22 de dez. de 2008

Teatro do sofá

Quando era era criança não podia sair de casa. Meu pai não deixava a gente brincar na rua. Então, eu gostava de entreter meu irmão com coisas bobas para passar o tempo. Eu contava piadas, inventava histórias. Todos meus bichos de pelúcia tinham voz e personalidades próprias. Eu imaginava que enquanto dormíamos eles faziam festas e viajavam para partes diferentes do mundo usando um portal que ficava embaixo da cama. Depois eles contavam as histórias pra gente. Na verdade eu contava as aventuras como se fosse eles.

Minha brincadeira favorita era o "Teatro do Sofá". Eu desenhava rostos na sola dos meus pés , entrava atrás do sofá, colocava os pés pra cima e fazia uma peça com roteiro e tudo. Os pés contavam piadas, histórias, dançavam... Tudo para a platéia de uma pessoa só: meu irmão.


Meu desenho fabulóstico para ilustrar o teatro do sofá. Até onde sei, meus pés são iguais, mas no desenho ficaram um tanto deformados. Muito deformados.

Morro de medo de esquecer essas histórias de infância. Faço uma força enorme para lembrar delas o máximo que puder.

19 de dez. de 2008

Doida?

Acabei de voltar do show da Madonna,
Depois escrevo mais sobre o que achei. Só tenho uma coisa a dizer agora.

Eu nunca terei um amor maior em minha vida musical. Juro.



Elvis. Ele me faz chorar e me faz sorrir. Madonna não foi capaz. Nem ao vivo. Eu não senti nada.

Nada.

16 de dez. de 2008

Minhas duas almas

Falar sozinha é uma das minhas loucuras em uma lista interminável de bizarrices pessoais. Eu nunca achei estranho, mas as pessoas acham. Não chega a ser esquizofrenia, eu já tive o cuidado de perguntar para os vários terapeutas, psiquiatras psicólogos que frequentei nessa vida "E aí, sou doida?" "Não Sarah, pessoas doidas nunca acham que estão doidas".

Mas como funciona a arte de falar com si mesmo? Depende de cada um. Eu me faço perguntas em voz alta e respondo. Assim:

"Você comprou sabonete?"
"Comprei, tá aqui ó"
E levanto o sabonete pra mim mesma.

Eu falo com a televisão e meu outro eu faz um comentário relevante:

"Que propaganda idiota!"
"E tem gente que recebe dinheiro pra escrever isso"
"Pois é, mais dinheiro do que eu ganho. E eu podia fazer melhor."
"Tu é otária"
"Sou mesmo. E vou acender mais um cigarro"
"É, fuma e continua a ser otária E POBRE"

Discussões e auto-ofensas:

"Eu nunca gostei de calcinha bege!"
"Mas tem várias na gaveta!"
"É verdade! Eu não sei como elas aparecem."
"Mistério..."
"Saca aqueles pacotes - leve três pague uma - deve ser de onde elas vêm. Uma bege, uma branca e uma preta"
"Mas eu compro essas porcarias sem olhar? Bi-zar-ro"
"Você é bizarra minha filha"
"Eu entendo essa parte, estou discutindo minhas calcinhas comigo"

O melhor é que eu falo sozinha quando não estou sozinha.

"Não funciona, vou trocar esse shampoo"
Namorado: "Sarah, o que você disse?"
"Nada , tô falando sozinha"
Namorado: "Mas você não está sozinha"
"Não me interrompa."

"Arrá! Achei você idiota!"
Irmão: "Quem é idiota?"
"shhh, shhh... Que zona!"
Irmão: "Você está no telefone Sarah?"
"Não!"
Irmão: "Mas tá falando com quem?"
"Não sei direito"

Uma lenda ucraniana diz que pessoas que falam sozinhas têm duas almas. Quando a pessoa morrer, uma delas fica para sempre vagando pela Terra. O que seria muito triste se fosse verdade: eu ficaria sozinha eternamente.

15 de dez. de 2008

Amores e humores





Amados, queridos e admirados. Desde sempre e para sempre.

12 de dez. de 2008

Vim lá do interior pra fazer minha fama

Acabei de dar uma entrevista pra Revista Veja. Nunca me imaginei fazendo isso na vida. Também não imaginei que apareceria na MTV dando entrevista, nem imaginei que tantas pessoas iriam saber meu nome sem me conhecerem pessoalmente. É uma sensação estranha achar que o que eu tenho a dizer é relevante. Eu não acho que é.

Eu deveria ter uma auto-estima mais exuberante. Acho que estou aprendendo a ser alguém ou alguma coisa que gostaria de ser. Isso é bom. Nunca é tarde demais pra se reconhecer.

Depois de semanas me sentindo feito um pacotinho de farinha mofada, agora estou me sentindo melhor.

Fama: eu te aceito.

Agora faz o favor de me trazer uns drinks de graça que a fortuna ainda não chegou.

Se minha opinião é relevante então eu recomendo:

Minha música favorita do The Fall - Squid Lord.



Eu queria ser famosa o suficiente pra subir no palco com o The Fall e dançar com botas peludas. Um dia eu consigo. Tô quase lá!

11 de dez. de 2008

I wanna be adored - said Djeezus

Vendo TV ontem fiquei encucada com uma coisa. Canal "gospel" show da Bispa Sônia. Raio laser, luzes, bailarinos, orquestra, telões... E finalmente entendi o sonho da Bispa. Não é converter ninguém.

She wants to be Madonna.

Djeezus, gonna dress you up in my love, all over your sacred body.
Holy Day, celebration, me and djeezus in every nation.
Djeezus, make some people, come together, yeah, Djeezus makes the bourgois praise and the rebel!
Papa let's preach, I'm in trouble deep, papa let's preach



Praise the Lord!


8 de dez. de 2008

Fim de semana em 3 capítulos

Capítulo I - Bolas espelhadas cegam meus olhos

Sexta. Festinha, cerveja, música. A madrugada já está quase virando dia. Lá, dando meus pulinhos sobre meus saltos altos, feliz da vida, querendo que todos os problemas desaparecessem junto com meus espasmos musculares. Dançar pra mim é uma sessão de descarrego. Só que eu não tenho mais 18 anos. Depois de um tempo eu preciso respirar e ter certeza que meus joelhos ainda dão conta. Aí me chega um sujeito. Bêbado. Coloca a mão no meu ombro e diz

- Ué, parou de dançar?
- (fico quieta olhando para o globo de espelho)
- Tá com essa cara de brava porquê?
- É que tem uma coisa me incomodando...
- O quê?
- Você.

Sujeito bêbado entorta a sobrancelhas e sai andando.

Isso é verdade. Mas o que eu queria mesmo ter dito:

- Ué, parou de dançar?
- (fico quieta olhando para o globo de espelho)
- Tá com essa cara de brava porquê?
- É que tem uma coisa me incomodando...
- O quê?
- Gases.

Aposto que o sujeito iria ficar longe, mas bem longe de mim.

Capítulo II - Doutor Jegue

Sábado à tarde eu estava com sono mas não queria dormir. Liguei a TV e fiquei enrolada com minha cachorrinha no colo. No meio do caminho, cruzo com Mussum usando uma camista laranja, de bigodes. No canal Brasil "O Incrível Monstro Trapalhão", de 1980. Uma paródia de Dr. Jekyll e Mr. Hyde com o quarteto freak. Eu nunca tinha assistindo. Nele Jekyll é interpretado por Didi foi parodiado para Dr. "Jegue". E foi ali que ouvi uma das frases mais estranhas que o Mocó já disse (depois de "se a 'popança' do Mussum fosse ouro dava pra comprar o Piauí" em Os Trapalhões na Guerra dos Planetas). Presta atenção:

Num momento de romance, o Dr.Jegue está jogando uma pelada com os amigos. Uma moça, sentada ao longe usando um macacão vermelho, olha para o chão, deprimida. Close na moça, no decote. Volta pro Dr. Jegue. Dedé nota que Jegue está olhando pra Ritinha (a moça deprimida) e diz, "Ahêee o jegue tá apaixonaaaado". Seguido de zombarias de Zacarias e Mussum. Jegue aka Didi olha pra mulher de novo e diz:

"Aquela mulé é tão boa quanto um bode: dali se aproveita até o grito!"

Outra cena:

Didi aka Jegue diz "Se a montanha não vai até Maomé, Maomé vai até a montanha!"

Mussum se levanta nervoso chacoalhando os braços:

"MAH AONDE TÁ TODO ESSE MÉ QUE VOCÊ TÁ FALANDO?"

Capítulo III - Domingo - Festa tricolor! No meu joelho.

Fui assistir o jogo com umas amigas. Tudo muito bem, muito bom. Alegria da torcida São Paulina. Eu não acompanho futebol desde 98, mas continuo torcendo para meu time. E fui tomar cerveja e dar risada. Na hora de ir embora, descer escadinha caracol. De granito. Okay, eu dou conta. Lá fui eu. Caí com meu joelho que já estava doendo desde sexta. Logo o joelho que acusa que eu não sou mais uma mocinha serelepe e sim uma mulher com problemas "nas junta".

Paf, tlec. Vou dizer que já estava sóbria, o que é pior. Prefiro cair de bebedeira do que cair de trapalhada. Dói bem menos.

Aí está, agora meu joelho homenageia algo tricolor: Vermelho, roxo e verde. E inchado.

4 de dez. de 2008

Governo Federal


Brasil, um país de todos.



Inclusive de todos que levantam a perninha pra fazer pose séqui.

3 de dez. de 2008

Você bebe?

Sempre.



Duvida?

Eu bebo e ainda danço isso. Oh yeah. Bêbado de verdade não ouve Nick Cave and The Bad Seeds.

Bebum ouve Usha Uthup.

2 de dez. de 2008

A relevância

Meu último post rendeu um comentário engraçado. A pessoa ficou incomodada por eu discutir um assunto pop neste blog, que aos olhos de alguns, "é mais inteligente que o Shoe-me". Não me considero inteligente o suficiente para me negar a falar sobre alguma coisa. Não sei nem se esse grau de inteligência existe.

Por isso resolvi fazer um post sobre um assunto completamente irrelevante.



Meu post será sobre interruptores.

A invenção do interruptor, imagino eu, está ligada à invenção da lâmpada. Antigamente o cara usava só uma lâmpada com extensão elétrica porque ninguém tinha instalado fiação em casa ainda. Provavelmente um fio era esticado e uma lâmpada amarrada na ponta. Eu nunca vi aquelas lâmpadas acesas por cordinhas (só em filmes) mas fico imaginando como é que funcionam. Seria que a cordinha puxa uma espécie de interruptor? E pra apagar, puxa de novo... No mínimo curioso.

Outra coisa que não posso deixar de comentar é que se você olhar para um interruptor notará que geralmente há um círculo escuro na parede, bem em volta dele. Um círculo de sujeira das mãos que sempre batem em torno do "espelho" (nome dessa plaquinha presa por parafusos) até acionar o botão. Entramos e saímos do quarto todos os dias, dezenas de vezes, mas é raro acertarmos a mão de primeira. E quando estamos na casa de um desconhecido é pior ainda. Quem nunca se pegou perguntando "mas onde está a porcaria do interruptor?" batendo as mãos nas paredes feito idiota. Sem contar no trabalho daquelas casas com trocentas lâmpadas na mesma sala e trezentos interruptores. Ficamos cinco minutos e acendendo luzes inúteis (geralmente dicróicas) que pessoas requintadas e com finesse usam para iluminar uma estante de madeira. Uma estante de madeira com luz própria. É como se acendêssemos um holofote e os livros fossem dançar sapateado e cantarolar "'Comon Get Happy".

Certa vez eu acendi uma barata. Juro. Eu entrei na lavanderia de casa, e ao invés de apertar o interruptor, eu "cliquei"uma barata. Ela fez "crec" bem embaixo dos meus dedos. Gritei por três minutos sem nem respirar. Foi extremamente nojento. Depois eu passei a olhar para a parede antes de acender. O que não faz sentido já que com a luz apagada a lavanderia estaria escura e mesmo se eu olhasse não enxergaria bulhufas e poderia quebrar outra barata ao meio novamente. Mas quais seriam as chances disso acontecer de novo?

O estranho de morar em prédios e casas antigas é que só existe um interruptor por quarto, sempre ao lado da porta, cerca de 1,50m do chão. Eu não entendo a lógica disso, afinal, porque uma pessoa há 30 anos não gostaria de deitar na cama, virar-se para o lado e apagar a luz? Eu sempre tenho que levantar, apagar a luz e deitar de novo. Será que nos anos 70 todo mundo usava abajour? Porque dos dois lados da minha cama existem tomadas. Fico imaginando essas coisas quando vejo a posição das tomadas de um cômodo. E pela posição do interruptor do meu quarto, uma criança de 6 anos não conseguiria acender a luz. A pobre criança era obrigada a encontrar suas meias no escuro, sozinha. Cruéis esses engenheiros elétricos de antigamente, não?

O interruptor foi muito importante para filmes e séries antigas de ficção científica. O mundo era dominado por interruptores das mais diversas cores, tamanhos e formas. A sala de comando da Enterprise por exemplo; no seriado clássico a comandante Uhura ficava apertando interruptores pra cima e pra baixo sem parar. Imagine comandar uma nave estelar usando apenas interruptores? Darth Vader tem interruptores no peito! Hoje em dia é tudo touch screen, o coitado do interruptor perdeu terreno. Mas não podemos negar seu tempo de glória "futurística" onde interruptores seriam usados para tudo e mais um pouco. O futuro do mundo, a guerra-fria meu deus: Mísseis atômicos apontados todos controlados por um INTERRUPTOR! Hoje é tudo tecla "enter". Bah, cadê o glamour do botão mágico?

Até inventaram a lâmpada acionada por palmas, o que eu pessoalmente acho um tanto cafona, porém a lâmpada acionada por movimento, essa sim, é bastante importante quando chegamos em casa. Se bem que nunca vi bandido com medo de luz. Se fosse assim, eu andava com uma lanterna na bolsa e não com um revolver calibre 22. Mentira, eu não tenho revólver.

Sim, eu posso soar doida, afinal, esse é um post sobre interruptores e acredite, eu posso ficar mais doida do que isso. Entenda: eu escrevo sobre o que eu quiser do jeito que eu quiser. É meu. Eu nunca vou entrar no blog de alguém e falar "ai, tem coisa mais importante pra falar sabia?". Qualquer assunto pode ser interessante, depende do que você faz com ele.

1 de dez. de 2008

Sweet Sixteen

Tô escrevendo aqui porque estou com vontade. O assunto é a Mallu Magalhães namorando o Camelo. Não vou dizer muita coisa sobre a diferença de idade porque o problema não os são 14 anos anos que ele tem a mais que ela e sim o fato dele ser o Camelo, e isso para uma menina de 16 anos, faz mal. Aliás o Camelo faz mal até para um peixe morto. E o peixe já está morto.

Aí que fui ler entrevistas da garota, pra entender como ela é, fiquei curiosa. Mallu Magalhães soa como uma menina que caiu em uma panela de ácido lisérgico quando nasceu. Completamente nonsense e não digo de uma maneira engraçada. Ela é monótona, fica falando de dançar dentro de si mesma e como gostaria de fugir com o circo. Eu tenho um amigo nonsense mas ao menos ele solta coisas idiotas no ar como "maiô azul marinho é sensual" em algum momento no qual o assunto nem se aproxima da maiôs.

O fato é que ela está no segundo colegial. E quer ser rockstar. Aí os pais dizem que ela precisa aprender as fases da divisão celular antes de gravar mais um álbum. Mallu quer ser estrela mas precisa entender os movimentos das placas tectônicas e assim terminar o colegial. Eu entendo Mallu, eu já tive 16 anos.

O Camelo consegue comer centenas de menininhas, principalmente as ripongas que acham ele genial. Sem dúvidas já comeu várias. Camelo não faz mais aula de química orgânica há muito tempo. Ele e Mallu mantém longas conversações idiossincráticas sobre compor músicas tontinhas.

Ficar de mão dada e tocar violão é bonito, mas não vamos esquecer que existem órgãos sexuais ali no meio. E não me venham falar de pureza que ninguém aqui é idiota: eu já tive 16 anos. A menina Mallu parece um menino de 14 fisicamente. Tem cara de bolacha maizena ainda. É uma menininha bem "inha". Ela é fofa como um coelhinho na feira de animais. Mas ainda não é uma mulher. Não rola uma vibe "Lolita" nela. Se houvesse, eu entenderia.

Amorzinho é bom mas homem que é homem curte pegar uns peitos e apertar nádegas. Mallu tem cara de quem ainda quer brincar de luta de travesseiros e não vai pagar um boquete "premium" tão cedo.


Mais uma prova irrefutável que o senhor Camelo é um tanga frouxa. E bota frouxa nisso.

Cutuca meu cérebro

Eu nunca acho que as coisas podem ficar pior do que estão. Apesar de mau-humorada eu não sou pessimista. O Orkut é um lixo e só fico lá por ser um meio que as pessoas ainda usam para falar comigo. Aí eu entro e dou de cara com isso:

Buddy Poke.

Eu acabo engasgando e cuspindo no teclado.


Se situa

O que faz um sujeito que tem um gol branco 84, sem luz de freio e uma das laternas de ré queimada colocar farol de xenônio no carro?

O mesmo que faz uma mulher que mora em uma casa sem sequer reboco nas paredes comprar uma TV LCD pra colocar na sala e ver Faustão.

As pessoas são livres. Idiotas, mas livres. O que lhes dá uma sensação de conforto ou quem sabe até "requinte" são posses e não posturas.

30 de nov. de 2008

Motivos pelos quais eu creio que armas biológicas deveriam continuar a existir 2:

Como transformar música em uma cueca molhada gigante:

"Minha parada é como um jeito de fazer ciência que tenha a ver com a expressão da emoção a partir das ondas sonoras. Essa é uma busca científica. Se você for resumir, a busca é essa. É tipo você estar indo em direção ao objetivo, descobrindo coisas que se encadeiam para trás, mas você não está mais próximo de chegar. Você não fica mais próximo, entendeu? Nunca!"

Eu não quero esse cara próximo de mim NUNCA!

Agora, pra amenizar essa explosão cuequisse/tanga frouxa uma coisa boa:



King Khan & the Shrines - Burnin' Inside



Por um mundo mais divertido.

28 de nov. de 2008

Que diabos?

Coisas aleatórias que me irritam por motivos aleatórios:


Todo mundo dizia "você tem que assistir esse filme é uma graça" Eu não sou muito da graça nem me identifico com mulheres mimimimimi. Quando tento ser mimimimimi (porque a delicadeza é importante) dá tudo errado e eu acabo acendendo um cigarro e abrindo uma cerveja. Não, não arroto depois se é isso que está pensando. Eu vi o filme. E só de olhar pra essa foto tenho vontade de bater essa colher na testa da Amelie. TOMA! PAF!


Ricota é um queijo irritante. Primeiro porque não tem gosto de nada, segundo porque não derrete. Aí dizem "temperadinha com azeite, sal e ervas fica uma delícia no pão". Peraí, pra que temperar uma esponja de leite insossa e colocar no pão? Pra dar volume? Tempera o pão e come. Toda vez que pego sem querer alguma coisa recheada com ricota no buffet dos quilos da vida tenho vontade de jogar na parede pra ver se serve como massa corrida.

Tererê. O nome em si já me irrita por parecer um chamado de pessoas que usam abadá. Na adolescência eu ia à praia com as amigas e todas faziam seus tererês coloridos, Na escola, assim que começavam as aulas, todas meninas com esses negócios no cabelo. É um fiozinho colorido no meio do cabelo, mas eu não entendo a função já que ninguém presta atenção nessa porcaria. E digo mais, ao lavar o cabelo esse troço demora pra secar e fica fedendo. Uma amiga minha encheu a cabeça de tererês uma vez e toda vez que eu olhava pra ela sentia vontade de comprar um maçarico. Sim, a cabeça dela exalava cheiro de pano de chão.

Assim, a explicação é meio estranha. Eu sou baixa, não baixinha, mas baixa. Minha cabeça (ou nariz) geralmente fica na linha da axila masculina. Se o sujeito estiver de camiseta, okay sem problemas. O complexo é regata/ou sem camisa. Fode tudo. Vem aquele amigo abraçar e a primeira coisa que vem em minha direção é um sovaco cabeludo voando a esmo. Na minha cara, Sovaco na minha cara. Gente, não é nada legal. Aliás, homem usar regata já é um nojinho. Essa regra do sovaco não se aplica quando o homem em questão é meu homem.

Ocupa muito espaço no universo da inutilidade. Serve pra completar moedas de 25 e fazer 30. Uma moeda de 5 não causa nada. Ninguém quer juntar essas porcarias pra formar um real. Sendo assim, o sujeito que me vende cigarro na banca aqui embaixo me entope de moedas de cinco centavos. Eu volto no dia seguinte com 600 moedas de cinco centavos e faço ele contar até dar o valor do Marlboro. É um ciclo de vingança sem fim.

Como morrer ir pro céu, morrer e ir pro céu mais uma vez

Elvis canta GOT MY MOJO WORKING




Eu morro vou pro céu, morro de novo e volto pra outro céu e continuo morrendo e voltando pro céu.


Sério. Tem arrepio até onde não dá pra arrepiar.

27 de nov. de 2008

Paranóia de bebado

Ontem eu estava com o Veio bebendo 12 garrafas de cerveja e em determinada hora da noite tinha um casal sentado na minha frente comendo batata frita. Eu não sei qual é o meu problema, mas o jeito que a mulher entupia as batatas de ketchup me irritava profundamente. Tive que me segurar pra não levantar e dizer:

- Porque você não pega o pote de ketchup e vira na boca de uma vez? Pra quê as batatas no meio? Pra se sentir "normal"? Pra obedecer as convenções da sociedade? Engole logo esse ketchup Etti e pare de ser hipócrita!

Ao fundo tocava um DVD de pagode. Eu sempre perco o controle quando me forçam a ouvir Nando Reis cantando pagode.

Aliás acho que fui induzida a sentir desejos assassinos quando ouço a voz dele. Saca aquela história do cara programado para matar ao ouvir determinada frase? Quando Nando faz um "elaiá" juro que eu procuro uma arma na bolsa, instintivamente.

Videoclip literal

See more funny videos at Funny or Die


Ponytail!



É eu sei, destruiu meu layout de página, mas vale a pena.

25 de nov. de 2008

Escreve que eu te leio

Passeando pela internet neste fim de noite frio em São Paulo me deparei com uma matéria no portal mais pop do Brasil, o Terra. Já disse aqui algumas vezes que o Terra sempre me impressiona com a quantidade de matérias inúteis e desqualificadas que dispõe em suas páginas virtuais. E se querem saber, eu até gosto: me rende risadas diárias. Não entendo como o portal que promoveu um festival de música decente semanas atrás ainda continua a ser medíocre em conteúdo. Mais uma prova de que nem um show bom te ajuda a vender uma porcaria.

Ao ler essa chamada "Aprenda a descobrir uma traição" tive que clicar e me deliciar, não com a matéria em si, mas com os comentários das leitoras em estado de desespero:

"SOU CASADA A DOZE ANOS MEU MARIDO ERA A PESSOA QUE EU MAIS ADMIRAVA COMO SER HUMANO, ELE ERA MEU AMIGO FICOU COMI NOS MOMENTOS QUE MAIS PRECISEI ÉRAMOS COMPLETOS EM TUDO E NO SEXO TAMB , NO PASSADO ELE COMEÇOU A MUDAR , PRATICAMENTE ME OBRIGOU A EMAGRCER COM IGNIRÂNCIA AÍ FIQUEI MUITO MAU , AO CONTRARIO SÓ ENGORDAVA , QUANDO TRANSAVÁMOS EU FICAVA TOTALMENTE SECA , POIS TUDO AQUILO QUE ELE ME COBROU VINHA Ã TONA , DETALHE !!!ISSO FOI DEPOIS QUE ELE MUDOU DE PROFISSÃO PORQUE DEPOIS DE UM ANO E MEIO P/ CÁ ELE É TAXISTA"

Desculpem o Caps lock. É que a mulher escreveu berrando sobre como suas relações sexuais estavam ruins depois que o marido a chamou de gorda e virou taxista. Obrigou a fofoleta a emagrecer na base da igonrância. Imagino que ele acordava de manhã virava e dizia pra barriga da esposa "MEU DEUS! Tem um leão marinho na minha cama e ele comeu minha mulher! Vou ligar para o Centro de Zoonoses e pedir ajuda! Calma querida eles vão te tirar daí"

"tenho certeza que ainda ñ sou traida,mas eu tenho um contato com um homem pela internet,a gente troca e-mails,telefones ,fotos e até nos vimos pela cam.ainda ñ tivemos oportunidade de nos vermos pessoalmente mas eu sei que esse dia ainda vai chegar e vamos fazer loucuras"

Essa não é traída mas já se garantiu usando meios tecnológicos e aguarda ansiosa o dia que encontrará MorenuGatu45 e fazer loucuras muito mais interessantes do que chacoalhar a bunda na frente da câmera e ver uma piroca desfocada balançando com uma taxa de 3 frames por segundo.

"ja fui traida,quando estava gravida;acredita..no momento que mais precisei "dele",ele fez isso comigo..mas hoje meu filho ja esta com quase 3 anos e estamos juntos de novo..ha,a moça com ele me traiu engravidou dele tambem...mas infelismente hoje,acho que estou sendo traida de novo e com a mesma PESSOA..o que eu faço?"

Pára de fazer filho?

"meu marido me trata mal nao faz mais sexo comigo e fica tirando foto no celular do seu penis e ja achei arcar de baton na camisa dele"

Seu marido fica tirando foto do pau no celular pra quê? Pra mostrar pros amigos na firma? Pros colegas do futebol? Pra mãe dele? Se eu pegasse meu homem em uma situação dessas perguntaria "Ei, tá pensando em mandar essa foto pra análise de algum especialista? Eu também achei que tinha algo estranho no seu testículo direito, nunca quis comentar, que bom que você está buscando ajuda".



É, eu preciso dormir e parar de beber. Ou seria parar de beber e dormir?

Notas fiscais

- Ando tendo os sonhos mais estranhos do universo. Essa noite sonhei que um casal - a mulher pintada de azul e o homem pintado de verde, cobertos com um pó brilhante - trepavam no chão de um apartamento vazio. As cores iam se misturando transformando os dois em um verde-azulado incrível, resplandecente e intenso. Atrás deles havia uma janela enorme, de onde podia ver prédios altos, todos feitos de vidro. De onde eu tirei isso?

- O mundo tá caro demais. Ou talvez seja eu que estou cada vez mais pobre. Uma cartela com dois bifes de contra-filé por 12 reais é caro. Fui pra casa levando só legumes. Vou acabar virando vegetariana por miséria e não por opção.

- Fiquei tão viciada em My Name Is Earl que tenho todas temporadas disponíveis no mercado. Assisti a segunda e a terceira de uma vez, como quem come um pacote inteiro de biscoito de polvilho. Jason Lee e seu bigode me fazem sentir uns calores estranhos...

- Tomei a Brahma comemorativa de 120 anos cuja embalagem parece um ovo de páscoa com rolha de champagne. O gosto? Cerveja. Não é ruim, mas não precisava da rolha mágica, se é que me entendem.

- Resolvi encher minha casa de plantas. Arranjei bons vasos a preços ótimos , inclusive um lindo que fica ao lado do meu laptop, bem pequeno. Juro que me faz me sentir melhor. Pena que eu não tenho mão pra jardinagem e temo que acabe matando as plantinhas por irresponsabilidade. Na sexta também ganhei um buquê de lírios de uma amiga querida. Eles ainda estão lindos.

- Meu estômago continua doendo e eu não sinto vontade de comer nada. Mentira, sinto vontade de comer coxinha every fucking day.

- Eu queria ser uma pessoa boa. Mas nunca me lembro disso. Só quando sou ruim.

Oh lady be good cantada pela linda Cleo Laine

19 de nov. de 2008

Desacordei

Fui até a clínica 10h. Fiquei na sala se espera assistindo desenho animado do Quarteto Fantástico e notei que a qualidade dos roteiros dos desenhos não melhorou muito em 18 anos. Depois de analisar a base criativa da animação, fui chamada para o exame. Entrei na sala, sentei em uma maca.

A moça perfurou uma veia da minha mão e colocou um caninho. Eu via meu sangue bombear pela mangueira fininha enquanto ela injetava as drogas. Diálogo:

Ela: você só vai sentir uma picadinha e vai ficar com sono.
Eu: Tá bem! E quanto tempo demora pra....HAH...WHOA...AHAHAHAHHAHA.

Tum.

Acordei 40min depois em uma outra sala, deitada em um sofá. Minha mãe olhando pra mim e eu fiz duas perguntas importantes:
- Como eu vim parar aqui?
"A enfermeira te trouxe"
- Eu ronquei?
"Um pouco"

Note que eu nem me preocupei em perguntar "estou morrendo?" ou "o exame deu um resultado bom?" Nah. Eu queria saber se alguém tinha me apalpado enquanto eu estava drogada ou se eu ronquei alto mostrando que não sou uma fina flor do bosque da delicadeza. No caminho de volta fiz minha mãe comprar pastel. Eu estava com fome e drogada e nessas ocasiões, pastel é a refeição dos campeões.

Cheguei em casa e dormi abraçada com um pastel de carne.

Eu pensei que fosse viver altas emoções. Eu desmaiei e comi pastel. Meh.

18 de nov. de 2008

Down your throat

Amanhã farei uma endoscopia. Nunca tive medo de agulhas nem nada disso, no entanto, a maioria das pessoas me acalma dizendo "é gostoso". Gostoso que enfiem um cano dentro da sua garganta até o estômago? Que diabos?
Dizem que o efeito da droga que eu receberei na veia é que é gostoso. "Você vai falar umas verdades" me disse um amigo.

O problema é que eu não posso comer nem beber nada por 12 horas. Contando a partir de uma atrás eu já estou com fome. Pra passar o tempo assisti um filme chamado "Delirious" com o Steve Buscemi e Michael Pitt (de Last Days). O filme não é ruim, no começo senti um arzinho Midnight Cowboy: o Michael faz um mendigo que fica amigo do papparazzi pobretã0 interpretado pelo Buscemi.

Depois notei que nào haveria lágrimas porque é uma comédia dramática. Digamos que o filme do meio pro fim desembesta e tem um desfecho absolutamente "vamos fazer as pessoas saírem felizes do cinema". Bleh. Continuei assistindo porque Buscemi sempre me impressiona. Seria um filme de sessão da tarde e talvez vire mesmo em 2016.

Agora estou atrás de "The Heart Is Deceitful Above All Things", baseado no livro da escritora que nunca existiu, J.T LeRoy. Já fiz um post explicando a história de J.T em 2006 mas tô com preguiça de procurar.

O trailer do filme:



Asia Argento, filha de Dario Argento, o fodelão do terror italiano é quem faz o papel da mãe doidona.

Se for um lixo eu vou dormir e acordar pronta pra ficar drogada.

16 de nov. de 2008

Coisa fúnqui

Resolvi colaborar com o youtube e fiz um upload muito especial.



Lizzy Mercier Descloux cantando Funky Stuff.

Lizzy nasceu em 1956. Foi uma cantora e compositora francesa que fez parte do movimento punk de Paris ao fim dos anos 70. Seu som mistura world music, ritmos funkeados e uma inconfundível voz de menina. Gravou seis álbuns , de 78 a 88. Em 1986 gravou o álbum "One for the Soul" no Brasil, com o mito Chet Baker.

Lizzy parou de compor e passou a se dedicar somente às artes-plásticas e à poesia. Faleceu em 2004, de câncer.

Te desafio a ouvir essa música sem ao menos mexer os dedos do pé dentro do sapato.

14 de nov. de 2008

Yeah yeah yeahs

Eu bebo demais, eu fumo demais. Mas eu rio demais também. A vida é uma coisa engraçada. E triste. Eu odeio palhaços. Palhaços me forçam a ver a graça onde ela não está.

Sim, este é um post bêbado, patrocinado pela cerveja mais barata do Pão de Açúcar. Comprada com moedas de 50 centavos.

A vida não é engraçada?

13 de nov. de 2008

Meime do Proust

Meu excelentíssimo cônjuge sugeriu que eu fizesse o famoso "Teste do Proust". Não aprecio muito entrevistas, muito menos aquelas feitas a mim por mim mesma. Mas fiz. Não me pergunte a razão, enquanto você lê isso eu já estou em outro lugar fazendo outra coisa. E inclusive em alguns dias as respostas poderiam mudar.

1. Qual é a sua maior qualidade?
Divertida. Não "palhaça", mas divertida. Eu tento, vá lá.

2. E seu maior defeito?
Sou violenta. Em tudo.

3. A característica mais importante em um homem?
Coragem.

4. E em uma mulher?
Coragem.

5. O que você mais aprecia nos seus amigos?
Irmandade.

6. Sua atividade favorita é…
Rir. Ahn... Gozar. Gozar vai, a palavra vale por dois.

7. Qual a sua idéia de felicidade?
Ficar calma. Ficar calma por algumas horas seguidas (dormir não conta).

8. E o que seria a maior das tragédias?
Não ter feito diferença alguma na vida de ninguém. Nem na minha.

9. Quem você gostaria de ser, se não fosse você mesmo?
Deborah Harry (em início de carreira, hoje ela está um tanto gagá)

10. E onde gostaria de viver?
Onde valha a pena abrir a janela. Onde eu possa beber à noite, voltar pra casa andando, acordar com um dia ensolarado. Onde as pessoas sorriam de volta pra mim. Onde não tenha mendigos na porta do meu apartamento jogando bituca de cigarro no meu pé.

11. Qual sua cor favorita?
Púrpura.

12. Uma flor?
Tulipa vermelha

13. Um pássaro?
Andorinha azul, daquelas que fazem imensas revoadas ao entardecer

14. Seus autores preferidos?
Machado, Lovecraft, Borges, Palahniuk, Singer, Orwell, Asimov e mais um monte de autores de histórias em quadrinhos que eu não vou colocar aqui senão vão me acusar de iliterata. Acho que já vão porque não tem nome russo o suficiente.

15. O os poetas que mais gosta?
William Blake e Cecília Meirelles (a Cecília é mais pela infância mesmo, hoje não acho nada demais)

16. Quem são seus heróis de ficção?
Capitão Nemo, John Constantine, Dirty Harry, Bond, Rick Deckard e Lobo Mau

17. E as heroínas?
Judite (bíblica), P'Gell, Blanche DuBois, Laura Madison e Paulina Bracho

18. Seu compositor favorito é…
Pyotr Ilyich Tchaikovsky no clássico. No "normal", must admit, Prince.

19. E os pintores que você mais curte?
Caravaggio, Klimt, Schiele, Rafael, Goya, Paul Klee, Degas, Rembrandt, Rockwell, Hooper, Liberatore (ilustrador vale? senão a lista vai ficar ridícula de grande)

20. Quem são suas heroínas na vida real?
Por me ensinarem que a vida não pode ser desperdiçada, minhas falecidas avós.

21. E quem são seus heróis?
Winston Churchill e Elvis Presley. O Elvis tinha que estar nessa lista em algum lugar.

22. Qual sua palavra favorita?
Lascívia. Até babo pra falar.

23. O que você mais detesta?
Perder o controle. Não, gente escrota... É, seria "perder o controle com gente escrota".

24. Quais são os personagens históricos que você mais despreza?
Marx, Lênin, Stalin, Osama Bin Laden, Mao Tse Tung, Hitler, Bokassa, mais uma porrada de imbecil que se auto-entitulou salvador de alguma coisa.

25. Quais dons naturais você gostaria de possuir?

Serenidade.

26. Como você gostaria de morrer?
Sonhando.

27. Qual seu atual estado de espírito?
Batalha naval. Isso é um estado de espírito?

28. Que defeito é mais fácil perdoar?

A distração

29. Qual é o lema da sua vida?
Hoje seria "aqui memo eu bebo, aqui memo eu caio".

12 de nov. de 2008

Mini dicionário de palavras odiáveis

Desde criança existem palavras que eu ouço e leio que me irritam profundamente. Não há explicação lógica para a maioria delas estar na lista "repugnância" , mas é inevitável que eu retorça a sobrancelha quando aparecem:

Chamego - Se um sujeito chegasse pra mim e dissesse "me faz um chamego" eu pegava minha bolsa e dava nos rins dele. Chamego me remete a um sujeito suado, coma nuca cheia de cabelinhos grudados, com uma lata de cerveja quente apoiada na barriga assistindo Faustão de chinelo rider.

Ginga - Ginga é nome de refrigerante vagabundo. Uma pessoa "com ginga"é uma pessoa cheia de gases e essência barata. É um indivíduo que só aparece em gôndolas inferiores.

Tupiniquim - Ninimnmnhimhmm. Parece alguém sem dentes na boca tentando dizer "traz isso aqui pra mim".

Transado - "Negócio transado!" "Transadão" "Será que ele topa essa transa?". Quem fala isso minha gente? Fica me vindo a voz do Sérgio Chapelin na cabeça dizendo "é uma transa leeeegal".

Holerith - Eu não sei como se escreve essa palavra. Busca no google dá trocentas opções. Roller it. Chegou meu ROLLER IT. A única vez que eu ouvi alguém dizer roller it foi uma professora de geografia na escola pública. Ela chegou na sala, acendeu um cigarro, sentou na mesa, abriu um papel e disse ESSE É MEU HOLERITHE! E ficou lá sentada fumando, sem dar aula. Naquela época podia fumar na sala. Inclusive os alunos.

Pândega - Não posso negar que soa até engraçadinha. Mas eu odeio "pândega". É um fanho dizendo panela? Traz essa pândega pra gueu cozingar um um agozinho.

Bolado - "bolei uma idéia" é a mesma coisa que bolar um canudo de orégano. E boladão é um sujeito embolado em bolo fecal.

"O sistema" - Não é bem uma palavra. É um termo usado por idiotas pra generalizar uma coisa que eles estão querendo tirar o corpo fora justificando superioridade intelectual. Ou seja, um termo usado unicamente por imbecis. Quando eu leio "o sistema"em qualquer texto eu corro para o banheiro e jogo àgua no rosto.

Sagaz - Desde que virou gíria "eu fumo unzinho ali e já volto" um ser sagaz nada mais é um ser vestido com uma bermuda que exibe metade de sua cueca, correntes grossas de metal no pescoço e um aroma de quem urinou nas próprias pernas há 5 dias e esqueceu de limpar.

11 de nov. de 2008

Povo metido

No site da Folha hoje:

Petulância.

Sabe o que é importante? Aquilo que o povo nunca esquece.



Brasil: ah, eterna negação de si mesmo.

Sounds of violence

Motivos pelos quais eu creio que armas biológicas deveriam continuar a existir:


Dá ou não dá vontade de enfiar um Antrax pela garganta e assistir morrer devagarinho?

Quer saber?



É isso aí.

10 de nov. de 2008

Luiz Caldas, Eddie Vedder e um travesti.

Quando eu me sinto um lixo eu preciso rir. Tem gente que se afunda no quarto, apaga as luzes e fica ouvindo Joy Division. Eu paro, olho à minha volta e vejo a quantidade de gente idiota no mundo. Primeiro sinto uma raiva incontrolável. Charles Bronson com sangue "nozóio". Depois eu crio uma imagem mental onde me vejo inserida em um esquete cômico dos Trapalhões.

Sexta passada estava em minha cidade natal. De novo. Dessa vez não bebi tanto imagino eu. Na verdade não me lembro se bebi muito, estava bêbada demais pra anotar. O fato é que sexta à noite inventei de ir em um "bar de rock". Essa alcunha já me causa arrepios. Minha juventude interiorana foi tomada por festas "rock" de faculdade onde maconheiros de classe média usando gorrinhos ensebados discutiam o poder das elites enquanto tocavam violão. E bar de rock em cidade interiorana é assim. Punks capiras, hippies roceiros, um ou outro estudante de direito da Unip perdido ali no meio. Não vou dizer que em São Paulo o povo é mais esperto. Eles só se vestem melhor.

O freak show "bar de rock de cidade do interior" me encanta. Quer dizer, visualize um sujeito parecido com o Luiz Caldas, bigodinho ralo, cabelo enrolado nos ombros, roupas largas e chinelinhos. Chinelinhos.

ADENDO: Homem não sai de casa a noite usando chinelinho. Só se for pra ir à padaria comprar pão e presunto ou na locadora devolver filme. Homem hetero de chinelinho em programas noturnos é crime. Pelo menos na minha constituição. Parágrafo 23, logo ao lado do 22.

E lá estava o filhote de Luiz Caldas abraçado com sua consorte, igualmente fã da erva marvada. A consorte parecia o Luiz Caldas também. E também usava chinelinhos. Eu imaginava aqueles dois vivendo em uma comunidade naturista com várias crianças catarrentas parecidas com o mini-Luiz Caldas. Todas com chinelinhos acoplados comendo arroz integral e bebendo suco de chicória.



Se minha imaginação tivesse parado aí, eu já estava bem. Afinal, eu ria tanto que meu tórax ardia. A banda da noite, com um guitarrista todo serelepe, era cover de Pearl Jam (aliás alguém me explica porque tem tanta banda cover do Pearl Jam no interior). Eis que o Luiz Caldas/bigodinho/chineludo pára na frente da banda e fica de cócoras. De cócoras como se fosse parir Macunaíma ali ao som de Jeremy. E ainda colocou a mão no queixo, "admirando" a regatinha suada e poética do guitarrista serelepe.

O mais divertido é que atrás do Luiz Caldas/bigodinho/chineludo/parto de cócoras havia um travesti todo empolgado dançando como se aquilo fosse um baile de carnaval: dois dedinhos pra cima, pé pra frente e pra trás. Um sorriso com batom borrado nos dentes e uma peruca vagabunda na cabeça.

E eu ria sem parar.

****

Eu poderia ter descrito esse mesmo bar de uma maneira depressiva. Como se o Bukowski tivesse jogado whisky na minha cabeça e berrado "Escreve vadia".

Mas eu prefiro imaginar o Didi Mocó chacoalhando o pé de ladinho dizendo "Vai santa!".

Quer saber? Eu nunca gostei de Bukowski.