25 de jun de 2007

Um lençol e dois furos

Fantasmas. Todo mundo tem alguma história ou conhece alguém que conhecia alguém que viu alguma coisa estranha. Os mortos que não querem aceitar a morte, não caminham em direção à luz, pimba, ficam presos aqui nesse mundo, inconformados.São, em sua maioria, pessoas que morreram de maneira trágica, e além disso, querem se vingar, fazendo coisas idiotas.

Idiotas, sim, pense um pouco,fantasmas são chatos. Eita bando de espírito chato. Sem graça. Sempre aparecem para famílias que mudam-se felizes para uma casa antiga e mal sabem o que as esperam. Sempre um molequinho ou uma menininha. Uma velha que chora. Um homem estranho de chapéu. Fantasmas de atrizes pornôs que morrearam engasgadas com objetos estranhos, ah, essas nunca aparecem para a tristeza dos marmanjos.

E fantasma é sempre aquela coisa sem graça. Faz um vento, dá uma risada, som de correntes. Bate portas, esconde coisas. Mas vem cá, se você pudesse vagar a esmo pelo mundo, tem certeza que se preocuparia em ficar arranhando portas? Tipo, depois de existir nesse mundinho besta, se tivesse a oportunidade de ser absolutamente livre, para ir e vir, ia mesmo causar interferências na TV e encher o saco de menininhas loiras de cinco anos de idade? Não tem nada melhor pra fazer com sua eternidade na Terra?

Uma coisa me faz pensar: Se fantasmas existissem mesmo, imagine a quantidade de lugares assombrados que existiriam neste planeta. Por cálculos, eu suponho que trilhões de pessoas já morreram desde que o homem apareceu por aqui. E nem todas devem ter morrido de uma forma pacífica.

Se você estiver sentado em uma praça, imagine que em 1937, logo no banco que descansa, um cara foi degolado violentamente. E ao lado dele, um índio que em 1285 foi atacado por uma jaguatirica assassina.Naquela praça portanto, vagam cerca de 300 almas penadas que morreram por ali, em diferentes tempos. A cidade inteira estaria tomada pelos espíritos zombeteiros.

Eles, superpopulosos, pisam uns nos outros, tendo diálogos irritados entre si.

Esquina da Rua Jatobá com a Av. D.Pedro, meia-noite.
Mulher que perdeu os filhos na enchente e se matou em 1946 diz em voz espectral:
- Galera, eu fiquei de assombrar esta parte aqui da rua, tá marcado na agenda!

Negão véio assassinado por um carrasco da senzala em 1759, voz de dar frio na espinha:
- Opa, opa peralá peralá, ontem a senhora ficou aqui, hoje sou eu. Eu sou mais velho, prestenção óia o respeito!

Molequinho sem as pernas, atropelado pelo bonde em 1925, voz fina que corta o vento:
- Eiii gente, só porque eu sou cotoco vocês me excluem, este pedaço da calçada é meu também, minhas pernas voaram bem aqui ó! Ó! Eu sou deficiente!


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Me poupem. Só vê fantasma quem acredita. Assim como quem vê que a competência Lula porque acredita no PT. É tudo crendice.

Egon me ensinou: Se a luz está verde, a armadilha está limpa.