4 de ago de 2008

O que cabe no seu espaço

Depois de... Eu sei lá, um ano, voltei pra esse blog. A quê devo essa parada? Eu realmente não sei. Preguiça, falta de idéias, falta de tempo, falta de saco.

Uma idéia que deu certo, o meu blog Shoe-me, me dá muitas alegrias e faço com muito prazer. Adoro fazer humor. E humor na internet faz sucesso. Não tanto quanto pornografia, mas deve estar em segundo lugar. Talvez em terceiro, atrás de futebol. Mas não consigo ser Shoe-me o dia todo. Não consigo pensar em sub-celebridades peladas e em produtos de beleza 24/7. Quero rir de outras coisas e falar de outras coisas. Quero falar também com pessoas que não se interessam com o botox da Ana Maria Braga.

O fato é que amo escrever humor. Tristeza é uma coisa que me dá ânsia de sentir. Me dá enjôo físico. Não forço tristeza já que ela nunca me inspira. Depressão, angústia, solidão. Sinto tudo isso, mas não sinto aquele prazer masoquista de "viver é sofrer". Não sou de apagar as luzes e chorar baixinho. Não sou do drama. Não faço tipo. Toda vez que escrevo algo quando estou deprimida saem aqueles textos vergonhosamente cafonas e clichês. É como alguém escrever uma trepada. Já leu uma descrição de uma trepada? Não estou falando daqueles contos de revista vagabunda, estou falando de escritores renomados descrevendo um ato sexual. Sempre, repito, sempre, fico com vergonha alheia.

E além disso, esse blog estava muito mau-humorado. Eu leio aguns textos passados e me sinto uma megera velha, trancada em uma sala imunda, bebendo conhaque e gritando com um inimigo imaginário. Mas e que ao contrário da tristeza, a raiva me inspira. Provavelmente porque a minha raiva é infundada e eu enfio motivos pra ela existir. Minha raiva é minha ficção.

Então em um misto de mau-humor e humor, eu existo e esse blog volta a existir. Tentarei ao máximo não soar como uma velha e seu copo de conhaque. Mas se isso acontecer, não me condenem. Estou sempre cercada de inimigos invisíveis.