
4 de dez. de 2008
1 de dez. de 2008
Se situa
O que faz um sujeito que tem um gol branco 84, sem luz de freio e uma das laternas de ré queimada colocar farol de xenônio no carro?
O mesmo que faz uma mulher que mora em uma casa sem sequer reboco nas paredes comprar uma TV LCD pra colocar na sala e ver Faustão.
As pessoas são livres. Idiotas, mas livres. O que lhes dá uma sensação de conforto ou quem sabe até "requinte" são posses e não posturas.
11 de nov. de 2008
Povo metido
2 de nov. de 2008
Terra mítica
Quando eu estava na escola eu adorava aulas de história. Principalmente porque eu vivia contestando os professores. Uma das coisas que mais me intrigavam era o Brasil. Mais precisamente a colonização dos portugueses. Eu sonhava em ter sido colonizada por holandeses, ingleses, franceses... Países com uma história mais interessante. Vá lá, até os mercenários espanhóis soavam mais legais que os monótonos portuguesese sua insistente lista de "cagadas" históricas. Claramente, alguns professores diziam que o Brasil só era tão "tosco"por causa dos lusos. Pensando melhor, minha "raivinha" pode ter sido manipulada por professores que odeiam bacalhau.
Acabei descobrindo em minhas pesquisas que talvez, e isso é bem talvez mesmo, nosso país tenha ao menos um nome legal.
Aprendi na escola que o nome Brasil vem da árvore pau-brasil. A madeira vermelha inspirou a alcunha que viria de "brazil", ou seja, em brasas. É certo que Brasil não foi o primeiro nome deste país. Poderíamos ser da Ilha de Vera Cruz ou quem sabe da criativa Terra de Santa Cruz. Bons cristãos esses portugueses.
Há alguns anos descobri (assistindo um filme ótimo chamado Erik O Viking) que no folclore irlandês existe uma ilha mística chamada Hy-Brazil. Esta ilha-fantasma seria eternamente envolta em brumas e vagaria pelos oceanos para não ser encontrada, ressurgindo apenas de sete em sete anos. O nome viria da antiga palavra irlandesa breas, que significa nobre e afortunado. No folclore celta Breasal seria o nome do grande rei de todo o mundo.
Hy-Brazil é a terra de homens fortes, onde a lenda diz que todas as pessoas vivem em uma civilização avançada, com cidades onde as construções são cobertas por cúpulas de ouro cercadas por uma maravilhosa vegetação. Os irlandeses também diziam que os rebanhos mais saudáveis só nasceriam em Hy-Brazil. Veja bem, na Irlanda tudo é meio cinzento e a principal fonte de renda deles eram rebanhos, por isso não é de admirar que a terra encantada seria dourada e cheia de ovelhas gordas.
O fato interessante é que em alguns mapas irlandeses do século XII mostravam uma ilha chamada Hy-Brazil - seu formato é um círculo perfeito com um grande canal cortando a ilha ao meio. Lembra alguma coisa?
Muitos navegantes disseram ter visto Hy-Brazil. Mesmo fazendo parte de um folclore pagão, homens dos mares não relevam essas coisas. A realidade deles é tomada por monstros marinhos, sereias e terras míticas mesmo com uma cruz pregada na sala do capitão.
Alguns historiadores dizem que Pedro Álvares Cabral foi quem chamou o Brasil de Brasil. Ele acreditava que havia encontrado a ilha encantada. Mas o pessoal da corte não gostou muito da idéia pagã. Papai do céu não ficaria feliz. Depois de um tempo, o nome Brasil foi incorporado e, aí sim, justificado pela cor da madeira.
Quando perguntei se o formato redondo cortado por um canal lembrava alguma coisa, pois aí vai: existe a teoria que a atual bandeira do Brasil, criada por Raimundo Teixeira Mendes, é inspirada no formato original de Hy-Brazil.
Tudo isso pode ser uma grande suposição. Um enorme "é, talvez". Mas convenhamos, é bem mais legal do que ser nomeado por causa de um monte de árvore.
9 de set. de 2008
Excesso de gordura mental
Quando passei um tempo da Europa devo admitir, senti falta da comida brasileira. Da fartura e da qualidade dos ingredientes (eu estive no velho continente durante o inverno, e não há abundância de ingredientes frescos nessa época). Eu gastei uma fortuna para conseguir comer uma banana. Precisava de uma fruta, de um belo bife, de um suco de laranja que não fosse pasteurizado.
Adoro coxinha, torresmo, feijoada. Sou junkie, não sempre, mas convenhamos, uma bela empada de palmito enriquece a alma. Sou daquelas que adora uma montanha de salada porém não dispensa um Eisbein bem feito. Sou amante dos suínos e seus derivados. Por outro lado, adoro comer rabanetes enquanto assisto TV. Não tente me entender, meu paladar é como meu gosto musical - Eu ouço desde Bauhaus a Glória Estefan sem nenhum pudor.
Voltando ao meu estômago. Eu realmente gostaria de comer uma porção de Eisben frito e depois cuspí-la na cara do Ministro da Saúde do Brasil, o Sr. José Gomes Temporão. Só para ouvir seu grito de pavor.
O Ministro Temporão é um homem natural. Ao contrário de mim, creio que ele come apenas alface e brotos de feijão. Eu não me importo com a alimentação deste homem, mas saiba que como Ministro, ele se importa com a sua e com a minha. Tanto se importa que quer entrar na sua casa, na sua despensa e porquê não, no seu estômago, e tirar tudo o que houver de gordura trans da sua vida. O Temporão impôs uma lei para que todas as indústrias de alimento brasileiras parem de fabricar alimentos com gordura trans para sempre. Mesmo que eu, euzinha aqui, saiba que a tal gordura não faz bem pra mim, faço questão de comê-la. É um problema meu. Na visão de temporão, é um problema dele.
Não preciso do Sr. Temporão para me ensinar a comer. Minha mãe me ensinou certinho, obrigada. Ela cozinha muito bem, desde deliciosas costelinhas de porco ao vinho até uma saudável salada de berinjelas. Minha família tem um paladar forte. Meu bisavô, que morreu aos 98 anos de velhice, fazia linguiças curadas caseiras - e as comia cruas, cortando com uma faca, acompanhada de um pedaço de pão e um copo de vinho. Pão esse, feito como se fazia antigamente: com banha de porco. Minha bisavó, que era gordinha, adorava frituras. Bolinhos, legumes, tudo ela empanava. Morreu também beirando os 100 anos, feliz que só. Gordura Trans corre no sangue de minha árvore genealógica, corre feliz e todos nós sorrimos ao ver uma mesa farta e saborosa.
Não condeno quem prefere uma vida totalmente saudável. Cada um se satisfaz como quer. O que eu como é problema meu. Seria problema de alguém se eu fosse canibal. Mas não sou. Comer gordura trans, que eu saiba, não é crime. Mas o Sr. Temporão diz que as indústrias (as esses capitalistas assassinos) querem matar os brasileiros de enfarte. Para o Sr. Temporão, aquele homem que aparece na propaganda da Bauducco, montando uma assadeira de biscoitos ou um panetone fofinho, na verdade é o anti-Cristo enfiando grodura trans no seu coração até que ele exploda.
Veja bem, sou a favor da liberdade. Se uma fábrica de biscoitos quer eliminar toda gordura trans de seus produtos e anunciar isso aos quatro ventos, ótimo. As pessoas que se importam com com a gordura mortal vão consumir o produto livre de tal gordura. Agora forçar todo mundo a seguir uma dieta especial porque o Sr. Temporão acha que eu sou uma criança babona que mal sabe segurar o garfo, faça me o favor.
Esse aqui é o país da feijoada, do acarajé, da coxa creme, do virado paulista e da buchada. O Sr. Temporão pretende fazer o quê? Colar adesivos nas portas de restaurantes, padarias, lanchonetes, botecos e vendedores ambulantes de todo Brasil com os dizeres "gordura pode causar parada cardíaca" acompanhado de uma foto de um obeso mórbido? Imagine um vendedor de churro usando um avental estampado com veias entupidas. Hmm, delícia.
Brasil meus amores, Brasil.
PS: Esse texto não se trata de comida em si, ou gordura trans. Ele critica na verdade o controle cada vez mais "paternal"do governo atual, que cria leis para que nós, pobres cidadãos imbecis, entendam que alguém maior e mais "inteligente" cuida de nossa vida nos aspectos mais inúteis. Porque se dependesse da gente, na visão deles, estaríamos vivendo em árvores e arremessando fezes uns nos outros. O que acontece aqui é a destruição total e completa da individualidade, do livre arbítrio. Algo que Brasil tem destruído um pouco a cada dia. Enquanto isso, bebês estão morrendo no Pará - algo que o Ministro da Saúde ainda não resolveu consertar.
Escrito por Sarah às 17:56
Labels: Brasil, Comida, Revolta pessoal
28 de ago. de 2008
Riscando a lousa
No colegial eu aprendi que, mesmo estudando em uma escola particular, onde a maioria massiva dos alunos possuía muito dinheiro, os professores ensinavam que a elite era má. E os filhos da elite odiavam a elite. Apesar da gritante distorção de realidade, eu tentava manter minha mente um tanto fora desse abismo cultural que é a educação brasileira. Não era fácil. Penei até me formar. Hoje continuo penando. Porque o abismo se mantém. Não preciso procurar muito pra encontrar provas de que, para o brasileiro, o Brasil é o país das frutas mais doces, das pessoas mais calorosas e do céu mais azul.
Coisas lindas para um resort e nada eficiente para uma nação.
Aí que no portal UOL existe um serviço onde temas para redações são sugeridos e os jovens internautas enviam textos para serem avaliados por professores, que corrigem explicando os erros e acertos dos alunos. Coisas de vestibulando.
Li várias redações, todas com temas idênticos aos que fui submetida no colegial, há mais de 10 anos: Favelas, Pobreza, Desigualdade Social, Globalização. Trechos de dissertações baratas que busca agradar professores. Mas que no fim não fazem diferença alguma.
Sobre a cultura brasileira estar se perdendo com o IMPERIALISMO (palavra essa que eu falo arrotando feijoada) o adolescente discorre:
"Percebe-se que falta uma reação, uma vontade dos jovens de olhar pra trás e pensar em honrar aqueles tantos que lutaram e morreram em nome do Brasil, perceber quão sortudos são em terem nascido nesse país esplêndido, tão belo, tão acolhedor, que não tem terremotos ou vulcões, de natureza tão majestosa, tão simples, tão alegre."
Brasil... Tão alegre, tão inofensivo, tão cheio de pés de pitanga e sabiás. Realmente um paraíso na terra.
Outro aluno esbofeteia minha cara:
"Muitos são os jovens que desconhecem a música combatente do período ditatorial ou as produções plásticas no início do sec. XX. O meio mais eficaz para combater essa desvalorização nacional é a criação um sistema educacional forte e de qualidade."
Desconhecem a música combatente do período ditatorial? Você quer dizer aquela merda do Geraldo Vandré que meu professor de história me fez ouvir, debatar, encenar e cantar sessenta vezes?
Sobre nossa comida light e a comida engordativa capitalista:
"Um ótimo exemplo é os Fast-food, comida espelho de um mundo cada vez mais globalizado, que visa a obtenção de lucro. Muitas das pessoas que foram obrigadas a substituir a comida caseira por essas refeições"
O cara reclama de fast food. O sujeito que vende tapioca na rua visa o quê? Te dar azia? Acho que ele visa ganhar 4 reais - ah "maldita" obtenção de lucro!
Esse estudante fez meus intestinos explodirem:
Ficar sentado, assistindo TV e, apesar de cansado de ouvir todos os dias as mesmas notícias de corrupção e violência, permanecer indiferente a tudo isso não dignifica um herói. Por que não adotar o nacionalismo getulista e investir na melhoria do país?
NACIONALISMO GETULISTA?! Eu aqui querendo exorcizar Getúlio, sonhando com o dia que seu ectoplasma suma da constituição e esse MOLEQUE vem com essa? Getúlio herói!? Enrola ele em folha de banana e faz o puto voar pelos céus lançando ação trabalhista no seu rabo pra ver se é bom.
27 de ago. de 2008
Como economizar 6 milhões de reais
Frank Aguiar, o cãozinho dos teclados e deputado federal vai fazer um filme sobre sua vida. Custará 6 milhões de reais, dos quais suponho que grande parte virá dos cofres públicos. Ainda mais que ele já está lá no congresso, facilita.
Mas a história da vida dele já está no youtube, pra quê gastar tanto dinheiro?
Sem contar que o ator do vídeo acima é bem mais talentoso que o Frank. E se veste melhor também.
8 de jan. de 2008
Onde o Diabo perdeu as cuecas
Há m ano e meio atrás estive em Curitiba pela primeira vez e relatei minhas experiências na Twin Peaks brasileira em um post carinhosamente chamado de "o fim do sistema digestivo". O post ficou esquecido no tempo e espaço até que alguém encontrou, e bem, resolveu divulgá-lo até no Orfuck, na comunidade "Eu amo Curitiba". De repente o meu blog encheu com curitibanos violentos, revoltados, fazendo um vuco-vuco, me chamando de vadia para baixo. Incrível como pessoas vem tomar as dores de uma cidade inteira em cima de um post do blog.

14 de dez. de 2007
Are you happy now?
"A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quinta-feira (13), o projeto de lei de autoria do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) que trata da promoção, proteção e defesa da língua portuguesa".
Se você não sabe, a nova lei aprovada, de autoria do senhor Aldo Rabelo, irá multar empresas e instituições que utilizarem "estrangeirismos" na linguagem. O típico "fast-food" e "self-service" agora serão obrigados a ter denominações em português. "Comida rápida" e "você se serve", quem sabe.
A verdade é que a nova lei quer mandar nas pessoas e não prestar um serviço a elas. O senhor Rabelo acha que tolher a individualidade e a liberdade de cidadãos é uma maneira de ajudá-los. Transformar uma opinião pessoal e infundada em lei oficial prejudica muito mais o cidadão do que se imagina.
Promover a língua portuguesa é uma coisa.
Agora proteger é que são elas. É como se nenhuma língua se desenvolvesse utilizando estrangeirismos. Não há nada de errado em incorporar palavras estrangeiras em nosso vocabulário. Estamos em um mundo tecnológico e extremamente comunicativo. Se uma pessoa acha errado usar termos em outras línguas, problema dela, é só não usar. Agora impor uma lei que dá o direito de impedir isso é uma conduta completamente inaceitável. Totalitarista.
Por isso eu quero dizer:
Senhor Aldo Rabelo: Eu aposto que o senhor deve ter um asshole extremamente fucked up. Agora seria o momento ideal para o senhor go buy a fucking giant dildo e stuck it up your ass. Dentro deste seu cérebro há um monte de fresh shit quentinha . Eu seria capaz de dizer que toda vez que o senhor pensa, está na verdade taking a dump. Talvez seu dick seja um pouco desavantajado, o que justifica suas atitudes. Não anda fucking pussies ultimamente? Tá all soft and saggy? Tudo o que eu quero é see you shoving your stupid law up into your butthole. Você é motherfucking dumb and a stinky politician. Now kiss my ass and go to hell.
Para sempre.
Agora vale lembrar ao deputado Rabelo que a lei deve valer para TODAS as línguas estrangeiras. Mas algo me diz que o medo do "imperialismo demoníaco" vai vetar somente termos em inglês. Just a hint.
Escrito por Sarah às 23:11
Labels: Baixaria, Brasil, Comportamento, Literatura, Política, Revolta pessoal
5 de nov. de 2007
Hulk tá na correria
Parte do elenco do novo filme do Hulk está no Rio de Janeiro, incluindo aí, o novo Bruce Banner vivido por Edward Norton.
Bom, existiu aquele filme fiasco de 2003, que, se eu me lembro bem, até escrevi sobre aqui neste mesmo blog quando assisti naquele ano. Este novo é dirigido pelo mesmo diretor de Danny The Dog (que eu também achei um lixo) e estreará em 2008.
Edward Norton como Bruce Banner parece até promissor. Em 2003 era o Eric Bana, que ficou bem insosso. A imagem que revelaram do novo Hulk na última Comicon, também é diferente do rosto "moleque verde" que colocaram há 4 anos atrás. Mas não é isso que me intriga.
O que me intriga é tentar enfiar na minha cabeça que o Hulk vai fazer no Rio. Fui procurar e vi que existirão cenas na favela.
O que Hulk vai fazer na favela?
Vai destruir um baile funk?
Vai destruir uma boca de fumo?
Vai destruir um depósito de armas clandestino?
Vai destruir os barracos?
Vai destruir a Regina Casé?
As perguntas ficam no ar.
Escrito por Sarah às 12:08
Labels: Brasil, Cinema, Nerd, Quadrinhos
31 de out. de 2007
Eu tenho medo é do nacionalismo
Retirado do site da SOSACI - Sociedade de Observadores de Sacis: Um abaixo assinado para instutuir o dia do Saci :
"Por que “raloins”, duendes e gnomos? Nós, brasileiros, temos nossos próprios mitos, que não ficam nada a dever a esses importados, comerciais, que são usados para anestesiar a auto-estima do nosso povo(...)Por isso, nós, abaixo-assinados, solicitamos ao ministro da Cultura, Gilberto Gil, que abrace esta causa de valorização da cultura popular brasileira, instituindo o 31 de outubro como “Dia do Saci e seus amigos”
31 de outubro é o Halloween. Uma festa "internacional" que mistura várias culturas e lendas de horror do mundo europeu. É comemorada principalmente nos Estados Unidos, e provém de um festival pagão antiquissimo celta, chamado Samhein. De acordo com a cultura celta, este dia é especial porque é quando os humanos conseguem se comunicar com o mundo dos mortos - e rituais de magia, portanto, ficam mais fortes.
Desta data, veio o feriado cristão "Finados", que tem por característica, relembrar os mortos.
Há um sentido natural, a morte no caso, nessa adaptação.
Agora vejamos.
O Saci, em descrição do livro "Folclore Nacional" de Alceu Maynard Araújo:
"Conhecemos três espécies de Saci: trique, saçurá e pererê. O Saci mais encontrado por aqui é o Saci-pererê. É um negrinho de uma perna só, capuz vermelho na cabeça e que, segundo alguns, usa cachimbo, mas eu nunca vi. É comum ouvir-se no mato um “trique”isso é sinal que por ali deve estar um Saci-trique. Ele não é maldoso; gosta só de fazer certas brincadeiras como, por exemplo, amarrar o rabo de animais. O saçurá é um negrinho de olhos vermelhos; o trique é moreninho e com uma perna só; o pererê é um pretinho que, quando quer se esconder, vira um corrupio de vento e desaparece no espaço. Para se apanhar o pererê, atira-se um rosário sobre o corrupio de vento".
Então a tal associação SOSACI quer envolver um "negrinho/moreninho/pretinho/pequeno afro-americano" de uma perna só em uma festa que pretende, relembrar os mortos e brincar, de certa forma, com o medo da morte?
Vejamos. Halloween é uma mistura de idéias que envolve a morte e o medo de morrer como uma coisa que devemos lembrar. O "Dia de los muertos" no méxico tem exatamente o mesmo papel, só que usa elementos diferentes, principalmente as famosas caveiras, para representar "o outro lado". É uma festa bem mexicana, mas a idéia de celebrar os mortos para reforçar a vida não é nacionalista.
Eu não tenho nada contra o boitatá, saci, o curupira, enfim. Deixem os bichos lá nas matas assustando os capiau. Só que eles não tem absolutamente NADA a ver com a idéia primária que o Halloween quer passar. Não são monstros ou criaturas que envolvem a morte. Não precisam enfiar o saci goela abaixo dos brasileiros, com esse nacionalismo inútil e "exótico". Não precisamos ser "exóticos" para sermos brasileiros.
O saci é só um moleque que corre no mato e dá nó em rabo de cavalo. O que ela faz na cidade? Dá nó em escapamento e foge da PM? (com aquele cachimbo, é suspeito de porte de entorpecente). Nós precisamos de uma figura para nos identificar com o mundo dos mortos e isso não é papel de nenhum saci ou curupira.
O que precisamos entender Halloween não tem "ícones imperialistas" e "importados". A abóbora só simboliza a festa porque nascia na determinada época do ano. As bruxas, monstros em geral, não são necessariamente "americanos", se você olhar, eles vêm do mundo todo. Zumbis, fantasmas, vampiros, múmias, lobisomens, maldições, feitiços, macumbas (quer nacionalizar?Macumba dá medo!), espíritos, brincadeira do copo... São coisas assustadoras que existem espalhadas pelo planeta, absorvidas pelo tempo e incorporadas a uma festa.
Para a festa dos mortos vale relembrar o fantasma do escravo que morreu açoitado na praça no século retrasado, a loira do banheiro, o espírito da menina degolada que aparece na faculdade. Histórias de assombrações fantasmagóricas que existem em todas as cidades do mundo, e não somente nos EUA, entenderam queridos nacionalistas do SOSACI?
Na data, vale o simples troçar da morte. Um dia que não a tememos, mas brincamos com ela.
Desculpe Sacis. Vocês vieram pra festa errada.
16 de out. de 2007
Senso
Eu no meu quarto, arrumando a zona. Ouço meu irmão berrar na sala. "Sarah, corre aqui". Lá fui eu.
Ele:
-Olha essa propaganda da Philips!
Eu:
-Mas que merda?
Na tela, Ivete Sangalo se contorce em uma calça de vinil preto, cantando em português e inglês. Luzes, flashes, hip-hop, mais luzes, mais flashes. Gente pulando. Cafona.
- Sarah, na boa, que porra é essa?
- Ué meu, é uma propaganda tosca.
- Mas tá fora do sentido.
- Eu sei. "Sense and Simplicity". Quero ver o povo pronunciar isso, rápido.
- A porra da Ivete Sangalo... Esse slogan idiota!
- Percepção e simplicidade. Tantas luzes e raios laser não me parecem muita simplicidade.
- Eles querem puxar essa coisa de simplicidade do design dos produtos da Apple.
- E socam a Ivetona com calça de vinil.
- Meu, os caras ganham dinheiro pra fazer essas merdas, eu não acredito.
- Ganham MUITO dinheiro.
- Que merda.
- Puta merda.
- Vou jogar Halo 3.
-Boa.
Escrito por Sarah às 18:12
Labels: Brasil, Cafonice, consumo, Publicidade, Revolta pessoal
12 de out. de 2007
O equívoco dos equivocados
O engraçado de se escrever um texto afirmando que as pessoas podem ser donas do próprio nariz parece ofender quem tem idéias esquerdistas (quem sabe, afiliados do PSOL).
O primeiro clichê que aparece é dizerem que eu sou patricinha alienada, jogando ofensas no ar. Vamos lá. Eu fiz faculdade de jornalismo (o antro dos professores "revolucionários" de esquerda) , e até o segundo ano de faculdade eu era igual a muita gente que comentou no post passado. Pensava exatamente da mesma forma. Odiava o Bush, os EUA, achava que a culpa era toda das "elites". Achava que pessoas que nasciam sem dinheiro eram tratadas como lixo pelos ricos, pelo governo. Meus pais foram hippies, participaram da tal "revolução" de 68. Minha mãe teve que queimar seus quadros (ela é artista) para não ser presa pelo DOPS. Veja bem, os políticos "de boa" índole adoram dizer que fizeram parte de revolução de 68, não? Minha mãe era fanzona do Zé Dirceu na década de 60. Ele era bonito e falava sobre a vitória dos jovens, sobre Che, sobre Fidel e sobre Marx, com grandilouquência.
Tínhamos um quadro do Che Guevara em casa e logo ao lado, um enorme da Greta Garbo. Mamãe é fã de Greta e de Che, vejam só vocês.
O que eu tento explicar e as pessoas não entendem é que eu acredito profundamente na liberdade e na capacidade humana. Não estou rebaixando uma classe social, o que eu faço é exatamente o contrário: eu me nego a aceitar que todos estão condenados a uma condição. Me nego a acreditar que exista uma conspiração "dos ricos" para manter os pobres, pobres. Isso não existe. Não existe uma conspiração da Globo, não existe conspiração da revista Veja. Ninguém está conspirando contra a liberdade. Quem conspira contra a liberdade são pessoas que acreditam que um homem que nasce pobre é manipulado, analfabeto, burro e ignorante.
Durante quase 20 anos tivemos uma empregada doméstica chamada Luíza. Ela era analfabeta, tinha trabalhado na roça até os 25 anos. Assim que a fazenda faliu, Luíza veio para a cidade ser empregada doméstica. Largou o marido porque ele "não gostava de trabalhar". Com um filho pequeno uma mãe idosa para cuidar, Luíza precisava de dinheiro. Então trabalhava como faxineira de madrugada, em uma loja, e durante o dia, em restaurantes como cozinheira e depois como empregada doméstica em residências. Quando ela chegou pra trabalhar na minha casa ela tinha quase cinquenta anos. Seu filho estudava contabilidade e já estava trabalhando. Ela era rígida e correta. Talvez uma das pessoas mais honestas que eu já conheci na vida. Luíza, apenas como empregada doméstica, comprou duas casas próprias. Ela alugava uma das casas e morava na outra. Luíza nunca leu um livro. Luíza não assistia TV porque achava "sem graça". Ela ouvia rádio. Cuidava das vizinhas, levava comida para as que não tinham nada. Ajudava os doentes. Comprava remédios, doces para as crianças no dia das crianças. Reclamava da vizinhança, violenta. Dizia que as pessoas tinham é preguiça de por a mão na massa. Que era fácil ficar em casa recebendo cesta básica do governo e assistindo TV. Eu nunca tive dó da Lú, como eu a chamava, porque ela era forte e inteligente, mesmo sendo analfabeta. Ela entrou em um curso gratuito de alfabetização e eu a ajudava a estudar todo fim de tarde. Hoje a Lú vive em sua casa própria, já aposentada. Seu filho é gerente de uma grande empresa e já lhe deu dois netinhos. Luíza me ensinou que integridade é algo inerente.
Não importa de onde se vem, e sim para onde se vai.
Enquanto eu escrevo isso, lembro dos comentários do último post, dizendo que eu falo coisas "escrotas" e sou seguidora de Diogo Mainardi. Quem diz isso não entende as experiências que tive na vida, muitas, que me fazem pensar como penso hoje. Que fui criada e redoma de vidro, que tudo foi muito fácil para mim. As pessoas não me conhecem e tentam fazer ofensas pessoais baseadas em coisas que não entendem. O que proponho é uma discussão civilizada sobre a liberdade humana.
Palavra tão mal utilizada hoje em dia.
9 de out. de 2007
De que lado você está
Semana passada o apresentador da Globo Luciano Huck foi surpreendido por assaltantes enquanto saía de um restaurante. Os criminosos queriam seu relógio. Cena comum aqui no Brasil, e que cada vez mais, tem se tornado suportável porque neste país se tem a mania de perdoar o "problema" do criminoso e não punir sua criminalidade.
O rapper paulista Férrez (Reginaldo Ferreira da Silva), do qual eu nunca ouvi falar, apareceu agora dizendo que o bandido que ameaçou a vida de Luciano por um relógio estava certo.
Vejamos suas palavras em carta enviada pelo rapper para o jornal O Dia: “O assaltado, que ficou com o que tinha de mais valioso, que é sua vida, e o ‘correria (forma como trata o assaltante), que ficou com o relógio. Não vejo motivo para reclamação, afinal, num mundo indefensável, até que o rolo foi justo para as duas partes”.
Férrez, veio do Capão Redondo e diz que na sua "quebrada" o relógio de Luciano Huck dá pra comprar várias casas. E te pergunto Férrez: E DAÍ? O cara trabalhou e comprou o relógio com o dinheiro dele. Não conheço o Luciano, mas mesmo que ele fosse o Zé das Couve, um cidadão tem o direito de COMPRAR o que quiaser, pelo preço que quiser. SE o cidadão está com vontade de entrar no Capão Redondo e dar casas de presente para o pessoal de lá, CONTINUA SENDO PROBLEMA DELE. E se ele comprar mil casas para pobres, ele também NUNCA MAIS poderá usar um relógio caro? É isso Férrez? Seu "mano" ali "das quebrada" é bandido e tinha que ser preso. Quem comete crimes Ferréz, não está "na correria". Está na bandidagem.
É fácil: justifica-se a criminalidade com o fato do sujeito ser pobre. E aqui no Brasil, estão perdoando bandidos ou dizendo que é correto roubar dos "ricos". Veja bem, não importa que esse rico nunca tenha feito nada contra lei, ou que ele pague seus impostos ou até mesmo que ele seja um profissional de sucesso. O que importa é que ele é rico, e ser rico aqui é o crime.
O preço do relógio de alguém não justifica a bandidagem. O que se faz aqui é achar que todo e qualquer ser humano que nasce pobre está fadado a ser bandido. Esse é o destino dele? "Pobre nasce na favela, na periferia e vê gente morrendo desde quando se entende por gente". "Quem cresce na criminalidade vira criminoso". Vamos fazer uma coisa? Vamos parar de achar que quem nasce pobre é diferente? Pobre é gente. Humano. Raciocina. Pensa. Pobre não é um computador programado para absorver o que inserem nele. Isso é basicamente duvidar da mínima capacidade humana que nos separa dos animais. Daquilo que nos coloca acima de toda cadeia evolucionária.
Se você pensa como o rapper Férrez, está tratando pobre como uma categoria abaixo da do ser humano. Está impondo que eles são suscetíveis e irracionais. Um miserável que vê tanta morte que acha normal morrer. Pera aí! Olhemos para os indivíduos como seres humanos antes de olhar para o meio que ele vive. O que está acontecendo é que o criminoso se esconde nessa "casca" de "vítima do sistema" para justificar suas ações criminosas. Na verdade, o criminoso sabe muito bem que pegar uma arma e ameaçar uma pessoa não é uma coisa certa. Ele justifica isso dizendo que é "vítima do sistema" porque alguém ensinou isso pra ele. E quem foi? Quem ensina a um bandido como usar sua miséria para justificar seus erros?
Pessoas como Férrez. Pessoas que acham que o mundo é "indefensável"(que não tem ou não mereça defesa). Que pobre pode roubar rico, porque todo mundo que tem dinheiro é automaticamente filho da puta.
Pra mim, certas coisas são bem mais simples. Bandido é quem comete crime, independente se ele é pobre, rico, classe média, mendigo, vesgo ou banguela. Se "mano" é bandido, se no assalto, a vítima pode "ficar viva" como prêmio, e Férrez (e muita gente por aí) achou que o rolo "foi justo", quero dizer a este rapper e a essas pessoas que elas duvidam demais da capacidade humana. Impõem que pobre tem o direito natural de roubar. E isso é muito, muito feio.
Pra mim, nenhum ser humano tem ( nem merece) o direito natural de roubar.
Já vieram me falar de "instinto de sobrevivência" o que seja, eu acho que essa coisa de "instinto" é animalesco. É selvagem. E quem nasce em Capão Redondo não é bicho, é gente, certo?
Escrito por Sarah às 14:22
Labels: Brasil, Comportamento, Revolta pessoal, vida urbana, Violência
4 de out. de 2007
A voz do Brasil
O Brasil tem várias vozes. Chamo de vozes aquilo que consideramos brasileiro. O que falam que você deve gostar deliberadamente para ser brasileiro. Eu me sinto brasileira, mas muitos não me vêem assim, já que não gosto de caipirinha, de carnaval e da tal "cultura" que querem me enfiar goela abaixo. A cultura brasileira se perde nos estereótipos, no que é natural, da terra, do povo. O cru e mal-cozido. Essa visão empobrece o que entendemos por cultura.
Eu, estranhamente, gosto de ópera. Não sou exímia conhecedora, mas gosto das divas e quando criança, ouvia "Carmen" até cansar. A ópera não é coisa "dazelite", ela pode ser compreendida facilmente. É uma história, geralmente dramática, onde as pessoas interpretam com suas vozes, os sentimentos. Você não vê uma "gorda berrando". Você ouve a voz da personagem e sente o que ela é ali no momento. Uma viúva sofrida, uma cigana apaixonada. É a voz que me leva longe. Eu gosto, e muito.
Nasceu no Brasil, em 1902, uma mulher que se tornaria uma das maiores vozes líricas de todos os tempos. Seu nome era Bidu Sayão. Nascida no Rio de Janeiro, Balduína (seu nome verdadeiro) era orfã de pai. Seu sonho era ser atriz, mas como isso não pegava bem na época, estudou canto e logo se destacou. Foi estudar na Romenia e logo começou a se apresentar pelo mundo todo. Seu talento era tão reconhecido que foi a principal estrela do famoso Metropolitan Opera de Nova York, durante quinze anos. Se aposentou oficialmente dos palcos em 1952, aos 50 anos.
Bidu morreu em 1999.
A única "grande" homenagem que recebeu do Brasil, ainda em vida, foi um desfile de Carnaval no Rio em 1995.
Em 2000, depois de sua morte, foi instituído um prêmio com seu nome para os futuros talentos da ópera brasileira (que não são muitos).
Ela não era muito querida aqui pois dizia preferir se apresentar onde o trabalho dela fosse admirado. Dizia que no Brasil, a ópera nunca ganhava patrocínio ou reconhecimento. Naturalizou-se norte-americana em 1959, e visitou o Brasil pouquíssimas vezes. Morreu no Maine. Suas cinzas foram espalhadas perto da casa onde morava.
Talvez não reconheçam Bidu porque ela cantou óperas de Debussy e não marchinhas de Carnaval. Talvez quase ninguém saiba que ela existiu, porque suas músicas não tocam em elevador, como a Bossa Nova. Talvez não lembrem desta grande artista porque ela nunca
disse que este era o melhor lugar do mundo para se cantar.
O artigo sobre Ivete Sangalo na Wikipédia, é bem maior do que o de Bidu.
PS: Eu gosto de ópera mas ouço Rolling Stones. Não é gosto musical que estou criticando. Critico a falta de atenção que as coisas recebem aqui, trocadas por outras muito mais "mastigáveis".
Escrito por Sarah às 12:02
Labels: Brasil, Mulheres, Música, Revolta pessoal
2 de set. de 2007
Originalidade Brasileira
Sabe quando você ouve aquela versão tosca da música já pentelha "I can't take my eyes off you" com a Ana Carolina berrando "Eu não sei paráaaar de te olháaaaaarrrr"em algum lugar , e pensa "cacete, certas coisas não precisam de versão brasileira".
Pois é, agora leiam isso:
"A investigação da estranha morte de um especialista em arte barroca desencadeia uma trama surpreendente, que entrelaça suspense, arte, erudição, história e um alucinante mergulho em mistérios jamais imaginados. O morto era diretor do instituto do Patrimônio Histórico Nacional(IPHAN), e seu corpo foi encontrado no interior da famosa Igreja da Sé de Mariana, em Minas Gerais. Pouco antes ele havia telefonado para um amigo dizendo ter feito uma descoberta que iria revolucionar a história da arte".
Qualquer semelhança com o Código DaVinci, não é mera coincidência.
Esta é a sipnose de um livro chamado "O Código Aleijadinho" de Leandro Muller, lançado em 2006. Muitos sites de literatura anunciam a pataquada nacionalista como "coragem de abrasileirar com muito bom humor o livro de Dan Brown".
Ser original, criativo, inovador, sabe?
Porque é disso que os bons escritores são feitos. Eles "criam" coisas novas. Soa muito difícil pra você?
Então vá escrever manuais de eletrodomésticos.

Capa de "Ratatoing" a versão brasileira de Ratatouille, feita pela Vídeo Brinquedo. Não, não tem nenhum direito autoral nesse rip off descarado e malfeito, engana trouxa ao melhor jeitinho brasileiro.
Atualização do post: Troquei a foto do autor porque na net nunca se tem certeza de nada e nesta aí que eu encontrei, ele está segurando o tal do livro, então é garantia de ser o cara mesmo.
Escrito por Sarah às 14:22
Labels: Brasil, consumo, Literatura, Mídia, Revolta pessoal
10 de ago. de 2007
Estafa
Vieram me perguntar do "Cansei". O quê eu acho deste movimento de fazer cara de chuchu e dizer "cansei de tanta corrupção" e coisa e tal.
Vou dizer uma coisa. Movimentos do tipo Sou da Paz, Cansei e derivados no fundo não me dizem nada. Direi por quê: O Cansei se diz sem contrariedades políticas. Ou seja, você diz que está cansado da corrupção no governo e não DO governo.
Amores, a situação é bem simples. Não adianta fazer sinal de pombinha com as mãos e nem dizer "canfei". Por um simples motivo: Se você cansa de um tipo de política você precisa apoiar a oposição ou surgir com algo melhor. Sabe o que acontece nesse país? Ninguém aponta o dedo de verdade para um partido e fala "vocês são uns merdas". Aqui neste país a tão temida direita não existe. Ela não faz diferença. Não há contrariedade de idéias com a esquerda. Planos de governo são iguais para os PMDBistas e PTistas. Só mudam os nomes e as cores.
Se você diz "cansei de corrupção" é porque você afirma que o governo é corrupto. Seja ele qual for. Mas como mudar o governo? Fazendo sinal de pombinha e levantando cartazes escritos "cansei"?
Não.
Para mudar algo de verdade é preciso que pessoas cansadas dessa realidade tenham consciência política séria. As pessoas temem política em geral. Eu mesma temi durante muito tempo, achava um porre. Mas para ser coerente com minha convicções, vi que política é fundamental.
O que são partidos, opiniões? Como e quem são as pessoas que fazem as leis neste país? Pra onde vai a caralhada de imposto que eu pago? Porquê o Renan Calheiros não senta em um nabo?
São tantas perguntas que acabam ficando sem resposta por falta de interesse. Você está cansado, uau, parabéns. Estamos todos cansados. O Brasil é um país tão cansado que o povo tem preguiça de pensar antes de votar.
Nunca vou me esquecer do escândalo do "eu não sabia" do fim da última eleição. Nosso atual presidente teve seu assessor envolvido em um clime eleitoral digno de cancelamento das eleições. Mas ninguém viu, ninguém vê. Corrupção não é perdoável, mas assim, de repente, ficou sendo. Ninguém sabe votar. Ninguém quer votar. Ninguém quer discutir política sem torcer o nariz. Mas todo mundo sabe colocar a culpa nos políticos.
Olha meu bem, cê tá cansado?
Aprenda a votar, entenda moral, ética e civilidade. Entenda um pouquinho de política também. Assista TV senado e chore um pouco. Sinta raiva sim, chame todos de uns merdas. Mas saiba sugerir novos planos, saiba discutir soluções reais e POLÍTICAS e não com festinha, passeata e cartaz de cartolina. Do contrário, de nada adianta.
Se não quer entender política, fica cansado aí no seu canto e não me encha o saco fazendo sinal de pombinha.
Escrito por Sarah às 13:56
Labels: Brasil, Política, povão, Revolta pessoal
27 de jul. de 2007
Público cativo
Existe um sebo neste país. Um sebo que se concentra em cantos empoeirados, em mesas de fórmica rachadas, em computadores ultrapassados, em armários cheios de arquivos amarelados. Que fica grosso e escuro feito pasta de betume. É podre, é ultrapassado, inchado. Creio estar prestes a explodir.
Chama-se serviço público.
Eu trabalhei em uma instituição pública durante alguns meses. Era estagiária na Secretaria da Cultura de minha cidade, na área de assessoria de imprensa, e posso afirmar que o que vi ali foi algo que nunca imaginei. Tanta lentidão, tanta falta de boa vontade, tanta indiferença.
Sou filha de empresários. Cresci observando meus pais trabalharem honestamente, arduamente, pagando impostos e funcionários em dia, dentro de todas as conformidades que as leis impõem. Vi dentro da agência de meus pais, pessoas trabalharem, crescerem profissionalmente e fazerem o capital girar. Pra mim, quem segura a economia deste país são essas pessoas, envolvidas diretamente com o trabalho e que sabem que só assim é possível viver uma vida decente e colaborar para uma sociedade decente. Trabalhar, sem vagabundagem, sem preguiça, sem má vontade. Trabalhar por honra mesmo. E se tem uma coisa que eu não suporto nesse mundo é vagabundo aproveitador.
Voltando à minha época dentro do funcionalismo público, digo que foi ali que comecei a moldar meu caráter político. Como toda (o) estudante de jornalismo em começo de carreira, eu tinha ideais. Pensei que dentro da Secretaria da Cultura eu poderia fazer algo útil para as pessoas. Levar literatura, música, cinema, artes plásticas para todos. Me sentia importante ali. Pelo menos no primeiro dia de trabalho, cheguei com essa idéia. Eu tinha dezoito anos e aprendi como este país funciona atrás de fachadas mofadas.
Lá dentro, um bando de pessoas inúteis, fazendo coisas inúteis. Pessoas, que por nunca correrem o risco de perder seus empregos, faziam seus trabalhos como se estivessem sentados em um vaso sanitário. Nas salas, mulheres gordas e tristes se entupiam de pão com margarina, tomando café e comentando a novela. Homens que nunca estavam lá, que chegavam onze da amanhã e saíam uma da tarde para não voltar mais. Meu chefe (eu tive três diferentes em oito meses) baixava pornografia o dia todo, eu fazia todo o trabalho do maldito punheteiro. E mandava para o superior dele como se o inútil tivesse trabalhado. Eu sentia raiva, vergonha. Nada acontecia, nenhum evento era programado com cuidado, tudo era feito na última hora. Se eu precisasse de dez folhas de papel eu tinha que preencher um protocolo. Para xerocar o clipping dos jornais, eu devia preencher outro. Eu perdia tempo fazendo isso, mas lá dentro, um dos funcionários falsificava documentos sem preencher a cartela de xerox como se isso fosse normal.Como se fosse direito dele. Via as faxineiras roubarem café e açúcar do depósito. Via coisas velhas e estragadas em outro lugar. Pessoas reclamando de seus salários, enquanto coçavam a própria bunda. A única pessoa que eu conheci ali que trabalhava de verdade era um senhor que cuidava do jardim. Ele estava lá todos os dias às sete da manhã, varrendo, limpando, podando. Não parava um minuto. Mesmo sendo de idade se oferecia para qualquer serviço. Só ele. Em universo de setenta funcionários públicos.
Hoje, quando eu entro em prédios públicos, eu vejo este sebo. Veja espalhado na cara das pessoas, nas mesas, nas cadeiras. Escorre.
Quando se vê isso, é quando se entende que um país está falido e podre por dentro. Todo o sistema público está assim. É este comportamento que se vê na política. Uma falta de vontade enorme de levantar a bunda da cadeira e fazer alguma coisa que preste. É mais fácil comer pão com margarina e roubar pó de café, nas devidas proporções. Entenda: todo o dinheiro que eu e você pagamos em impostos vai para esse tipo de gente.
Quando eu ouço alguém reclamar de privatizações eu fecho os olhos e lembro da minha sala cheia de sebo na Secretaria da Cultura. E tenho uma vontade enorme de mandar o reclamante para a casa do caralho.
Escrito por Sarah às 14:30
Labels: Brasil, Confissão, Política, Revolta pessoal
21 de jun. de 2007
Quem abre os braços, sou eu

Faltam exatos 15 dias para acabar a votação mundial que definirá as novas sete maravilhas do mundo. Não que as pessoas se preocupem com isso, penso que é bom para o turismo, ou para dar valor a algo muito precioso construído pelas mãos do homem. A lista, contém lugares realmente fantásticos, e eu, já tenho minha lista de cabeça do que considero uma "maravilha".
Aí estão as opções oficiais do concurso:
Acrópolis, Grécia
Alhambra, Espanha
Angkor, Camboja
Pirâmide Chichén Itzá, México
Coliseu, Itália
Estátuas da Ilha de Páscoa, Chile
Torre Eiffel, França
Muralha da China, China
Hagia Sophia, Turquia
Templo de Kiyomizu, Japão
Kremilin, Russia
Machu Picchu, Peru
Castelo de Neuschwanstein, Alemanha
Petra, Jordânia
Pirâmides de Gizé, Egito
Estátua da Liberdade, EUA
Stonehenge, Reino Unido
Sidney Opera House, Austrália
Taj Mahal, India
Timbuktu, Mali
Cristo Redentor, Brasil
E aqui na selva, a balbúrdia foi instaurada para eleger o Cristo uma maravilha. Eu não acho maravilha nenhuma. Uma estrutura enorme de concreto e pedra sabão de um Cristo todo estilizado em linhas retas, não é um troço "foda".
Porra, tem as Pirâmides de Gizé na lista, a Muralha da China, Acrópolis! Quem em sã consciência acha que o Cristo é tão bom quanto isso? Não estou desmerecendo nada, deixa lá o Cristo recebendo os turistas que em breve serão assaltados. Deixa o Cristo pro povo se benzer ali embaixo.
O Cristo Redentor não marca nada na história da humanidade. Ele não mudou nada aqui, não faz diferença em nenhum livro de história porque não significa nada mais do que ele é: uma imagem gigante de Jesus Cristo.
Para não dizerem que eu sou escrota, que sou anti-Brasil e vierem vomitar merdas nacionalistas por aqui, eu mostro minha lista do que acho que DEVEM ser consideradas maravilhas intocáveis do mundo:
Acrópolis
Coliseu
Muralha da China
Pirâmides de Gizé
Taj Mahal
Petra
Angkor
Rá rá rá.
Este post foi sugestão do leitor RFM. Valeu pela dica.












