Passeando pela internet neste fim de noite frio em São Paulo me deparei com uma matéria no portal mais pop do Brasil, o Terra. Já disse aqui algumas vezes que o Terra sempre me impressiona com a quantidade de matérias inúteis e desqualificadas que dispõe em suas páginas virtuais. E se querem saber, eu até gosto: me rende risadas diárias. Não entendo como o portal que promoveu um festival de música decente semanas atrás ainda continua a ser medíocre em conteúdo. Mais uma prova de que nem um show bom te ajuda a vender uma porcaria.
Ao ler essa chamada "Aprenda a descobrir uma traição" tive que clicar e me deliciar, não com a matéria em si, mas com os comentários das leitoras em estado de desespero:
"SOU CASADA A DOZE ANOS MEU MARIDO ERA A PESSOA QUE EU MAIS ADMIRAVA COMO SER HUMANO, ELE ERA MEU AMIGO FICOU COMI NOS MOMENTOS QUE MAIS PRECISEI ÉRAMOS COMPLETOS EM TUDO E NO SEXO TAMB , NO PASSADO ELE COMEÇOU A MUDAR , PRATICAMENTE ME OBRIGOU A EMAGRCER COM IGNIRÂNCIA AÍ FIQUEI MUITO MAU , AO CONTRARIO SÓ ENGORDAVA , QUANDO TRANSAVÁMOS EU FICAVA TOTALMENTE SECA , POIS TUDO AQUILO QUE ELE ME COBROU VINHA Ã TONA , DETALHE !!!ISSO FOI DEPOIS QUE ELE MUDOU DE PROFISSÃO PORQUE DEPOIS DE UM ANO E MEIO P/ CÁ ELE É TAXISTA"
Desculpem o Caps lock. É que a mulher escreveu berrando sobre como suas relações sexuais estavam ruins depois que o marido a chamou de gorda e virou taxista. Obrigou a fofoleta a emagrecer na base da igonrância. Imagino que ele acordava de manhã virava e dizia pra barriga da esposa "MEU DEUS! Tem um leão marinho na minha cama e ele comeu minha mulher! Vou ligar para o Centro de Zoonoses e pedir ajuda! Calma querida eles vão te tirar daí"
"tenho certeza que ainda ñ sou traida,mas eu tenho um contato com um homem pela internet,a gente troca e-mails,telefones ,fotos e até nos vimos pela cam.ainda ñ tivemos oportunidade de nos vermos pessoalmente mas eu sei que esse dia ainda vai chegar e vamos fazer loucuras"
Essa não é traída mas já se garantiu usando meios tecnológicos e aguarda ansiosa o dia que encontrará MorenuGatu45 e fazer loucuras muito mais interessantes do que chacoalhar a bunda na frente da câmera e ver uma piroca desfocada balançando com uma taxa de 3 frames por segundo.
"ja fui traida,quando estava gravida;acredita..no momento que mais precisei "dele",ele fez isso comigo..mas hoje meu filho ja esta com quase 3 anos e estamos juntos de novo..ha,a moça com ele me traiu engravidou dele tambem...mas infelismente hoje,acho que estou sendo traida de novo e com a mesma PESSOA..o que eu faço?"
Pára de fazer filho?
"meu marido me trata mal nao faz mais sexo comigo e fica tirando foto no celular do seu penis e ja achei arcar de baton na camisa dele"
Seu marido fica tirando foto do pau no celular pra quê? Pra mostrar pros amigos na firma? Pros colegas do futebol? Pra mãe dele? Se eu pegasse meu homem em uma situação dessas perguntaria "Ei, tá pensando em mandar essa foto pra análise de algum especialista? Eu também achei que tinha algo estranho no seu testículo direito, nunca quis comentar, que bom que você está buscando ajuda".
É, eu preciso dormir e parar de beber. Ou seria parar de beber e dormir?
25 de nov. de 2008
Escreve que eu te leio
Escrito por Sarah às 23:33
Labels: Baixaria, Comportamento, Internet
10 de nov. de 2008
Luiz Caldas, Eddie Vedder e um travesti.
Quando eu me sinto um lixo eu preciso rir. Tem gente que se afunda no quarto, apaga as luzes e fica ouvindo Joy Division. Eu paro, olho à minha volta e vejo a quantidade de gente idiota no mundo. Primeiro sinto uma raiva incontrolável. Charles Bronson com sangue "nozóio". Depois eu crio uma imagem mental onde me vejo inserida em um esquete cômico dos Trapalhões.
Sexta passada estava em minha cidade natal. De novo. Dessa vez não bebi tanto imagino eu. Na verdade não me lembro se bebi muito, estava bêbada demais pra anotar. O fato é que sexta à noite inventei de ir em um "bar de rock". Essa alcunha já me causa arrepios. Minha juventude interiorana foi tomada por festas "rock" de faculdade onde maconheiros de classe média usando gorrinhos ensebados discutiam o poder das elites enquanto tocavam violão. E bar de rock em cidade interiorana é assim. Punks capiras, hippies roceiros, um ou outro estudante de direito da Unip perdido ali no meio. Não vou dizer que em São Paulo o povo é mais esperto. Eles só se vestem melhor.
O freak show "bar de rock de cidade do interior" me encanta. Quer dizer, visualize um sujeito parecido com o Luiz Caldas, bigodinho ralo, cabelo enrolado nos ombros, roupas largas e chinelinhos. Chinelinhos.
ADENDO: Homem não sai de casa a noite usando chinelinho. Só se for pra ir à padaria comprar pão e presunto ou na locadora devolver filme. Homem hetero de chinelinho em programas noturnos é crime. Pelo menos na minha constituição. Parágrafo 23, logo ao lado do 22.
E lá estava o filhote de Luiz Caldas abraçado com sua consorte, igualmente fã da erva marvada. A consorte parecia o Luiz Caldas também. E também usava chinelinhos. Eu imaginava aqueles dois vivendo em uma comunidade naturista com várias crianças catarrentas parecidas com o mini-Luiz Caldas. Todas com chinelinhos acoplados comendo arroz integral e bebendo suco de chicória.
Se minha imaginação tivesse parado aí, eu já estava bem. Afinal, eu ria tanto que meu tórax ardia. A banda da noite, com um guitarrista todo serelepe, era cover de Pearl Jam (aliás alguém me explica porque tem tanta banda cover do Pearl Jam no interior). Eis que o Luiz Caldas/bigodinho/chineludo pára na frente da banda e fica de cócoras. De cócoras como se fosse parir Macunaíma ali ao som de Jeremy. E ainda colocou a mão no queixo, "admirando" a regatinha suada e poética do guitarrista serelepe.
O mais divertido é que atrás do Luiz Caldas/bigodinho/chineludo/parto de cócoras havia um travesti todo empolgado dançando como se aquilo fosse um baile de carnaval: dois dedinhos pra cima, pé pra frente e pra trás. Um sorriso com batom borrado nos dentes e uma peruca vagabunda na cabeça.
E eu ria sem parar.
****
Eu poderia ter descrito esse mesmo bar de uma maneira depressiva. Como se o Bukowski tivesse jogado whisky na minha cabeça e berrado "Escreve vadia".
Mas eu prefiro imaginar o Didi Mocó chacoalhando o pé de ladinho dizendo "Vai santa!".
Quer saber? Eu nunca gostei de Bukowski.
19 de out. de 2008
Sobre lhamas e bebês mutantes
Estou bêbada há 4 dias. Esqueço que em minha cidade natal a única diversão possível é ficar bebendo (muita) cerveja de manhã, à tarde, à noite, de madrugada e ao amanhecer. Hoje vi o sol nascer sentada em uma mesa de bar, bebendo. O lugar, feio e imundo, estava lotado de outros bêbados, em sua maioria homens com mais de 50 anos. Eu fazia um esforço enorme para manter minha cabeça em pé, mas não sentia mais minhas mãos, que não obedeciam direito minhas ordens e insistiam em tremer. Estava bebendo desde as 11 da manhã. Comecei a olhar para o copo sentindo um certo asco de dar outro gole. Meu estômago revirava ácido feito máquina de lavar. Cheguei em casa e tive sonhos intermináveis onde horríveis bebês peludos e com cabeças enormes, falavam arrotando.
Quando acordei com a língua completamente dormente, fui me escorando pelas paredes com uma tremedeira sem fim. Cheguei ao chuveiro onde fiquei por mais de meia hora sem me mexer, embaixo d'água, tentando lembrar o que diabos eu fiz no dia anterior.
Eu me lembro de cenas onde eu falava alguma merda muito grande em voz alta, chacoalhando meus braços bêbados pelo ar. E acho que ofendi pessoas indireta e diretamente. E existe o famoso GAP da memória. Ah, o gap, a falha, aquele exato período de tempo que você não se lembra de mais nada. O meu aconteceu no instante que subia o elevador, chegando de uma bebedeira prévia e me preparando para outra. Eu lembro de entrar pela porta e minha mãe me dar uma lhama. Você leu direito, uma lhama. Eu não sabia se estava alucinando. É aí que vem o gap.
Quando a memória voltou já estava sentada na mesa do bar imundo, de vestido e salto alto. Eram 4 da manhã, meu amigo estava contando segredos de sua vida amorosa e eu só conseguia pensar em manter minha cabeça ereta e segurar o conteúdo do meu estômago em seu devido lugar.
Agora estava passando pela sala e vi, em cima da mesa de jantar: uma lhama.
E eu juro que não vou beber nunca mais.
Ou pelo menos até as 17h de hoje.
28 de ago. de 2008
Riscando a lousa
No colegial eu aprendi que, mesmo estudando em uma escola particular, onde a maioria massiva dos alunos possuía muito dinheiro, os professores ensinavam que a elite era má. E os filhos da elite odiavam a elite. Apesar da gritante distorção de realidade, eu tentava manter minha mente um tanto fora desse abismo cultural que é a educação brasileira. Não era fácil. Penei até me formar. Hoje continuo penando. Porque o abismo se mantém. Não preciso procurar muito pra encontrar provas de que, para o brasileiro, o Brasil é o país das frutas mais doces, das pessoas mais calorosas e do céu mais azul.
Coisas lindas para um resort e nada eficiente para uma nação.
Aí que no portal UOL existe um serviço onde temas para redações são sugeridos e os jovens internautas enviam textos para serem avaliados por professores, que corrigem explicando os erros e acertos dos alunos. Coisas de vestibulando.
Li várias redações, todas com temas idênticos aos que fui submetida no colegial, há mais de 10 anos: Favelas, Pobreza, Desigualdade Social, Globalização. Trechos de dissertações baratas que busca agradar professores. Mas que no fim não fazem diferença alguma.
Sobre a cultura brasileira estar se perdendo com o IMPERIALISMO (palavra essa que eu falo arrotando feijoada) o adolescente discorre:
"Percebe-se que falta uma reação, uma vontade dos jovens de olhar pra trás e pensar em honrar aqueles tantos que lutaram e morreram em nome do Brasil, perceber quão sortudos são em terem nascido nesse país esplêndido, tão belo, tão acolhedor, que não tem terremotos ou vulcões, de natureza tão majestosa, tão simples, tão alegre."
Brasil... Tão alegre, tão inofensivo, tão cheio de pés de pitanga e sabiás. Realmente um paraíso na terra.
Outro aluno esbofeteia minha cara:
"Muitos são os jovens que desconhecem a música combatente do período ditatorial ou as produções plásticas no início do sec. XX. O meio mais eficaz para combater essa desvalorização nacional é a criação um sistema educacional forte e de qualidade."
Desconhecem a música combatente do período ditatorial? Você quer dizer aquela merda do Geraldo Vandré que meu professor de história me fez ouvir, debatar, encenar e cantar sessenta vezes?
Sobre nossa comida light e a comida engordativa capitalista:
"Um ótimo exemplo é os Fast-food, comida espelho de um mundo cada vez mais globalizado, que visa a obtenção de lucro. Muitas das pessoas que foram obrigadas a substituir a comida caseira por essas refeições"
O cara reclama de fast food. O sujeito que vende tapioca na rua visa o quê? Te dar azia? Acho que ele visa ganhar 4 reais - ah "maldita" obtenção de lucro!
Esse estudante fez meus intestinos explodirem:
Ficar sentado, assistindo TV e, apesar de cansado de ouvir todos os dias as mesmas notícias de corrupção e violência, permanecer indiferente a tudo isso não dignifica um herói. Por que não adotar o nacionalismo getulista e investir na melhoria do país?
NACIONALISMO GETULISTA?! Eu aqui querendo exorcizar Getúlio, sonhando com o dia que seu ectoplasma suma da constituição e esse MOLEQUE vem com essa? Getúlio herói!? Enrola ele em folha de banana e faz o puto voar pelos céus lançando ação trabalhista no seu rabo pra ver se é bom.
14 de dez. de 2007
Are you happy now?
"A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quinta-feira (13), o projeto de lei de autoria do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) que trata da promoção, proteção e defesa da língua portuguesa".
Se você não sabe, a nova lei aprovada, de autoria do senhor Aldo Rabelo, irá multar empresas e instituições que utilizarem "estrangeirismos" na linguagem. O típico "fast-food" e "self-service" agora serão obrigados a ter denominações em português. "Comida rápida" e "você se serve", quem sabe.
A verdade é que a nova lei quer mandar nas pessoas e não prestar um serviço a elas. O senhor Rabelo acha que tolher a individualidade e a liberdade de cidadãos é uma maneira de ajudá-los. Transformar uma opinião pessoal e infundada em lei oficial prejudica muito mais o cidadão do que se imagina.
Promover a língua portuguesa é uma coisa.
Agora proteger é que são elas. É como se nenhuma língua se desenvolvesse utilizando estrangeirismos. Não há nada de errado em incorporar palavras estrangeiras em nosso vocabulário. Estamos em um mundo tecnológico e extremamente comunicativo. Se uma pessoa acha errado usar termos em outras línguas, problema dela, é só não usar. Agora impor uma lei que dá o direito de impedir isso é uma conduta completamente inaceitável. Totalitarista.
Por isso eu quero dizer:
Senhor Aldo Rabelo: Eu aposto que o senhor deve ter um asshole extremamente fucked up. Agora seria o momento ideal para o senhor go buy a fucking giant dildo e stuck it up your ass. Dentro deste seu cérebro há um monte de fresh shit quentinha . Eu seria capaz de dizer que toda vez que o senhor pensa, está na verdade taking a dump. Talvez seu dick seja um pouco desavantajado, o que justifica suas atitudes. Não anda fucking pussies ultimamente? Tá all soft and saggy? Tudo o que eu quero é see you shoving your stupid law up into your butthole. Você é motherfucking dumb and a stinky politician. Now kiss my ass and go to hell.
Para sempre.
Agora vale lembrar ao deputado Rabelo que a lei deve valer para TODAS as línguas estrangeiras. Mas algo me diz que o medo do "imperialismo demoníaco" vai vetar somente termos em inglês. Just a hint.
Escrito por Sarah às 23:11
Labels: Baixaria, Brasil, Comportamento, Literatura, Política, Revolta pessoal
15 de out. de 2007
Carapaça
Ontem assistindo a versão da Record do Fantástico, o tal do Domingo Espetacular, vi o Paulo Amorim fazendo a linha "I kiss my boss ass" em uma matéria sobre o livro que descreve a prisão do Bispo Edir Macedo da Igreja Universal.
Imparcialidade?
Nunca.
Paulo Amorim me constrange de diversas maneiras. Não só pelo seu discursinho sempre vencido, mas pelas caras e bocas que faz ao ouvir um entrevistado. Enquanto Macedão falava, Amorim revirava os olhos, fazia beiço, entortava a boca.
Edir Macedo, com aquele olhar vidrado, digno de um sociopata, falava sobre como foi importante que ele fosse preso. Transformou-se em um mártir de uma Igreja "incompreendida". E Amorim se mostrava tocado pelo martírio do chefe. Confirmava a teoria de que fizeram complô para que Edir não comprasse um canal de TV.
Paulo Amorim depois comparou na matéria que existem mais Igrejas Universais no mundo do que lanchonetes do Mc.Donalds. Melhor comparação Amorim, realmente, não haveria. A Universal fast food "quer um brinde para acompanhar?" da fé.
Quando Amorim saiu da Globo, disse em uma entrevista à revista Imprensa: "Na Globo, do ponto de vista político, eu não tinha liberdade nenhuma! Tinha a autonomia de vôo de uma barata"
Pois é Paulo, a barata agora voa para debaixo do casaco do Edir Macedo.
Escrito por Sarah às 11:49
Labels: Baixaria, Jornalismo
31 de ago. de 2007
E eu nunca mais passarei fome novamente
Certos acontecimentos me tocam de maneira estranha. Eu sou uma moça que acorda cedo, trabalha e que, no fim do dia volta pra casa para assistir tv a cabo de pijama, com a cachorrinha no colo. Meu dia-a-dia não parece reservar acontecimentos muito extraordinários. Mas ele reserva. Eu atraio naturalmente eventos incomuns e estranhos. Talvez eu somente preste mais atenção em coisas que pessoas geralmente ignoram.
Estes dias eu entrei no ônibus, volta pra casa. Não estava lotado (ufa) e eu pude me sentar em um banco, próximo à saída. Quando me dei conta, havia uma senhora bêbada e louca sentada na escada do ônibus. Ela berrava alguma coisa e eu liguei o mp3 e esqueci do mundo. Até que a velha berrou tão alto que eu olhei para o lado. Eis que a mulher solta uma golfada de vômito no chão. Arroz regurgitado.
Nesta hora milhões de coisas passaram pela minha cabeça. "O que essa tia bebeu?" "Onde ela vai com essas trocentas sacolas?" "Porquê diabos ela TEM que vomitar aqui?" "Eu tinha logo que entrar neste ônibus?".
A vida tem dessas coisas. Mas eu pondero. Eu tento ver além. "Um dia eu terei uma vida mais digna e darei risada destes momentos". Na verdade, logo depois eu ri em casa, mas na hora foi podre.
O triste foi na hora de descer no meu ponto e atravessar aquele mar de suco gástrico e comida semi-digerida. Existem dias que você vê um lindo bebê sorrindo na rua. Em outros, uma mendiga vomita do seu lado.
A vida não poderia ser de outra forma, mesmo.
Escrito por Sarah às 16:02
Labels: Baixaria, Comportamento, vida urbana
4 de abr. de 2007
Like a Virgin
Aos 17 anos eu, eu... Eu...Ah, desembucha logo!
AOS 17 ANOS EU FIZ UMA PERFORMANCE DE LIKE A VIRGIN DA MADONNA EM FRENTE A CENTENAS DE PESSOAS.
Não me perguntem como eu cheguei lá. Era uma gincana do colégio, algo assim. Estavam lá todos os alunos do colégio, mães, pais, avós, tios... E eu. Eu embaixo de um holofote com um micro short, um bustiê de paetês, meia arrastão e botas. Uma baita performance. É valido lembrar que sendo uma pessoa beeeecha como eu, Madonna sempre foi minha diva. Eu quis fazer uma homenagem a todas as vezes que dancei ao som de "Papa don't preach" em frente ao espelho. Pois é meus queridos, enquanto as meninas dançavam Ilariê da Xuxa, eu me esbaldava no rebolado da Madonna. Desde criança.
Óquei, vamos ao caso. Eu ensaiei, mas não muito. Aos 17 eu já sabia a letra da música de cor, obviamente. Eu só aperfeiçoei a dublagem. Eu pensei, quando me passaram a tarefa: "Bom, vou lá, finjo que canto, dou uns pulos e boa. Não será tão ruim assim, vai ter gente píor do que eu. O lugar vai estar vazio. Vai ser divertido. A sala pediu esse favor pra mim, fui eleita para a tarefa. Eu posso fazer isso". Arrã.
Eu cheguei ao local, que era uma "Cava". Chama-se assim porque é um grande estádio coberto da cidade interiorana que eu venho. Isso, adicionem ao fato que eu fiz uma performance na frente de um monte de caipiras. Humilhação multiplicada por 1000. Esperem, a coisa vai piorar.
Eu cheguei vestida para matar (ou me matar de vergonha). O modelito, maquiagem, cabelo. Tudo envolto em um robe preto de cetim. Claro, eu sou discreta, o modelo "Madonna does Vegas" era só pro momento da apresentação. Eu entreguei o CD para o rapazinho do som. Escrevi um bilhete com o número da faixa e o tempo de duração, colei na capa.Sentei em um banco e esperei chamarem meu nome, enquanto assitia as outras apresentações das salas. Meu medo aumentou quando uma garota fez uma versão de "Hanky Panky" da própria Madonna (aquela que ela canta em Dick Tracy). Era uma garota que fazia academia de dança comigo e ela era boa. (Adendo: sim eu fiz dança durante um bom tempo da vida, jazz, sapateado, a pataquada toda).
Hanky panky é bem mais classy do que Like a Virgin. Eu fiquei apavorada, a menina era boa, escolheu uma música bem menos ridícula. Eu só peguei a porra de Like a Virgin porque era a mais conhecida caceta! Eu estava fodida. Que palhaçada, eu queria fugir, rasgar aquele bustiê de paetês e correr pra fora daquele lugar. Mas não podia. Depois de um garoto magrelo imitar o Reginaldo Rossi, chamaram meu nome. E lá fui eu.
Eu vou dizer que o cérebro é uma coisa doida. Basicamente porque eu não me lembro de nada. Eu me lembro de entrar no palco, da forte luz do holofote e da banca de jurados com professores e o diretor da escola bem na frente do palco. E me lembro de correr depois de 2 minutos e 45 segundos para me cobrir de novo. Eu havia cumprido minha missão. Não me lembro de aplausos ou de vaias. Mas...
Ao final do concurso, divulgaram o nome do vencedor. Do primeiro, segundo e terceiro lugares.
Você me pergunta: "Mas e aí fia, não me diga que você ganhou?" Calma, eu chego lá.
Assim que saí do palco as pessoas sorriam muito para mim. Eu não ouvia nada, parecia que eu estava em outro lugar, meio que em transe. Minha apresentação foi a última, eu esperei darem o resultado e peguei um táxi.
Vamos então ao que aconteceu durante os 2 minutos e 45 segundos de meu show particular:
Eu fiz movimento libidinosos. Me coloquei de quatro e engatinhei até a mesa dos jurados E ENGATINHEI NA MESA esfregando minha derriére no bigode do diretor. Pois sim. Eu rebolei como nunca havia rebolado antes. Fazia cara de vadia, gemia, me contorcia. Fiz coisas de Deus duvida. Só não tirei a roupa porque minha pomba-gira impediu. E eu só descobri meus atos quando assisti um vídeo da situação (que eu espero estar apagado e desaparecido do mundo a uma hora dessas),em frente a uma sala com dezenas de pessoas. Minha gente, foi terrível! Agradeci ao universo por meus pais não estarem lá (na verdade nunca souberam disso, e provavelmente devem estar lendo agora, então, oi mãe, oi pai! Eu sou boazinha viu?!)
Mas Sarah, e o final? Foi que nem filme? Você ganhou o primeiro lugar?
Não. O Reginaldo Rossi magrelo ganhou. Eu fiquei em segundo lugar e isso, porra, isso não vale nada. Mas vá lá. Vou contar essa história pros meus filhos.
E eu hei de me orgulhar. EU HEI DE ME ORGULHAR!
Like a virgin, uhhh
Touched for the very first time...
21 de mar. de 2007
Fucking motherfucker day
Então, depois de caminhar 3 quarteirões sofrendo com a dor lancinante em meu dedo "anelar" do pé, cheguei ao trabalho. Tirei a sandália, limpei a meleca toda. Tudo bem né, acontece. Um dia eu dou um tiro no pé do prefeito. Para relaxar, me servi de café. Peguei aquele copinho de plástico pequeno, enchi até a boca. Coloquei sobre minha mesa. Ao sentar, bati de leve a cadeira na mesa E MERDA DO COPINHO DO CARALHO VIROU EM CIMA DE TODOS OS MEUS PAPÉIS. TIPO VAI SE FODER! ESSAS PORRAS DESSES COPINHOS DE MERDA VIRAM TODA HORA, DEVIAM INVENTAR ALGUMA COISA MAIS DECENTE, PORRA ISSO AQUI É SÉCULO XXI CADÊ A TECNOLOGIA HEIN NEGADA? É PRA ACABAR COM A MINHA VIDA? É UM COMPLÔ DO GRANDE CÉREBRO CACETUDO DO UNIVERSO?
Tá bem, peguei o Perfex, joguei os papéis melados no lixo, limpei tudo inclusive o carpete. Me chamam para alterar um texto. Tipo "Sarah, você escreveu aqui que é Lider mundial e tals...é verdade, mas acho melhor dizer que a empresa é Líder Nacional, tipo, é mais importante o Brasil". EU olhei e falei "tipo, bein, assim quérida, DESDE QUANDO A PORRA DO BRASIL FAZ ALGUMA DIFERENÇA NO MUNDO? O MUNDO? MUUUNDOOO! É LIDER NO MUUUNDO? BRASIL? HÃN? O LULA É LIDER DO BRASIL CACETE, OLHA ESTA MERDA QUE VOCÊ ESTÁ ME FALANDO, VAI COMER BANANA!". (tá bem, não disse nada disso, fiz só um, ãaaahn e uma cara de cu que praticamente significavam tudo o que eu sentia. O olhar de desprezo sabe? Mortal). "Tudo bem, eu mudo o texto" respondi olhando pro meu dedo detonado.
Liguei meu computador. Nada. Reset. Nada. Reset "Insert boot device". O quê? "Insert boot device" Como assim sua merda? "Insert boot device". Liga computador do caralho torto, liga! "Insert..." AHHHH, MAS QUE PORRA! TÁ DE BRINCADEIRA? ONTEM ESTA CACETA ESTAVA FUNCIONANDO NORMALMENTE, AGORA PARECE QUE CHEIROU COLA NA SÉ! EU NÃO ENTENDO NADA DESTA MERDA, NADA, NADA, EU NÃO FIZ NADA PRA ESSA PILHA DE PLACAS SEBOSAS NÃO RODAR O WINDOWS. PEGA ESSE BOOT DEVICE E INSERE NO MEIO DA SUA SAÍDA USB ARREGAÇADA! O BILL GATES É UM FUNGO ALIENÍGENA QUE SE ASSEMELHA À FORMA HUMANA, E SE ALIMENTA DE FRALDAS GERIÁTRICAS USADAS! EU PERDI TUDO? FORAMATAR ESTA PORRA DE NOVO? MEUS ARQUIVOS! MEUS ARQUIVOOOOS! ARGHHGHGHGHHHHHHH...
Tá. Passou. A vida continua. Me deram um laptop para trabalhar PORQUE O TÉCNICO ESTÁ COM CAXUMBA e só vem segunda. CAXUMBA? TOMARA QUE SEJA NAS BOLAS!
Mas hoje a noite tem uma festa de aniversário de um dos meus grandes amigos em um bar que eu sempre quis conhecer. Vai estar bacana, vou beber, dar umas risadas e esta merda de dia vai acabar bem.
Oquei né. Já deu? Não. Não. Eu bem que queria que desse, mas...
Antes dos meus chefes saírem (no início da tarde) para uma reunião de 478 horas em outra cidade, me disseram: "olha, o pessoal da criação vai ter que ficar aí hoje e esperar a gente voltar. Temos que passar o briefing pra concorrência da conta "X". A reunião é quinta, dia 29"
TIPO, MEU BEIN, COMO ASSIM Ô CACETE? ESPERAR ATÉ NOVE DA NOITE AQUI PRA PASSAR BRIEFING? E A FESTA DO MEU AMIGO? TÁ TUDO COMBINADO! MAS QUE PORRA MINHA GENTE, EU MAL GANHO PRA PAGAR MINHAS CONTAS E AINDA TRABALHO FEITO UMA ZUMBI? TIPO, FICAR ESPERANDO? ESPERANDO? ESPERANDO? FAZ ESTA PORRA DE REUNIÃO AMANHÃ CARALHO.
Não adianta. Aqui estou eu esperando eles voltarem para uma "reunião" que durará 3 horas de pura punhetação cerebral, enquanto meus amigos festejam em um lugar bacana da cidade. Okay, sexta eu vou visitar meus pais no iterior, tem churrasco marcado com os caras, vou esquecer o dia de hoje para sempre.
Eis que me chega um assistente de arte:
"Eh, Sarah, como trampo é pra quinta, acho trabalharemos no fim de semana"
AAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
QUE PORRA É ESSA MINHA GENTE? O GRANDE CÉREBRO CACETUDO DO UNIVERSO TÁ QUERENDO ME FODER!
*ps: atentem para a quantidade exorbitante de palavrões em único post. Peço desculpas. Saibam que apesar disso, eu sou uma mocinha tipo mignon, pequena e delicada.
Escrito por Sarah às 16:32
Labels: Baixaria, Revolta pessoal
14 de fev. de 2007
Eu vou chamar o síndico
Todo os dias meu vizinho do andar de cima tem surtos escandalosos. Briga com a namorada, que eu sei (devido aos berros) que se chama Karina e é ciumenta. Ele grita ferozmente, repito, TODOS OS DIAS, que ela está acabando com a vida dele. Eu não ouço a voz dela retrucar, geralmente, então presumo que ele berra ao telefone. E faz isso alto o suficiente para que todo o prédio ouça como a mulher faz dele um miserável.
Sabe, eu não vejo a hora de tomar coragem e gritar "ô amigo, chuta logo essa vagabunda e pare de escândalo". Ontem a namorada estava no apartamento dele. Como eu sei? Oras, eram mais de meia noite quando ouvi alguém bater no chão sem parar, como se estivesse correndo, ou dançando lambada ou simplesmente tendo um ataque epiléptico. Pensei "puta, o cara tá matando a mulher com uma marreta! Bom, bem-feito, pelo menos essa merda de baixaria acaba". Mas não. A mulher berrava e se debatia no chão, enquanto desferia, com voz de choro "diz que me ama, diz que me ama". Ridículo né minha zenti?
Ele quer que todo mundo saiba que a vida dele é uma merda? Que a voz dele é parecida com a de um locutor de rádio de Sapopemba que bebeu muita pinga? Que o prédio note que o vocabulário dele para gritar com a namorada é composto de 5 palavras que se intercalam, como "sucessivamente", "acabar", "vida", "insuportável", "acusações" e "chega"? Na boa, é tão vulgar e medíocre que dá vontade de subir lá e falar "amigo, olha, pega esse livro do Willian Blake e aprenda a falar mal da sua vida e miséria humana com um pouco mais de classe, pelo menos eu ficaria entretida"
Se isso continuar, vou tocar a campainha dele, de pijamas, com minha cachorrinha no colo e dizer "Quando é que você vai tomar vergonha na cara e parar com essa novelinha de quinta hein? Tô afim de sentar no meu sofá, tomar a minha cerveja e esquecer do mundo. Com você gritando feito porco no abate, tá um tanto quanto difícil".
Também admito que tenho o desejo contido de ver o corpo do imbecil voando pela janela.Tipo, ele se matou de desgosto porque a Karina o levou a isso. Uma panaca desse precisa se jogar para um vôo com direção ao limbo, urgente.
Homem quando quer, meu bem, é pior que mulher pra dar baixaria.
Escrito por Sarah às 13:45
Labels: Baixaria, Comportamento, Vida doméstica
