvida.

Não sei se Curitiba merece tanto êxtase, mas enfim, queridos curitibanos, não sou eu quem vai destituir a cidade de vocês. Quem gosta, que fique satisfeito. Aliás conheço uma porção de curitibanos, gente finíssima que eu gosto e admiro muito. Mas isso não faz nem fará eu achar a cidade bacana. Eu gosto das pessoas, independente do lugar de onde elas vêm.

Eu andei muito em Curitiba na última vez que fui, até alugamos um carro. Passei em quase toda a cidade, de bairros chiques a bairros pobres, centro, pontos turisticos, shoppings, e toda a pataquada. Quis ter uma idéia melhor do lugar. A cidade pra mim, continua chata.

Meu namorado até tentou me animar quando estive lá. Me levou na doceria mais famosa de Curitiba, onde fazem lindos doces espanhóis. Eu fiquei contente e a torta que comi estava muito boa, tirei fotos do lugar, que é antigo, todo em madeira. Minha tristeza foi ao chegar no caixa para pagar a conta e ver pequeninas baratas passeando pelo balcão sobre as rosquinhas açucaradas. Desisti.

Nasci em uma cidade do interior paulista chamada Ribeirão Preto, que acho feia, caipira, quente e muito sem graça. Mas conheço gente que acha linda. E daí? Tenho grandes amigos lá, minha família, cresci naquela terra, vivi muita história e mesmo assim, a cidade aos meus olhos, é feia. Pergunto novamente: E daí? Eu saí de lá e fui viver em São Paulo. Agora, eu acho São Paulo maravilhosa e perfeita? Não. Mas esta cidade tem algo que me encanta e estou feliz. Não preciso de mais nada.

Não gostar de um lugar não faz de mim burra muito menos vadia. Julgamentos de baixo calão, aliás, baseados em pura falta de respeito à individualidade.


Ainda bem que eu sei que nem todos curitibanos são assim. 
Tanto que meu namorado veio de lá. Agradeço que ele tenha achado a cidade tão ruim quanto eu, senão eu nunca o teria conhecido.

Close da Fonte da Memória, mais conhecida como "O Cavalo Vomitão". A água da fonte jorra da boca dele, é nojento. Eu tenho uma foto em que estou sentada ao lado desta linda obra. 


31 de out. de 2007

Eu tenho medo é do nacionalismo

Retirado do site da SOSACI - Sociedade de Observadores de Sacis: Um abaixo assinado para instutuir o dia do Saci :

"Por que “raloins”, duendes e gnomos? Nós, brasileiros, temos nossos próprios mitos, que não ficam nada a dever a esses importados, comerciais, que são usados para anestesiar a auto-estima do nosso povo(...)Por isso, nós, abaixo-assinados, solicitamos ao ministro da Cultura, Gilberto Gil, que abrace esta causa de valorização da cultura popular brasileira, instituindo o 31 de outubro como “Dia do Saci e seus amigos”

31 de outubro é o Halloween. Uma festa "internacional" que mistura várias culturas e lendas de horror do mundo europeu. É comemorada principalmente nos Estados Unidos, e provém de um festival pagão antiquissimo celta, chamado Samhein. De acordo com a cultura celta, este dia é especial porque é quando os humanos conseguem se comunicar com o mundo dos mortos - e rituais de magia, portanto, ficam mais fortes.

Desta data, veio o feriado cristão "Finados", que tem por característica, relembrar os mortos.

Há um sentido natural, a morte no caso, nessa adaptação.

Agora vejamos.

O Saci, em descrição do livro "Folclore Nacional" de Alceu Maynard Araújo:

"Conhecemos três espécies de Saci: trique, saçurá e pererê. O Saci mais encontrado por aqui é o Saci-pererê. É um negrinho de uma perna só, capuz vermelho na cabeça e que, segundo alguns, usa cachimbo, mas eu nunca vi. É comum ouvir-se no mato um “trique”isso é sinal que por ali deve estar um Saci-trique. Ele não é maldoso; gosta só de fazer certas brincadeiras como, por exemplo, amarrar o rabo de animais. O saçurá é um negrinho de olhos vermelhos; o trique é moreninho e com uma perna só; o pererê é um pretinho que, quando quer se esconder, vira um corrupio de vento e desaparece no espaço. Para se apanhar o pererê, atira-se um rosário sobre o corrupio de vento".

Então a tal associação SOSACI quer envolver um "negrinho/moreninho/pretinho/pequeno afro-americano" de uma perna só em uma festa que pretende, relembrar os mortos e brincar, de certa forma, com o medo da morte?

Vejamos. Halloween é uma mistura de idéias que envolve a morte e o medo de morrer como uma coisa que devemos lembrar. O "Dia de los muertos" no méxico tem exatamente o mesmo papel, só que usa elementos diferentes, principalmente as famosas caveiras, para representar "o outro lado". É uma festa bem mexicana, mas a idéia de celebrar os mortos para reforçar a vida não é nacionalista.

Eu não tenho nada contra o boitatá, saci, o curupira, enfim. Deixem os bichos lá nas matas assustando os capiau. Só que eles não tem absolutamente NADA a ver com a idéia primária que o Halloween quer passar. Não são monstros ou criaturas que envolvem a morte. Não precisam enfiar o saci goela abaixo dos brasileiros, com esse nacionalismo inútil e "exótico". Não precisamos ser "exóticos" para sermos brasileiros.

O saci é só um moleque que corre no mato e dá nó em rabo de cavalo. O que ela faz na cidade? Dá nó em escapamento e foge da PM? (com aquele cachimbo, é suspeito de porte de entorpecente). Nós precisamos de uma figura para nos identificar com o mundo dos mortos e isso não é papel de nenhum saci ou curupira.


O que precisamos entender Halloween não tem "ícones imperialistas" e "importados". A abóbora só simboliza a festa porque nascia na determinada época do ano. As bruxas, monstros em geral, não
são necessariamente "americanos", se você olhar, eles vêm do mundo todo. Zumbis, fantasmas, vampiros, múmias, lobisomens, maldições, feitiços, macumbas (quer nacionalizar?Macumba dá medo!), espíritos, brincadeira do copo... São coisas assustadoras que existem espalhadas pelo planeta, absorvidas pelo tempo e incorporadas a uma festa.

Para a festa dos mortos vale relembrar o fantasma do escravo que morreu açoitado na praça no século retrasado, a loira do banheiro, o espírito da menina degolada que aparece na faculdade. Histórias de assombrações fantasmagóricas que existem em todas as cidades do mundo, e não somente nos EUA, entenderam queridos nacionalistas do SOSACI?

Na data, vale o simples troçar da morte. Um dia que não a tememos, mas brincamos com ela.

Desculpe Sacis. Vocês vieram pra festa errada.


Quer um dos nossos pra festa? Eu prefiro convidar a Criatura da Lagoa Negra, um monstro brasileiro, vindo direto da Amazônia. Na boa? Muito mais legal que isso:

CORRAM CRIANÇAS, O SACI ESTÁ VINDO COM SUA PERNINHA SALTITANTE PRONTO PARA... JOGAR VENTO EM VOCÊ!

TENHAM MUITO MEDO!

10 de ago. de 2007

Estafa

Vieram me perguntar do "Cansei". O quê eu acho deste movimento de fazer cara de chuchu e dizer "cansei de tanta corrupção" e coisa e tal.

Vou dizer uma coisa. Movimentos do tipo Sou da Paz, Cansei e derivados no fundo não me dizem nada. Direi por quê: O Cansei se diz sem contrariedades políticas. Ou seja, você diz que está cansado da corrupção no governo e não DO governo.

Amores, a situação é bem simples. Não adianta fazer sinal de pombinha com as mãos e nem dizer "canfei". Por um simples motivo: Se você cansa de um tipo de política você precisa apoiar a oposição ou surgir com algo melhor. Sabe o que acontece nesse país? Ninguém aponta o dedo de verdade para um partido e fala "vocês são uns merdas". Aqui neste país a tão temida direita não existe. Ela não faz diferença. Não há contrariedade de idéias com a esquerda. Planos de governo são iguais para os PMDBistas e PTistas. Só mudam os nomes e as cores.

Se você diz "cansei de corrupção" é porque você afirma que o governo é corrupto. Seja ele qual for. Mas como mudar o governo? Fazendo sinal de pombinha e levantando cartazes escritos "cansei"?

Não.

Para mudar algo de verdade é preciso que pessoas cansadas dessa realidade tenham consciência política séria. As pessoas temem política em geral. Eu mesma temi durante muito tempo, achava um porre. Mas para ser coerente com minha convicções, vi que política é fundamental.

O que são partidos, opiniões? Como e quem são as pessoas que fazem as leis neste país? Pra onde vai a caralhada de imposto que eu pago? Porquê o Renan Calheiros não senta em um nabo?

São tantas perguntas que acabam ficando sem resposta por falta de interesse. Você está cansado, uau, parabéns. Estamos todos cansados. O Brasil é um país tão cansado que o povo tem preguiça de pensar antes de votar.

Nunca vou me esquecer do escândalo do "eu não sabia" do fim da última eleição. Nosso atual presidente teve seu assessor envolvido em um clime eleitoral digno de cancelamento das eleições. Mas ninguém viu, ninguém vê. Corrupção não é perdoável, mas assim, de repente, ficou sendo. Ninguém sabe votar. Ninguém quer votar. Ninguém quer discutir política sem torcer o nariz. Mas todo mundo sabe colocar a culpa nos políticos.

Olha meu bem, cê tá cansado?

Aprenda a votar, entenda moral, ética e civilidade. Entenda um pouquinho de política também. Assista TV senado e chore um pouco. Sinta raiva sim, chame todos de uns merdas. Mas saiba sugerir novos planos, saiba discutir soluções reais e POLÍTICAS e não com festinha, passeata e cartaz de cartolina. Do contrário, de nada adianta.

Se não quer entender política, fica cansado aí no seu canto e não me encha o saco fazendo sinal de pombinha.

CANSEI DE SER MILITAR, VOU VIRAR UMA FLOR!

19 de jun. de 2007

Bah, meh procê

Se tem uma coisa panaca neste mundo é Teoria de Conspiração.

"Foi a Coca-Cola quem explodiu as Torres Gêmeas"

"Os americanos inventaram a Aids para dizimar os homossexuais"

"O Programa espacial Russo era muito superior aos dos EUA, mas foi boicotado por judeus"

"Hitler era o filho bastardo de um banqueiro alemão, e hoje este banco é dono de metade do mundo"

Tipo, give me a fucking break. Meu irmão agora está nessa. Leu mil teorias sobre os Iluminatti, sobre os monstros e super-vilões capitalistas yankees dispostos a explodir o mundo. Sociedades secretas, silos nucleares enterrados em terras longínquas. Coisas que a massa jamais poderá conceber. Ele ri da minha cara e me chama de alienada quando dou um trago no cigarro e falo "tu tá virando um panaca". Tá virando panaca. Vejo a pessoa que elabora essas idéias como uma baguá bitolado que faz associações imbecis, lê por entrelinhas que não existem e pá, "olha só, minha teoria vai mudar o mundo". Vá sentar em espetinho de churrasco!

E o vilão? O vilão, rárá, nunca muda meu povo. É ele, o maldito EUA, malditos capitalistas, malditos banqueiros, malditos ricos, maldita elite branca, malditas pessoas que só querem poder e fortuna! MATE OS CAPITALISTAS? É isso que você quer de mim?

E quando os EUA aparecem na história, seja pra salvar o traseiro de laguém ao melhor estilo Rambo, oh, lá vem: Os EUA só entraram na guerra quando a água bateu na bunda deles , oh yeah! E daí. Eles estão errados? Desde quando é errado ir a favor de seus interesses? O mundo inteiro faz isso.

Mas quando os comunistinhas fizeram isso pelo mundo, ah pega tão melhor. Comunista pode matar gente em Cuba, na Russia, na Alemanha Oriental e na China. Pode matar,escurraçar, destroçar porque "capitalista fiadaputa tem que morrer". Matam por interesse, mas ah, a filosofia deles é tão mais bonita. É pura e defende o povo. O povo. Em nome do povo Hitler fez o que fez. Ele tinha uma filosofia para salvar o povo dele. Era nojenta, podre e criminosa, mas era pelo povo. Era honestamente pelo povo. E naquele momento, os alemães levaram a idéia pra frente, não porque Hitler fazia belos discursos, mas porque eles precisavam de tudo aquilo. E se foderam.

Aí ontem meu irmão me vem:

-O programa espacial Russo estava muito à frente dos EUA, eles faziam coisas muito mais avançadas antes dos americanos!

Eu, calmamente dei um gole na cerveja e disse:

- Ah é? Então porque você não compra um Lada? É o melhor carro do mundo, não sabia? Carrão.

***************

O Noam Chomsky pode beijar meu traseiro agora.

8 de jun. de 2007

Mitologia Urbana Vol I - Cap. XVI: A Bichinha Pobre

Nas cidades brasileiras existem famosas figuras míticas, que não são o Boitatá nem o Curupira também não aparecem nas histórias do Monteiro "preciso urgente de uma pinça" Lobato, mas surgem constantemente nos contos de mesa de bar. Alguns são engraçados, outros, obscuros e assustadores. Podemos citar aí o famoso taxista malufista, o tio de bigode do balcão de padaria suja, o doido/mendigo nouvelle vague da rua e a velha que junta lixo em casa e mora com 58 gatos sarnentos. Sim, estas figuras estão em todas as cidades, fazendo parte do colorido folclore urbano.

Estou aqui, às vésperas da parada gay, mais especificamente para explicar esta personagem que figura um papel alegre, saltitante e quiçá bizarro pelas ruas, shoppings e salões de cabeleireiros do bairro: A Bichinha Pobre.

A Bichinha Pobre é uma criatura sofrida. Ela tem uma vida difícil no subúrbio, criada pela avó em uma casa de dois cômodos. A Bichinha Pobre tem sonhos. Sonhos de amor, sucesso e brilho. Tudo o que a Bichinha Pobre quer é brilhar nessa vida.
Ela faz curso de tinturista/cabeleireiro na Embellezze e sabe que na vida é preciso dar duro para alcançar seus sonhos. A trilha sonora da Bichinha Pobre é composta por Britney Spears (momento brilho), Calypso (momento "pra dançar ") e Maria Bethânia (momento quero um amor sincero), que ela ouve no cd player britânia em seu quarto, abraçada com seu coelhinho de pelúcia, comprado no semáforo.

A Bichinha Pobre se monta, lógico. Ela quer mostrar a que veio no mundo. Blusinha baby look mostrando a barriga, calça "stréxi" cós baixo, tênis multi-colorido de camelô. Em sua camiseta justa, a Bichinha Pobre leva no peito dizeres como "Glam Girl", "Sweet Love" e "Beach Surf Baby" compradas na lojinha do calçadão. Boné "Van Dach" na cabeça, pulseirinhas coloridas no braço. Também se cuida, lógico. Banhos de creme no cabelo repleto de reflexos loiros, com o pote de 5 quilos de "Coquetel de Frutas". O perfume é um genérico de Azarro ou Hugo Boss, que se chama Arrazo ou Huigo Goss, "mas a embalagem é igualzinha! O cheiro tamém!".
Bichinha pobre saltita, não anda. Pelos corredores dos shoppings, rebola "moito" enquanto olha as vitrines e sonha "um dia vou comprar tudo isso aqui ó!". Vai ao cinema "Ai, Brédi Piti é tudo de bom!". Bichinha pobre adora tirar fotos, faz pose com a mãozinha no rosto, lânguida e pura. Ou sabe ser sensual, mostrando seu traseiro e fazendo cara de "loosho e poder" e retocando o gloss.

A língua presa e a voz esganiçada não impedem a Bichinha Pobre de contar seus "causos" no salão. Inicia suas histórias com "ai bein cê num sabe". Envolvendo vizinhas barraqueiras, frentistas de posto e um paquera do forró, a Bichinha revela sua vida entre uma escova e um secador de cabelo.
Movimentos femininos exagerados, mãozinha mole que sempre acaba na cintura.
Bichinha tem um amor não correspondido por um homem superlativo "Carlão" "Zezão" "Marcão". Gosta de homens másculos e grandes, que não dão atenção a ela, por mais que passe na frente do bar se chacoalhando toda. E Bichinha pensa "não sabe o que tá perdendo".

Mas Bichinha Pobre nasceu para brilhar. E brilha como porpurina rosa choque. Domingo, as ruas de São Paulo estarão cheias delas. Saltitando com as blusas multicoloridas, com o gloss nos lábios, cheirando a perfume barato, abraçando todo mundo, tirando mil fotos, dançando sem parar pendurada no cangote de um "gringo".

Domingo, o dia é delas. Essas figurinhas sapecas merecem a homenagem.


Bichinha Pobre solta na natureza.



5 de jun. de 2007

Na betoneira

Lá está você, mocinha, a caminho do trabalho. banho tomado, lindinha e cheirosa. Caminhando pelas calçadas nojentas, pulando os presentes que os cachorros deixam pelo chão, desviando de sacos de lixo fedorentos. O dia está ensolarado, shiny happy people. Eis que você passa pela "obra". Lá estão eles. Os pedreiros. Os homens dos tijolos, pás, cal e cimento. A maioria não tem dentes. Eles olham para você, para seu cabelo, pra suas intimidades. Você sabe que algum deles vai dizer alguma coisa. Ou todos. É assim, uma regra inquebrantável do universo, como o som não se propaga no vácuo, um pedreiro há de falar alguma coisa para você. Mas, se não mais que de repente, ao invés de você simplesmente passar reto sentindo-se ofendida ou dando risada sozinha (alguns pedreiros têm senso de humor aguçado), imagine outras situações.

E se... Versão: O pedreiro galanteador.


Mostrando quem manda no babado.

O pedreiro, mexendo no cimento, no meio da calçada, desfere:

- Ô coisa gostosa!

Você calmamente pára. Vira-se. Pega um pedaço de madeira, acerta na cabeça dele ferozmente, que cai sobre o cimento mole. Dá mais uma paulada nos rins do infeliz, que geme, com a boca cheia de cal. Liga a betoneira, e despeja 38 quilos de cimento em cima do trabalhador da construção civil. Dando uma risada maléfica, chacoalha o pedaço de madeira no ar enquanto diz para os outros pedreiros, catatônicos:

- Quem aqui vai me encher agora? Alguém? Hã? ALGUÉM?

Quem diria?

O pedreiro, levando uma carriola, diz:

- O benzinho, coisa mais linda, que dilícia!

Você pára. Vira-se. Sorri:

- Oi! Você me acha uma delícia?

- Há?

- Ué, não estava falando comigo?

- Tava...

- Então! Eu sou uma delícia e meu nome é Marina! Qual é o seu?

- Josenildo.

- Josenildo! Posso te chamar de Nildinho?

- Há, fica à vontade moça!

- Nildinho, adoro pedreiros, acho todos muito másculos.

- Eita!

- Olha, a gente pode ir ali no carrinho de tapioca conversar um pouco melhor, se conhecer...

- Opa, tamos aí!

- Ótimo. Podemos ir de mãos dadas?

Dá um beijinho na bochecha do sujeito, enquanto passa a mão no peito dele, sensualmente, lambendo os beiços.

Meu papel na sociedade.

O pedreiro quebra um pedaço da parede com uma marreta. Enquanto você passa ele pára. Seca seu traseiro descaradamente e diz:

- Hmmmm, coisa boaaaaaa!

Você olha para ele firmemente e fala:

- Você me ofende com esse comentário de forte cunho sexual. Não acho correto manter essa atitude com indivíduos que o senhor não conhece e que não lhe deram a liberdade para tal. Me respeite, faça o favor.

O pedreiro caminha em sua direção, tira o capacete alaranjado, olha em seus olhos, enquanto explica calmo e sereno:

- Minha senhora. Eu, enquanto trabalhador terceirizado, posso ser considerado profissional liberal. Meu ambiente de trabalho, portanto, abrange este terreno sobre o qual pisamos agora. Mesmo estando teoricamente em um espaço público, eu como pedreiro e você como passante, mantemos uma conduta lógica quanto aos comportamentos de praxe. A senhora pode, assim, me dizer que é advogada, que dentro de sua carreira, segue uma série de comportamentos comuns aos advogados. Entenda assim que eu sigo o comportamento esperado de um pedreiro. Eu assento uma parede, derrubo um muro, faço cimento, e no meio tempo, digo impropérios às moças passantes. Na verdade, não estou fazendo isso com o intuito de ofendê-la, e sei que nenhuma das mulheres que eu elogio, por assim dizer, responderão às minhas investidas de cunho sexual. É uma seqüência de fatos que se resumem em costumes rotineiros que passam desapercebidos dentro da realidade social das grandes cidades.

O pedreiro dá meia-volta, pega a marreta e continua a quebrar a parede, enquanto você liga para seu psiquiatra agendando uma consulta de emergência.


Elaiá, laiá laiáaaa. Ô princesa, vem cá, tô construindo teu castelo!

13 de abr. de 2007

Faz falta

Certa vez vi uma entrevista com Paulo Francis em que ele dizia que pagar imposto no Brasil é o mesmo que fazer caridade. Corretíssimo.

Os sem-nada estão agitando seus barracos. Os sem-teto, os sem-camisa, os sem-comida, os sem-pinga, os sem-dente, os sem-bom senso. E eu pagando imposto. Eu pagando minhas contas. E eu acordando cedo pra trabalhar. Eu com medo de andar na rua sozinha depois no anoitecer. Eu sendo abordada por crianças enquanto como: “Tia, me dá um lanche?”. Todo mundo está pedindo alguma coisa. E eu vou pagando o pato.

Não dou dinheiro pra pedinte. Nunca, não compro bala de criança, não dou moeda pra pinga. Mas estou, mesmo indo contra minhas convicções, pagando para o Lulete encher os pedintes de trocados. Eles estão ganhando sem colaborar em nada para o país. E eu, sou obrigada a achar isso justo. Porque, ai de mim, destratar pobre coitado sem dente e sem teto.

Talvez eu deixe de pagar impostos. Talvez eu arranque meus dentes e encha minha cabeça de piolhos, faça 7 filhos com homens diferentes, tão sem dentes quanto eu. Talvez eu ache que assim, o governo está fazendo justiça pra mim. Porque até agora, eu só estou tomando um nabo bem grande.

Inventaram o bolsa-aluguel.


“Tia, me dá essa coca que você tá bebendo?”

Isso eu ouvi ontem de uma gordinha de rua (???), suja e descabelada, enquanto saía do restaurante. Ninguém tem vergonha de pedir neste país. As pessoas se acham no direito de receber caridade. E você é obrigado a ser caridoso. Porque quando disse “não, eu estou bebendo” as pessoas à minha volta olharam feio pra mim.

5 de fev. de 2007

Norma, a macumbeira

Eu não tenho programação a cabo, portanto capto com uma anteninha em cima do televisor os mais diversos canais, onde 80% deles são evangélicos e os outros 17% são de vendas. Os outros 3% São a Globo, a Record e o SBT.

Tenho também o vício estranho de assistir canais evangélicos. Talvez como uma tortura, mas eu prefiro chamar isso de "pesquisa de campo". Além disso, não duvide, é possível dar grandes risadas de toda pataquada "em nome de Jesus, você poderia me entregar seu dinheiro?". E as simulações, os discursos, os testemunhos, as entrevistas, as cantorias... É uma infinidade de cenas ridículas que, por Deus (olha o trocadilho), são fantásticas!

Minhas favoritas são as simulações de "casos reais" da Universal. São episódios de 5 minutos encenados por pessoas que poderiam ser qualquer coisa na vida, menos atores. Os cenários são improvisados, e uma mesma sala se transforma em quarto, escritório e terreiro de macumba. A linha é sempre a igual: Tudo está bem com a família, mas de repente alguém fica com um encosto e a doença, vira prostituta, traficante, as dores de cabeça e visões de vultos começam a aparecer. Todo mundo está com encosto. É a mandinga, a macumba, o feitiço meu bein. Tu tá amarrado!

Pois lá estava eu, entretida com os encostos, quando aparece a figura mítica: a macumbeira. Sim, a mesma macumbeira fez feitiço em 2 episódios seguidos! Vamos aos roteiros deles:

Episódio 1: Ela fode com meu marido e eu é que fico doente

Lá está o casal. Uma criança gordinha brinca na sala com o papai, que a abraça e repete "te amo minha filha". A criança não está à vontade, mas lança "te amo papai" enquanto olha pro chão. Aí entra a boa esposa, sorrindo, e dizendo como a família deles é feliz. Aí, sai a criança de cena. A esposa diz:"Adriano, tudo na nossa vida é perfeito, você só precisa parar de falar com aquela mulher". Adriano, acuado, diz que vai terminar tudo com a amante. A esposa o abraça e diz "eu te amo". Adriano encontra Norma, a macumbeira e amante no bar. Tomam uma coca-cola. Norma pede um beijinho. Adriano diz que não dá mais. Grita "Eu amo minha esposa!". Norma, inconformada "você não pode me usar e me jogar fora assim! Vou acabar com tua vida". Adriano sai da mesa. Close no rosto de Norma, que entorta as sobrancelhas até sua cara se deformar, em uma feição satânica:" Adriano, você me paga. Isso não vai ficar assim". Adriano chega em casa. Sua boa esposa está caída no sofá, enrolada em um lençol branco, com a mesma roupa que usava no começo do episódio. "Me ajuda Adriano, eu estou mal". A criança grita "mamãe!". Adriano chama a ambulância. A boa esposa pegou uma mandinga forte. Os médicos estão desacreditados. Adriano põe as mãos na cabeça, desesperado "Ai meu Deus, e agora?O que está acontecendo? Ela sempre foi saudável e de repente fica doente? Meu Deeeeeeeeus". Fim.

Pastores entram em cena e discutem o poder dos feitiços, das mulheres raivosas e dos esposos que comem fora de casa. Convocam as "minhas senhoras" de todo Brasil pra tomarem uma "reza forte" e se banharem com as águas do Rio Jordão, que milagrosamente estarão disponíveis nesta segunda feira na Sessão do Descarrego.

Episódio 2: A Cueca do destino

Outro casal super-feliz está tomando café da manhã:
“Ai Eduardo, a gente é tão feliz né? Todo mundo comenta como nosso casamento é perfeito. A gente não briga nunca, tudo é tão bom, tão certo” E Eduardo diz, ao passar manteiga no pão “É sim meu amor, eu te amo”. “Então a Norma perdeu o namorado semana passada. Também, só se envolve com homem casado” diz a esposa, comendo uma bolacha maisena. Eduardo é complacente “Ela só não encontrou a pessoa certa, assim como eu encontrei você. Eu te amo”. “Eu também te amo meu amor!” declara a boa esposa, ao dar uma golada no suco. A campainha toca. “É a Norma! Ela veio me ajudar a fazer faxina!” diz a esposa, que corre para abrir a porta. Norma, a mulher das mandinga, entra com olhar de inveja: “Olha só, como vai o casal mais feliz e perfeito do mundo?” . O casal responde sorrindo “que está tudo ótimo!”. Eduardo sai para trabalhar, dá um beijo na esposa e repete, pela nonagésima vez “Eu te amo”. A esposa chama Norma, a macumbeira, para ajudar a limpar o quarto. No quarto, existem várias prateleiras com bichinhos de pelúcia, um Snoopy e um boneco do Buzz-Lightyear. Uma decoração estranha, seria o quarto de uma criança adaptado para o episódio? Mas a decoração não vem ao caso. O caso vem agora: Norma vai arrumar a cama e diz “Nossa que bagunça”. A boa esposa diz “Eduardo é bagunceiro mesmo, mas é um ótimo marido, eu amo ele demais.” Norma sorri com cara de cooo.
A boa esposa sai. Norma fuça nas coisas em cima da cama. Encontra a cueca de Eduardo. Dá uma cheirada. Fecha os olhos. Continua cheirando. Depois abre os olhos “Eduardo, você vai ser meu. Vou acabar com a alegria dessa casa”, e cheira a cuequinha mais uma vez. Mais tarde, Eduardo está deitado na cama com a esposa. Ela faz carinho nele. Eduardo surta “Tire as mãos de mim! Eu não quero que você encoste em mim!”. A esposa, assustada e carente chora: “O que está acontecendo? Você está estranho, tem me evitado, o que foi?”. “Eu tenho nojo de você, as sua voz, do seu cheiro, de tudo! Eu não agüento mais!”, grita Eduardo enquanto sai do quarto. A esposa coloca as mãos na cabeça, desesperada “Ai meu Deus, o que está acontecendo? Porque ele ficou assim comigo? Meu Deuuuuuuuus!”. Fim.


Norma, a macumbeira, cheirando cueca.

Os pastores aparecem novamente, discutem que o diabo age na vida das pessoas, por inveja. “Pois é pastor Hamilton, o encosto entra na vida da pessoa, e de uma hora pra outra tudo começa a dar errado. O marido muda com a esposa de repente, não agüenta mais ficar perto dela.” Por isso minha senhora, você que está desesperada, com um filho viciado, uma filha rebelde e prostituída, um marido que fugiu com a amante macumbeira cheiradora de cuecas, venha tirar o mal de você, venha para a sessão do descarrego com as água do Rio Jordão.

31 de jan. de 2007

Fauna e Flora Urbana

Quando eu morava em minha cidade Natal, ia trabalhar todos os dias de carro. Aqui na capital, não tenho carro, moto e nem patinete. Vou de ônibus. Aprender a andar de ônibus não é difícil, o problema é entender as regras de etiqueta do transporte público. E, elas existem?

Nunca vi, portanto, vamos a algumas que eu elaborei ontem, enquanto era encoxada por 3 senhores nada respeitáveis, aspirando o suor do sovaco alheio.

1- No ponto: Ainda no ponto é preciso ter comportamento adequado. Se existem cadeirinhas, favor não ocupá-las com um monte de sacolinhas carregadas de potinhos com feijão, sacolas de feira ou sacolões cheios de cortinas pra lavar. Pacotes não têm bunda, portanto, não precisam sentar-se.

2- Entrando no veículo: Sem correria. Aos homens, favor não ficarem olhando para os traseiros das moças e já escolhendo quem vai encoxar lá dentro. Às senhoras, cuidado com suas trezentas sacolinhas. Aos estudantes, mochilada na cara dos outros não é bacana.

3 - Na fila: Por favor, fiquem com o dinheiro ou o cartão à mão. Procurar moedinha de cinco centavos nu fundo da bolsa, não pode. Principalemnte se houver uma fila com 19 tiazinhas da sacola logo atrás de você, fazendo a mesma coisa. É sacolada e bolsada pra tudo que é lado.

4 - Catraca: Não tente passar junto com as sacolinhas ou mochilas. Uma coisa por vez senão a catraca emperra, e nós ficaremos presos para sempre no universo paralelo das sacolinhas do carrefour repletas de tupperware. Com feijão dentro.

5 - Ao sentar-se: As cadeiras reservadas têm esse nome porque se reservam à pessoas em condições específicas. Não adianta enfiar a sacola debaixo da blusa e dizer que está grávida, ou começar a mancar. Procure não sentar no corredor sendo que a cadeira ao seu lado está vaga. É um porre pedir licença pra um tiozão de bigode e regata, e ser obrigada a passar o traseiro a 20 cm da cara dele só para acomodar-se.

6 - Em pé: A técnica é evitar ao máximo qualquer contato físico com os outros usuários. Atenção aos seus braços, mãos, sacolas e afins. Tente não ficar de pé em frente à catraca, emperrando a enxurrada de pessoas com mais sacolinhas querendo adentrar, ou em pé na frente da porta de saída. É perigoso. Aliás, se você insiste em ficar na frente da saída sendo que não vai sair, é melhor que caia no asfalto mesmo.

7 - Braços levantados: Se você é homem, cuidado se estiver usando camiseta cavada. Ninguém é obrigado a apreciar os pêlos que saem desvairadamente debaixo de suas axilas. É nojento. Aliás, se você é homem, esqueça que existe esse tipo de vestuário no mundo. Agora se você é mulher e tem pêlos desvairados embaixo das axilas, compre uma gilete. Ou se jogue embaixo do ônibus quando ele passar. Já o uso de substâncias desodorantes é mais que obrigatório. É pelo bem geral da humanidade. Ônibus já polui o ar, agora imagina um ônibus catinguento.

8 - Conversas: Fale sobre o tempo, sobre o trabalho, sobre a novela. Não fale da sua vida pessoal, ou se gabe de quem comeu (ou deu) ontem à noite. Esqueça assuntos polêmicos como “A Claudinha tinha que abortar” ou "a Bispa Sônia merecia apodrecer na cadeia". As senhoras com as sacolinhas podem te atacar. Não fale sobre seu cunhado que está na cadeia, ou do furúnculo que apareceu no seu dedão. Muito menos mostre o furúnculo. Ao celular então, papo rápido. Tentar convencer a Vincislaine a sair com você dentro da linha Caxambó-Igarapé lotada não é uma boa pedida.

9 – Leitura: “Brasileirinhas Safadinhas” não é material para leitura em transporte público. E seja qual for a sua leitura, não leia em voz alta. Nem a Bíblia. (muito menos).

10 – Comportamento para com os outros: Não peça desculpa pelo incômodo que está causando a nossa viagem, mas é que você tem 6 filhos e está desempregado, precisa comprar remédios para seu furúnculo (mostrando o furúnculo), sua sogra mora com você e o cachorro pegou sarna e que Deus nos abençoe com qualquer contribuição que pudermos dar.

Seguindo essas dez regrinhas básicas, a convivência dentro de um espaço tão ameaçador como o busão torna-se aceitável, e não remete a um local propício para a prática de estudos antropológicos de civilizações primitivas.

29 de jan. de 2007

The Welfare

Quem vive de "welfare" nos EUA geralmente é ridicularizado. É tido como vagabundo, pessoa que não quer trabalhar. Não é levado a sério e sua opinião como cidadão é quase inválida.
É o governo se colocando responsável (e por consequência você também, contribuinte) por pessoas que não conseguem se sustentar.

A Welfare lá é nosso Bolsa-Família aqui. Só que diferente de lá, o Brasil não olha para essas pessoas, que literalmente são sustentadas pelo governo, como algo que atrasa o país. Pelo contrário, o Lula mostra seu bolsa-família como uma revolução social.
Recentemente vi uma matéria no Jornal da Globo, sobre mulheres no interior Bahia que literalmente viravam "fábricas de filhos" para ganhar seguro-maternidade. São 4 salários mínimos.

Seguro maternidade funciona para pessoas empregadas que tiram um período de licença para cuidar do bebê. Só que estas mulheres não trabalham, simplesmente são registradas como "trabalhadoras rurais" em uma região improdutiva. Ou seja, o governo joga dinheiro na mão de mendigo como se isso resolvesse o problema. Só que elas fazem filhos, para que a fonte não se esgote. Então, uma mulher que aparece na tela, segurando um bebê, com outro na barriga e mais sete (isso, sete) filhos em volta dela, não é de surpreender. E diz "foi com o dinheiro desses aqui que eu construí essa casa, ainda falta pegar o seguro desse que tá no meu colo e o da barriga".

Aí, filmam a casa dela. Espantoso: Tem dois quartos, um espaçoso e um menor. Os dois tem uma cama de casal. Só que pasmem: todas as oito crianças dormem um quarto (o menor), juntas, na mesma cama. Enquanto os pais, ficam sós no quarto ao lado, para continuarem a funhanhar e fazer o ganha-pão. São crianças que vão crescer, virar alguma coisa? Não, elas vão crescer, se multiplicar como os pais fizeram. Aí o índice de miséria aumenta. E lá vão os "pobristas" jogarem mais dinheiro na mão dos pobres.

"Me dá um reáu?"